Ficaram 40 mil sem trabalho

Na segunda-feira, data em que o Ministério da Educação anunciou a colocação de parte da classe docente nas respectivas escolas, a Federação Nacional dos Professores efectuou uma acção de denúncia, à porta dos centros de emprego, onde distribuiu comunicados a alertar a população sobre as graves consequências, para o País, de atirar para o desemprego 40 mil docentes não colocados e de aumentar a precariedade dos vínculos, numa altura em que «o País precisa de mais professores».
Delegações da Fenprof concentraram-se diante dos Centros de Emprego de Aveiro, Braga, Castelo Branco, Covilhã, Coimbra, Feira, Guarda, Leiria, São João da Madeira, Vila Real, Viseu, e nas lojas do cidadão das Antas, no Porto, e das Laranjeiras, em Lisboa. Nesta última esteve o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, que apontou, como causas desta situação, «medidas deliberadamente orientadas pela tutela».
Lembrando que os agora 40 mil professores desempregados são ainda mais do que no início do ano lectivo passado (35 mil), Mário Nogueira considerou que a situação no sistema de ensino é ainda mais grave «porque ao longo deste ano muitos professores aposentaram-se».
No entanto, nem todos os docentes se inscreveram nos centros de emprego, no dia 1, porque «uma grande maioria não reúne as condições exigidas na inscrição».
Os que possuem o curso há vários anos, mas estiveram desempregados e não têm procedido a descontos, não se podem inscrever, esclareceu o dirigente da Fenprof.
Também os que participaram em actividades de enriquecimento curricular, cerca de 15 mil, e os contratados, «ilegalmente», a recibos verdes pelas autarquias, «não têm direito ao subsídio de desemprego», salientou Mário Nogueira.
A Fenprof considerou «inaceitável» a dimensão do desemprego e da precariedade na classe, nomeadamente através da generalização do «recurso ilegal a recibos verdes», do aumento dos horários de trabalho, da redução da férias e das licenças por doença, deixando «nas mãos dos empregadores concessionados pelas autarquias para as Actividades Extra-Curriculares, a capacidade de empregar e de despedir sem fiscalização».
Ao recordar que «já vários governantes fugiram à denúncia desta situação, declarando, com cinismo, que o Governo não é uma “agência de emprego”», a Fenprof exige que o executivo PS deixe de se comportar como uma «agência para o desemprego» e passe a tomar medidas, «de acordo com os interesses do País, tendo em conta os recursos humanos».


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