Minudências
Ainda Louçã protestava, com aquele ar de indignação necessário ao convencimento de plateias, sobre a «inusitada» critica do PCP às mais que ambíguas posições do BE sobre as questões europeias e já Miguel Portas se encarregava de deitar por terra o esforço posto na difícil tarefa de dar ares de alguma coerência à posição do Bloco sobre a matéria.
Disse Portas, melhor dizendo escreveu Portas, precisão não despicienda atendendo a que escrito estando, mais impressiva é a afirmação e mais difícil qualquer indignado desmentido, que «a adesão à CEE é a maior divida de gratidão que temos com Mário Soares». Enebriado ainda pelo fausto da cerimónia dos Jerónimos onde foi ver nascer um Tratado concebido contra os trabalhadores e os povos da Europa, Portas enaltece a «intuição» de Soares, e o «acerto» da missão por, nos anos oitenta, querer integrar Portugal na CEE. Uma afirmação tão mais significativa quanto arrumada na prosa posta ao “Sol”, na sua última edição, em lugar imediatamente subsequente à admissão de que essa integração visava, nas medidas palavras de Portas, «enterrar definitivamente as veleidades revolucionárias do país».
Numa penada ficam postas a nu, pelo condutor maior da orientação europeia do Bloco, duas importante revelações: uma, a da deslumbrada admiração pelo processo de integração, o que explicará por certo a errática atitude do BE sobre a matéria, tipo um pé no acelerador outro no travão, ou por outras palavras dizendo, aquele nem sim nem não, que o faz vaguear entre o mais abstruso e artificial radicalismo e uma mais genuína rendição aos valores da integração capitalista; e outra, não menos importante, a da assumida desvalorização da Revolução de Abril e das suas profundas transformações. Ficámos assim a saber, por confirmativa confissão, o que há muito o percurso do próprio já permitia concluir: que as principais conquistas da revolução e as suas profundas alterações socais e económicas não passam de «veleidades revolucionárias», minudências pois, quando comparadas com o imenso e épico processo de integração europeia assente na institucionalização do neoliberalismo de que a assinatura do Tratado, a que não quis faltar, é expressão maior.
Disse Portas, melhor dizendo escreveu Portas, precisão não despicienda atendendo a que escrito estando, mais impressiva é a afirmação e mais difícil qualquer indignado desmentido, que «a adesão à CEE é a maior divida de gratidão que temos com Mário Soares». Enebriado ainda pelo fausto da cerimónia dos Jerónimos onde foi ver nascer um Tratado concebido contra os trabalhadores e os povos da Europa, Portas enaltece a «intuição» de Soares, e o «acerto» da missão por, nos anos oitenta, querer integrar Portugal na CEE. Uma afirmação tão mais significativa quanto arrumada na prosa posta ao “Sol”, na sua última edição, em lugar imediatamente subsequente à admissão de que essa integração visava, nas medidas palavras de Portas, «enterrar definitivamente as veleidades revolucionárias do país».
Numa penada ficam postas a nu, pelo condutor maior da orientação europeia do Bloco, duas importante revelações: uma, a da deslumbrada admiração pelo processo de integração, o que explicará por certo a errática atitude do BE sobre a matéria, tipo um pé no acelerador outro no travão, ou por outras palavras dizendo, aquele nem sim nem não, que o faz vaguear entre o mais abstruso e artificial radicalismo e uma mais genuína rendição aos valores da integração capitalista; e outra, não menos importante, a da assumida desvalorização da Revolução de Abril e das suas profundas transformações. Ficámos assim a saber, por confirmativa confissão, o que há muito o percurso do próprio já permitia concluir: que as principais conquistas da revolução e as suas profundas alterações socais e económicas não passam de «veleidades revolucionárias», minudências pois, quando comparadas com o imenso e épico processo de integração europeia assente na institucionalização do neoliberalismo de que a assinatura do Tratado, a que não quis faltar, é expressão maior.