Estimativa da OIT para 2008

Desemprego vai aumentar

O número de desempregados no mundo vai subir em 2008, diz a Organização Internacional do Trabalho (OIT) que justifica a previsão com as consequências da crise no mercado do crédito e a volatilidade do preço do petróleo nas principais praças da economia capitalista.
De acordo com o relatório «Tendências Mundiais do Emprego», divulgado no passado dia 23 de Janeiro, o total de desocupados pode crescer na ordem dos 5 milhões. As estimativas indicam que nos países industrializados o desemprego deverá bater à porta de mais 240 mil pessoas.
Só as instituições de crédito norte-americanas Citigroup e Goldman Sachs já anunciaram o despedimento de 20 mil e 1500 funcionários, respectivamente. Nos últimos seis meses de 2007, os bancos e corretoras envolvidas na crise do subprime eliminaram mais de 25 mil postos de trabalho.

Quadro negro em 2007

Os dados revelados pela OIT confirmam a tendência negativa registada durante o ano anterior. Segundo aquela entidade, o número de desempregados em 2007 aproximou-se dos 190 milhões, isto apesar da economia mundial ter gerado 45 milhões de novos postos de trabalho.
Destes novos empregos, 28 por cento foram criados na Ásia, mas a OIT alerta para o facto de 70 por cento dos trabalhadores daquela região deterem vínculos precários ou encontrarem-se na fronteira da informalidade. No contexto global, o flagelo da precariedade atinge 40 por cento do total da população empregada.
Informações da ONU acrescentam que entre os jovens, 20 por cento do total da população mundial, a inactividade atinge os 50 por cento.

Empobrecer a trabalhar

Outro sublinhado importante nos indicadores mais recentes mostra a crescente degradação das condições de vida dos que, mesmo trabalhando, não têm um rendimento suficiente para fazer face às necessidades mais básicas.
Assim, nota também a OIT, 487 milhões de trabalhadores, 16,4 por cento do total, não ganham sequer um dólar por dia, valor convencionado para delimitar a linha de pobreza, mas que muitos especialistas já começam a contestar por ocultar realidades concretas ainda mais gritantes.
Se tivermos em conta os que ganham entre um e dois dólares por dia – aceitando, por conveniência, o indicador da praxe -, ainda assim deparamos-nos com um quadro de miséria que não deixa margem para dúvidas: 1300 milhões de trabalhadores, 43,5 por cento do total, recebem um salário abaixo dos dois dólares por jornada laboral.


Mais artigos de: Internacional

Escala para a tortura

Mais de 700 prisioneiros transportados pela CIA para Guantanamo passaram por jurisdição portuguesa, diz a Reprive. O PCP quer um inquérito parlamentar sobre a matéria, mas Governo, PS, PSD e CDS não mostram interesse.

Palestinianos reabrem Rafah

Hamas, ANP e Egipto chegaram a acordo quanto ao controlo da passagem de Rafah. Em Israel, a política sionista de Ehud Olmert enfrenta protestos.

Massacres não param

Pelo menos 100 mortos e perto de três centenas de feridos é o balanço de mais um dia de violência na capital do Iraque, mais insegura desde que o Pentágono decidiu o reforço das tropas norte-americanas na região.Sexta-feira, Bagdad foi sacudida por três fortes atentados em mercados densamente povoados. Em Al Ghazil e Al...

Rectificação

Na edição anterior do Avante!, no artigo intitulado «Caminho Aberto ao Desenvolvimento», publicado na página 22, foi referido, por lapso, que a República Dominicana fazia parte da Alternativa Bolivariana da Nossa América, o que não corresponde à verdade uma vez que o país inserido na ALBA é a ilha de Dominica. Pelo facto...