Médio Oriente

Palestinianos reabrem Rafah

Hamas, ANP e Egipto chegaram a acordo quanto ao controlo da passagem de Rafah. Em Israel, a política sionista de Ehud Olmert enfrenta protestos.

Crianças são as principais vítimas do bloqueio, diz a ONU

O Movimento de Resistência Islâmica Hamas, a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) e o governo egípcio acordaram, sábado, as condições que permitem reabrir a passagem de Rafah.
Ao cabo de três dias de negociações, as partes concluíram pelo regresso dos observadores da UE à fronteira que separa a Faixa de Gaza do vizinho Egipto, desde que, especificou o Hamas, estes sejam residentes na Palestina ou no Egipto.
A medida permite restabelecer o trânsito entre os dois territórios depois de uma semana em que a população forçou a entrada na Península do Sinai.
A normalização da circulação na fronteira beneficia ainda a transferência de bens de primeira necessidade para Gaza, onde falta quase tudo desde que Israel decidiu isolar a Faixa em retaliação à tomada do poder pelo Hamas.

Criança são principais vítimas

Apesar de Israel se ter comprometido a deixar entrar em Gaza géneros fundamentais à sobrevivência das populações, o facto é que até agora muito pouco chegou ao território fruto da manutenção do bloqueio de Telavive, diz a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos.
Acresce, segundo a ONU, que cerca de 500 mil crianças palestinianas regressam esta semana às aulas em condições extremamente precárias. À fome junta-se a falta de energia eléctrica, motivo pelo qual as escolas entram em funcionamento sem aquecimento central, apesar da vaga de frio que se regista.
«Isto significa que as crianças suportam a maior parte das restrições, tanto de comida, como de combustíveis ou materiais escolares», denunciou a porta-voz da UNICEF em Genebra, Veronique Taveau.
Sábado, dia 30, mais de mil pessoas mobilizadas pelo Partido Comunista de Israel (PCI) e outras organizações de esquerda do país concentraram-se junto à fronteira de Erez em protesto contra o bloqueio. Os participantes repudiaram a política criminosa de Ehud Olmert e reivindicaram o início do diálogo com o Hamas, formação que por diversas vezes expressou tal interesse, referiram.
A iniciativa fez-se acompanhar por uma caravana de mais de uma centena de carros e autocarros com bens de primeira necessidade. A ideia era furar o bloqueio e fazer chegar à população de Gaza a ajuda recolhida apesar do aparato montado pelo exército.

Israelitas contra crimes

Paralelamente, em Sakhnin, na Galileia, milhares de israelitas manifestaram-se, sexta-feira, dia 1 de Fevereiro, contra a impunidade das autoridades. Em causa está a decisão da procuradoria-geral do país em arquivar, por falta de provas, o processo contra as forças policiais pelo assassinato de 13 cidadãos de ascendência árabe, em 2000.
Os participantes exigiram o fim da política racista cujo aparato se faz sentir no seio de todas as instituições, executivas, legislativas e judiciais. O deputado comunista Mohamed Barakeh sublinhou que decisões como esta legitimam os assassinatos e a política criminosa de terrorismo de Estado.
Ehud Olmert é por estes dias alvo de redobrada contestação depois da divulgação do documento final das investigações às 34 jornadas de guerra contra o Líbano.
De acordo com o relatório Winograd, o governo liderado por Ehud Olmert cometeu um grave erro político e militar ao invadir, em 2006, o país dos cedros.
Os autores do texto sublinham com veemência a violação do Direito Internacional por parte de Israel, não só pelo uso indiscriminado de toneladas de bombas de fragmentação e de fósforo branco contra a população civil, mas também por, posteriormente, as autoridades terem recusado fornecer à ONU a localização do engenhos que não explodiram.
O Líbano vive desde então devastado, ao que acresce uma crise política e social crescente. O país parece incapaz de eleger por consenso entre oposição e governo o próximo Chefe de Estado.
A semana passada, a comunidade xiita libanesa protestou contra a política de ingerência dos EUA. Simultaneamente, o governo sírio acusou os norte-americanos de serem o principal obstáculo à paz. Damasco considera que a política de Washington na região é o único entrave à estabilização do Líbano e de outros territórios como o Iraque ou a Palestina.


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