Ainda sobre a «vita nuova»
Antes das férias de 2003, meados de Julho, ainda mais uma missão por essa «Europa» fora. E, na passagem de Paris para Bruxelas, a vida menos nova a aflorar. Mas será mesmo a vida menos nova ou real parte da vida nova? Porque, direi eu, a vida nova não é apenas a vida ciberespacial. E dirão muitos outros: nem só nem sequer a vida ciberespacial é a vida… é que não há nenhuma vida ciberespacial. A vida verdadeira é a que experimentaste outra vez e vais continuar a experimentar todos os dias. A vida, por exemplo, da imperfeição dos transportes, a vida do risco do teu corpo - e não a das tuas mensagens - não conseguir chegar a tempo ao destino.
Com efeito, o meu «voo» de Paris para Bruxelas era agora efectuado via terrestre: um bilhete aéreo quase igualzinho, mas com o TGV que, em uma hora e um quarto me transportaria do «Aeroporto Charles de Gaulle», nos arredores de Paris, até à «Gare do Midi», quase no centro de Bruxelas. Assim, nem tinha que passar pela trituração de todos os protocolos de check in e incomodidades hodiernas dos transportes aéreos. Mas, para chegar ao «Aeroporto Charles de Gaulle» tinha primeiro de tomar - eu com a bagagem que me acompanha, incluindo o computador, claro - o metropolitano até a «Gare du Nord» e, depois, o comboio até ao aeroporto…
Mais complicado - e mais pesado para os ossos da coluna vertebral (a minha coluna, claro!) - do que tomar um táxi desde o hotel até ao aeroporto, mas, seguramente, mais barato e, neste caso, o tempo parecia ser mais que suficiente… e mais, podia ir aproveitando o tempo com leitura e/ou com escrita. Tudo bem, um trajecto de metropolitano entre a «Gare de L’Est» (onde o meu hotel mais ou menos estava) e a «Gare du Nord», uma estação apenas e incluindo a travessia de quase infindáveis corredores… mas que fazer, estes metropolitanos são assim! Na «Gare du Nord», quase, enfim, pronto, era só comprar o bilhete para o «Aeroporto Charles de Gaulle».
Mudança de turno no atendimento, cortinados encerrados, clientes sem saber o que fazer, já quase prontos a estilhaçar os vidros do guichet. Entretanto começou a ouvir-se nos altifalantes que o comboio para o aeroporto, o regional expressíssimo RER, de uma vagamente zona que também serve a Eurodisney, estava avariado - havia que mudar da linha tal para outra linha, desta para outra linha, ainda desta para um autocarro normal de carreira dos arredores de Paris. Sei lá que mais… decorar aquilo tudo era difícil, o tempo passava (ainda estava com alguma folga!), a decisão nova a ter que ser tomada e lá fui de mala e computador, a suar, à procura de táxi.
À saída da «Gare du Nord», a fila para apanhar táxi enorme, àquela hora de princípio de tarde. Eram os normais clientes de chegada, incluindo os turistas do Verão. Mas eram também todos os outros que tinham tido a mesma esperteza de apanhar um táxi. Para desenrascar - pois é, é o termo adequado -, o sujeito que organizava as entradas nos táxis começou a juntar os que estavam com pressa para apanhar avião e a despachá-los. Desta parte safei-me assim. Atrás, eu e um par de sul-africanos, um mais velho e um atlético mais novo, com idade para ser filho do outro. À frente, instalou-se um inglês sabidão e malandro, pela sua meia idade.
Novo contratempo, o sabidão, com a lata toda, Não, não vou para o aeroporto, mas sim para um hotel no centro de Paris; os outros dois, Mas podia ter dito logo, nós já gastámos tanto tempo a voltar de comboio para estação em Paris e para apanhar o nosso voo, assim já vamos perder o nosso voo para o Dubai (eu sossegado, lá ia no meu canto!). E lá continuavam nas suas telefonadelas para assegurarem-se que o avião ainda não tinha partido do terminal 1 (e eu que tinha de chegar à horas a estação do caminho de ferro no terminal 2!). Entretanto, partiu o avião para o Dubai (soube-se por telemóvel) e pudemos dirigir-nos primeiro para o terminal 2.
Mas tráfego pesado, acidentes, obras por toda a parte e até o meu objectivo em perigo. E as contas e as facturas quando chegarmos? Divide-se por dois, por três a conta? Dois - o motorista a «decidir» que «eles» era uma unidade económica única! Não discuti. Que podia eu fazer se não procurar encurtar todas estas operações? Chegados, parados, paguei, fui ao porta bagagens buscar a mala e, sobretudo, o computador. Entretanto eles - os turistas e o motorista - ainda a acertarem não sei o quê. Corri que nem um louco, desci e desci escadas rolantes, o funcionário a encaminhar-me. Chegado e lançar-me mais a minha bagagem para o TGV, que partia atrasado.
Porque eu sei, a «vita nuova», também consta de isto tudo para além da navegação ciberespacial…
Com efeito, o meu «voo» de Paris para Bruxelas era agora efectuado via terrestre: um bilhete aéreo quase igualzinho, mas com o TGV que, em uma hora e um quarto me transportaria do «Aeroporto Charles de Gaulle», nos arredores de Paris, até à «Gare do Midi», quase no centro de Bruxelas. Assim, nem tinha que passar pela trituração de todos os protocolos de check in e incomodidades hodiernas dos transportes aéreos. Mas, para chegar ao «Aeroporto Charles de Gaulle» tinha primeiro de tomar - eu com a bagagem que me acompanha, incluindo o computador, claro - o metropolitano até a «Gare du Nord» e, depois, o comboio até ao aeroporto…
Mais complicado - e mais pesado para os ossos da coluna vertebral (a minha coluna, claro!) - do que tomar um táxi desde o hotel até ao aeroporto, mas, seguramente, mais barato e, neste caso, o tempo parecia ser mais que suficiente… e mais, podia ir aproveitando o tempo com leitura e/ou com escrita. Tudo bem, um trajecto de metropolitano entre a «Gare de L’Est» (onde o meu hotel mais ou menos estava) e a «Gare du Nord», uma estação apenas e incluindo a travessia de quase infindáveis corredores… mas que fazer, estes metropolitanos são assim! Na «Gare du Nord», quase, enfim, pronto, era só comprar o bilhete para o «Aeroporto Charles de Gaulle».
Mudança de turno no atendimento, cortinados encerrados, clientes sem saber o que fazer, já quase prontos a estilhaçar os vidros do guichet. Entretanto começou a ouvir-se nos altifalantes que o comboio para o aeroporto, o regional expressíssimo RER, de uma vagamente zona que também serve a Eurodisney, estava avariado - havia que mudar da linha tal para outra linha, desta para outra linha, ainda desta para um autocarro normal de carreira dos arredores de Paris. Sei lá que mais… decorar aquilo tudo era difícil, o tempo passava (ainda estava com alguma folga!), a decisão nova a ter que ser tomada e lá fui de mala e computador, a suar, à procura de táxi.
À saída da «Gare du Nord», a fila para apanhar táxi enorme, àquela hora de princípio de tarde. Eram os normais clientes de chegada, incluindo os turistas do Verão. Mas eram também todos os outros que tinham tido a mesma esperteza de apanhar um táxi. Para desenrascar - pois é, é o termo adequado -, o sujeito que organizava as entradas nos táxis começou a juntar os que estavam com pressa para apanhar avião e a despachá-los. Desta parte safei-me assim. Atrás, eu e um par de sul-africanos, um mais velho e um atlético mais novo, com idade para ser filho do outro. À frente, instalou-se um inglês sabidão e malandro, pela sua meia idade.
Novo contratempo, o sabidão, com a lata toda, Não, não vou para o aeroporto, mas sim para um hotel no centro de Paris; os outros dois, Mas podia ter dito logo, nós já gastámos tanto tempo a voltar de comboio para estação em Paris e para apanhar o nosso voo, assim já vamos perder o nosso voo para o Dubai (eu sossegado, lá ia no meu canto!). E lá continuavam nas suas telefonadelas para assegurarem-se que o avião ainda não tinha partido do terminal 1 (e eu que tinha de chegar à horas a estação do caminho de ferro no terminal 2!). Entretanto, partiu o avião para o Dubai (soube-se por telemóvel) e pudemos dirigir-nos primeiro para o terminal 2.
Mas tráfego pesado, acidentes, obras por toda a parte e até o meu objectivo em perigo. E as contas e as facturas quando chegarmos? Divide-se por dois, por três a conta? Dois - o motorista a «decidir» que «eles» era uma unidade económica única! Não discuti. Que podia eu fazer se não procurar encurtar todas estas operações? Chegados, parados, paguei, fui ao porta bagagens buscar a mala e, sobretudo, o computador. Entretanto eles - os turistas e o motorista - ainda a acertarem não sei o quê. Corri que nem um louco, desci e desci escadas rolantes, o funcionário a encaminhar-me. Chegado e lançar-me mais a minha bagagem para o TGV, que partia atrasado.
Porque eu sei, a «vita nuova», também consta de isto tudo para além da navegação ciberespacial…