Terrorismo made in USA

Cuba exige justiça

Cuba sofre há quase 48 anos um bloqueio económico por parte dos EUA, o qual tem sido amplamente condenado por dezenas de países, personalidades e organizações, e nas instâncias internacionais. Mas o criminoso bloqueio não é o único acto de terrorismo de Estado cometido pelo governo norte-americano contra o povo cubano, explicou Camilo Rojo Alvarez, presidente do Comité de Familiares Vítimas do Terrorismo em Cuba, em conversa com o Avante!.

Os EUA sonham com uma colónia em Cuba, mas o povo não se rende

Qual o âmbito da campanha que o Comité a que preside está a levar por diante?

Camilo Rojo Alvarez: A nossa campanha é essencialmente de denúncia de todos os actos de terrorismo, porque em todos eles perdem a vida pessoas inocentes. O que estamos a pedir enquanto familiares das vítimas do terrorismo é que se faça justiça, que se punam os responsáveis.
A mim, mataram-me o meu pai quando eu tinha cinco anos. A outros, que integram igualmente o Comité, mataram familiares que vinham no avião da companhia aérea cubana que explodiu em pleno voo.

Está-se a referir ao atentado contra o aparelho da Cubana de Aviacion, em Barbados, no qual está implicado Posada Carriles, o qual vive em liberdade nos EUA, país que sempre o protegeu, apesar do pedido de extradição...

Cuba não está a pedir a extradição de Posada Carriles para Cuba, está a pedir a extradição para a Venezuela. Venezuela e EUA têm um tratado de extradição, e Cuba está a pedir ao governo norte-americano que respeite esse acordo.
Evidentemente Posada Carriles é o principal autor intelectual do atentado, bem como é nítido que o governo norte-americano sabe perfeitamente quem é Posada - um agente da CIA, preparado pelos serviços secretos para fazer esta e outras acções.
Poucos sabem disto, mas é um facto que um mês antes de descolar o avião cubano, ele revelou que o iam derrubar. Um mês antes, note-se, e o governo norte-americano sabia de tudo o que se estava a preparar e não informou o governo cubano.
Existem elementos suficientes para demonstrar que Posada Carriles é um terrorista. As normas jurídicas internacionais obrigam a condená-lo.
Se pensarmos na resolução 1373 das Nações Unidas, auspiciada pelo próprio presidente dos EUA, temos que dizer que o governo norte-americano está a violar o próprio documento que propôs sobre acolhimento de terroristas, e no entanto, Posada Carriles é protegido e vive livre em território norte-americano.
Vive livre e continua a campanha terrorista contra Cuba. Em Maio deste ano disse, numa homenagem que lhe foi feita pela máfia de Miami, «afiem as catanas que vamos para Cuba». O que é que quer dizer com «afiem as catanas»? Vão continuar os atentados? Onde está a justiça?
Onde está a justiça, ainda, quando as várias administrações norte-americanas têm responsabilidades nos milhares de mortos de acções terroristas contra Cuba. Foi o governo norte-americano quem planificou, quem financiou e organizou as acções terroristas contra Cuba ao longo de décadas, porque não querem que em Cuba exista Partido Comunista, porque não querem que em Cuba exista a liberdade que hoje existe. Os EUA sonham com um estado vassalo, mas o povo de Cuba nunca aceitou nem vai aceitar ser uma colónia dos EUA, por isso eles retaliam. Quem são as suas vítimas: pessoas inocentes, mulheres, homens, jovens, idosos.
Ter um país bloqueado, como tem o governo norte-americano em relação a Cuba, não é terrorismo? Limitam-nos o acesso a medicamentos, a alimentos, impedem-nos o direito a desenvolvermos o nosso país e a proporcionar ao nosso povo maior bem-estar. Isso é terrorismo de Estado, ou não?

Dois pesos e duas medidas

Contraditoriamente, os EUA prenderam e condenaram cinco cubanos acusando-os de terrorismo. Em que estado é que está o processo? O que é que ainda pode ser feito?

Vamos deixar claro para toda a gente entender. Que faziam os cinco companheiros nos EUA? Não estavam à procura de informações do governo norte-americano. Não estavam à procura de informações das bases norte-americanas. Estavam, sim, a vigiar os terroristas que vivem em Miami.
Esses cinco homens foram capazes de informar Cuba que iam derrubar aviões norte-americanos em pleno voo, e que iam morrer pessoas inocentes,. Obviamente, o governo de Cuba informou o governo norte-americano. Graça a esses cinco homens, hoje não há mais mortos por atentados terroristas nos EUA. Vê a importância destes cinco homens.
Quanto ao processo, faz pouco tempo o tribunal pronunciou-se pela revogação da sanção a António, a Rámon, e a Fernando. Isto é, vão revogar-lhes as sanções que estão impostas e vão voltar a impor-lhes outras, seguramente. A Réne e Geraldo, mantiveram as condenações.
Evidentemente, tudo isto é uma manipulação envolvendo o governo norte-americano e o ministério da Justiça. Não existem elementos para que estes cinco homens se encontrem presos nos EUA, isto ficou claro, da mesma forma que ficou demonstrado no tribunal de Miami qual o objectivo destes cinco homens: monitorizar os grupos paramilitares e terroristas que radicam em Miami. Não era espionagem, como alegam e pretendem fazer crer à opinião pública internacional.

Existem ainda outros recursos que se possam apresentar?

O maior recurso que se pode apresentar é explicar ao maior número de pessoas que há cinco homens presos injustamente. Esse é o melhor argumento, porque não existem elementos para os condenar e o julgamento foi uma fraude. Penso que com o apoio e a solidariedade, com a mobilização das pessoas de boa vontade, podemos libertar os nossos cinco irmãos.
É contraditório, como dizias à pouco, que tenhamos cinco homens presos por tratarem de impedir acções terroristas e Posada Carriles anda livre, passeando pelas ruas de Miami.

Sabia que...

O país que mais agressões terroristas sofreu foi Cuba, com 360 acções contabilizadas
Dos atentados cometidos contra Cuba, resultaram 3478 pessoas mortas, 2099 feridas ou estropiadas para toda a vida, num total de 5577 vítimas
Destes 5577 mortos, feridos e estropiados, 190 são crianças
No aparelho da Cubana de Aviacion que explodiu em pleno voo viajavam 73 pessoas, entre cubanos e estrangeiros. A média etária dos ocupantes era de 30 anos


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