Greve geral contra escalada repressiva
Em protesto contra a vaga de prisões, repressões e proibições, a esquerda independentista basca apela à participação na greve geral, convocada para hoje, quinta-feira, em todo o País Basco.
O governo de Zapatero fechou o diálogo e passou à repressão
A jornada de luta foi convocada no domingo, dia 10, em Bilbau, por militantes independentistas que pretendem «colocar um stop gigantesco ao estado de excepção, às ilegalizações, aos julgamentos sumários, à política criminosa de dispersão, às perseguições e torturas, à repressão».
Algumas horas antes, na mesma cidade, destacamentos da polícia de choque tinham carregado sobre milhares de manifestantes que condenavam a recente proibição pelo tribunal espanhol das actividades de dois partidos da esquerda independentista.
A suspensão por um período de três anos, prolongável por mais dois, do Partido Comunista das Terras Bascas (PCTV) e da Acção Nacional Basca (ANV) foi anunciada, na sexta-feira, 8, pelo juiz da Audiência Nacional, Baltasar Garzon.
Em dois autos com mais de 200 páginas cada, o magistrado veio confirmar uma sentença que já havia sido antecipada pelo governo de Zapatero há duas semanas. No dia 25 de Janeiro, a vice-presidente do executivo socialista, Maria Teresa de la Veja, assegurava que «nem o PCTV nem o ANV poderão apresentar-se às eleições».
Concretizando este objectivo, a decisão judicial determina o congelamento das contas bancárias e o encerramento das «sedes, locais, estabelecimentos ou quaisquer outros centros» que disponham daqueles dois partidos.
No entanto, Garzon ressalva que «a suspensão» não visa «ilegalizar um partido político (…), mas aplicar uma medida cautelar tendente a prevenir a continuação da utilização desse partido político para o cometimento de graves delitos».
Se em 2003, o mesmo juiz tinha ilegalizado o partido Batasuna acusando-o de ligações à organização armada ETA, agora a suspensão das actividades do PCTV e da ANV é baseada na acusação de que estes se converteram «num instrumento político nas mãos de dirigentes do Batasuna e num meio económico para alimentar os seus dirigentes e atingir os fins terroristas do Batasuna-ETA».
Nas eleições de 2005, o PCTV elegeu nove deputados no parlamento basco, enquanto a ANV deu voz ao eleitorado da esquerda independentista em Maio de 2007, conquistando 437 eleitos autárquicos e alcançando 42 maiorias municipais, nove das quais na região de Navarra.
Do diálogo à repressão
Desde meados do ano passado, o País Basco assiste a uma vaga de prisões sem precedentes que atingiu as mais altas figuras da esquerda independentista. Depois do encarceramento, em Junho do ano passado, de Arnaldo Otegi, o rosto que mais destacara na promoção do diálogo político, uma espalhafatosa operação policial terminou, em Outubro seguinte, com a prisão em bloco de quase toda a direcção do Batasuna, que estava reunida numa pequena localidade basca.
Na semana passada, dia 4, as autoridades desferiram um novo golpe, detendo Pernando Barrena e Patxi Urrutia, dois dos últimos dirigentes do Batasuna ainda em liberdade.
No último fim-de-semana, marcado pela repressão da manifestação em Bilbau e agitado por explosões de cocktail molotov contra símbolos do estado e do Partido Socialista, a polícia voltou a investir, prendendo, na noite de domingo, 14 pessoas suspeitas de «dirigir clandestinamente o Batasuna».
Segundo explicou o procurador-geral, Cândido Conde-Pumpido, tratou-se de uma operação «importante» contra «pessoas que pretendem continuar o trabalho de direcção» do Batasuna.
Esta determinação das autoridades em aniquilar a esquerda independentista acentuou-se a partir da ruptura, em meados de 2007, do processo de negociações políticas, encetado pelo governo do então recém-eleito José Rodriuguez Zapatero.
De resto, a inusitada severidade do executivo socialista tem sido criticada por vários partidos nacionalistas bascos e pelo próprio governo regional dirigido pelo PNV (nacionalistas de centro-direita). A súbita mudança de atitude de Madrid não pode deixar de suscitar legítimas interrogações: «Como é possível que aqueles negociavam politicamente com o governo socialista sejam hoje considerados como terroristas?», observou o ministro basco da Justiça, Joseba Azkarraga.
No mesmo sentido, também o líder da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, manifestou-se «preocupado» com «a ciclotimia da luta antiterrorista» que «passa da euforia do diálogo à repressão».
Algumas horas antes, na mesma cidade, destacamentos da polícia de choque tinham carregado sobre milhares de manifestantes que condenavam a recente proibição pelo tribunal espanhol das actividades de dois partidos da esquerda independentista.
A suspensão por um período de três anos, prolongável por mais dois, do Partido Comunista das Terras Bascas (PCTV) e da Acção Nacional Basca (ANV) foi anunciada, na sexta-feira, 8, pelo juiz da Audiência Nacional, Baltasar Garzon.
Em dois autos com mais de 200 páginas cada, o magistrado veio confirmar uma sentença que já havia sido antecipada pelo governo de Zapatero há duas semanas. No dia 25 de Janeiro, a vice-presidente do executivo socialista, Maria Teresa de la Veja, assegurava que «nem o PCTV nem o ANV poderão apresentar-se às eleições».
Concretizando este objectivo, a decisão judicial determina o congelamento das contas bancárias e o encerramento das «sedes, locais, estabelecimentos ou quaisquer outros centros» que disponham daqueles dois partidos.
No entanto, Garzon ressalva que «a suspensão» não visa «ilegalizar um partido político (…), mas aplicar uma medida cautelar tendente a prevenir a continuação da utilização desse partido político para o cometimento de graves delitos».
Se em 2003, o mesmo juiz tinha ilegalizado o partido Batasuna acusando-o de ligações à organização armada ETA, agora a suspensão das actividades do PCTV e da ANV é baseada na acusação de que estes se converteram «num instrumento político nas mãos de dirigentes do Batasuna e num meio económico para alimentar os seus dirigentes e atingir os fins terroristas do Batasuna-ETA».
Nas eleições de 2005, o PCTV elegeu nove deputados no parlamento basco, enquanto a ANV deu voz ao eleitorado da esquerda independentista em Maio de 2007, conquistando 437 eleitos autárquicos e alcançando 42 maiorias municipais, nove das quais na região de Navarra.
Do diálogo à repressão
Desde meados do ano passado, o País Basco assiste a uma vaga de prisões sem precedentes que atingiu as mais altas figuras da esquerda independentista. Depois do encarceramento, em Junho do ano passado, de Arnaldo Otegi, o rosto que mais destacara na promoção do diálogo político, uma espalhafatosa operação policial terminou, em Outubro seguinte, com a prisão em bloco de quase toda a direcção do Batasuna, que estava reunida numa pequena localidade basca.
Na semana passada, dia 4, as autoridades desferiram um novo golpe, detendo Pernando Barrena e Patxi Urrutia, dois dos últimos dirigentes do Batasuna ainda em liberdade.
No último fim-de-semana, marcado pela repressão da manifestação em Bilbau e agitado por explosões de cocktail molotov contra símbolos do estado e do Partido Socialista, a polícia voltou a investir, prendendo, na noite de domingo, 14 pessoas suspeitas de «dirigir clandestinamente o Batasuna».
Segundo explicou o procurador-geral, Cândido Conde-Pumpido, tratou-se de uma operação «importante» contra «pessoas que pretendem continuar o trabalho de direcção» do Batasuna.
Esta determinação das autoridades em aniquilar a esquerda independentista acentuou-se a partir da ruptura, em meados de 2007, do processo de negociações políticas, encetado pelo governo do então recém-eleito José Rodriuguez Zapatero.
De resto, a inusitada severidade do executivo socialista tem sido criticada por vários partidos nacionalistas bascos e pelo próprio governo regional dirigido pelo PNV (nacionalistas de centro-direita). A súbita mudança de atitude de Madrid não pode deixar de suscitar legítimas interrogações: «Como é possível que aqueles negociavam politicamente com o governo socialista sejam hoje considerados como terroristas?», observou o ministro basco da Justiça, Joseba Azkarraga.
No mesmo sentido, também o líder da Esquerda Unida, Gaspar Llamazares, manifestou-se «preocupado» com «a ciclotimia da luta antiterrorista» que «passa da euforia do diálogo à repressão».