Solidariedade em Torres Vedras

Contra a repressão

Uma concentração no Outeiro da Cabeça, Torres Vedras, reuniu anteontem mais de uma centena de trabalhadores e dirigentes sindicais, solidários com Pedro Jorge e que exigiram que seja travada a repressão patronal.

A censura patronal não pode chegar ao despedimento

Naquela localidade está sediada a Cerâmica Torreense, onde Pedro Jorge trabalha, como electricista, há uma década. Desde há dois anos é delegado sindical na empresa e dirigente do sindicato do sector e da União de Sindicatos de Torres Vedras, estrutura local da CGTP-IN.
Foi alvo de um processo disciplinar, depois de ter dito na televisão que o seu salário não é aumentado desde 2003.
Convidado a falar no programa «Prós e Contras» da RTP1, a 28 de Janeiro, sobre o modo como um jovem casal consegue viver com os baixos ordenados, que são comuns no País, e sobre as suas principais dificuldades, deu o seu exemplo: «Na empresa onde trabalho, a Cerâmica Torreense, não sou aumentado desde 2003, o meu ordenado está congelado desde 2003». Após o programa, continuou a trabalhar «normalmente», até que, no dia 26 de Março, recebeu a nota de culpa comprovando que as suas declarações não teriam «caído bem» nos patrões.
«As administrações das empresas querem instituir a intimação, a repressão, o medo, para limitarem a intervenção dos sindicatos e impedir que sejam discutidos os problemas dos trabalhadores», acusou Arménio Carlos, da Comissão Executiva da CGTP-IN, ao intervir perante os participantes na concentração.
O coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa e também membro da Executiva da Inter, Libério Domingues, notou que «a liberdade incomoda os patrões» e revelou que há actualmente duas dezenas de trabalhadores com processos semelhantes ao de Pedro Jorge. Exigiu, a propósito, que seja respeitada a Constituição da República.
Durante a acção de protesto e solidariedade, foi aprovada por unanimidade uma resolução a exigir o arquivamento do processo contra Pedro Jorge, «bem como de outros processos que, em clara violação dos preceitos constitucionais, envolvem dirigentes sindicais no âmbito da sua acção sindical». No documento, que será enviado ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República, aos grupos parlamentares, ao Procurador-Geral da República e à Cerâmica Torreense, é reafirmada «total solidariedade» com o dirigente, por ter expressado «livremente a verdade e as suas opiniões». Pedro Jorge, nas diligências legais para reclamar o arquivamento do processo, entregou à empresa as suas alegações, tendo esta menos de um mês para tomar uma decisão.


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