Alemães desistem de comboio magnético
Era considerado como o supra-sumo da indústria Made in Germany que, num futuro não muito distante, deveria relegar para o museu das antiguidades o actual comboio de alta velocidade (TGV).
Capaz de velocidades estonteantes em completa segurança e total silêncio, o comboio alemão de sustentação magnética (Transrapid), fruto de mais de 30 anos de investigação, arrisca-se contudo a ficar na história como um estrondoso fracasso comercial.
Não foram receios de segurança nem dúvidas quanto à fiabilidade da tecnologia que ditaram o destino do Transrapid. Pelo contrário, na única linha existente em todo o mundo, inaugurada na China em 2002, o monocarril continua a dar provas de elevada eficiência, ligando a cidade de Xangai ao seu aeroporto e mostrando que o futuro ali já começou.
Mas na Alemanha todas as tentativas para introduzir a inovação falharam. Em 2000 foi posta de lado a ideia de construir uma linha com 300 quilómetros entre Berlim e Hamburgo e, em 2003, o estado da Renânia-Norte-Vestefália renunciou ao Transrapid para ligar as cidades da região do Ruhr.
Na semana passada, dia 27, as autoridades alemães anunciaram o abandono do projecto de monocarril que deveria ligar o centro de Munique ao seu aeroporto, situado a 37 quilómetros, em apenas dez minutos.
Tal como nas situações anteriores, foram os custos galopantes do projecto que mais uma vez deitaram tudo a perder. Inicialmente, o consórcio constituído pela Siemens e pela ThyssenKrupp tabelaram sobre um orçamento de 1,8 mil milhões de euros, financiado quase integralmente pelo Estado federal e governo regional. Todavia, recentemente, o consórcio reavaliou a obra para quase o dobro do montante orçamentado, exigindo 3,4 mil milhões de euros.
Apesar de os trabalhos se terem iniciado em Setembro do ano passado, os governantes deram-se por vencidos e enterraram o projecto. O presidente da Siemens, Peter Löscher, lamentou a decisão, mas ressalvou que o comboio magnético conserva o seu potencial de exportação. Ou seja, quem quiser ver a tecnologia de ponta alemã em funcionamento terá de ir à China ou a outro país onde os interesses do Estado prevaleçam sobre os cálculos financeiros dos grupos privados.
CN
Capaz de velocidades estonteantes em completa segurança e total silêncio, o comboio alemão de sustentação magnética (Transrapid), fruto de mais de 30 anos de investigação, arrisca-se contudo a ficar na história como um estrondoso fracasso comercial.
Não foram receios de segurança nem dúvidas quanto à fiabilidade da tecnologia que ditaram o destino do Transrapid. Pelo contrário, na única linha existente em todo o mundo, inaugurada na China em 2002, o monocarril continua a dar provas de elevada eficiência, ligando a cidade de Xangai ao seu aeroporto e mostrando que o futuro ali já começou.
Mas na Alemanha todas as tentativas para introduzir a inovação falharam. Em 2000 foi posta de lado a ideia de construir uma linha com 300 quilómetros entre Berlim e Hamburgo e, em 2003, o estado da Renânia-Norte-Vestefália renunciou ao Transrapid para ligar as cidades da região do Ruhr.
Na semana passada, dia 27, as autoridades alemães anunciaram o abandono do projecto de monocarril que deveria ligar o centro de Munique ao seu aeroporto, situado a 37 quilómetros, em apenas dez minutos.
Tal como nas situações anteriores, foram os custos galopantes do projecto que mais uma vez deitaram tudo a perder. Inicialmente, o consórcio constituído pela Siemens e pela ThyssenKrupp tabelaram sobre um orçamento de 1,8 mil milhões de euros, financiado quase integralmente pelo Estado federal e governo regional. Todavia, recentemente, o consórcio reavaliou a obra para quase o dobro do montante orçamentado, exigindo 3,4 mil milhões de euros.
Apesar de os trabalhos se terem iniciado em Setembro do ano passado, os governantes deram-se por vencidos e enterraram o projecto. O presidente da Siemens, Peter Löscher, lamentou a decisão, mas ressalvou que o comboio magnético conserva o seu potencial de exportação. Ou seja, quem quiser ver a tecnologia de ponta alemã em funcionamento terá de ir à China ou a outro país onde os interesses do Estado prevaleçam sobre os cálculos financeiros dos grupos privados.
CN