Prendas de luta
Dirigentes, delegados e activistas da União dos Sindicatos de Lisboa devolveram, dia 6, ao primeiro-ministro, as funestas «prendas» com que tem brindado os trabalhadores.
«Um Governo que promete e não faz o que diz»
Entre cânticos de Natal com letras e palavras de ordem adaptadas ao cada vez mais preocupante contexto social em que vivemos, mais de centena e meia de dirigentes, delegados e activistas da USL/CGTP-IN percorreram, dia 6, as ruas da baixa de Lisboa e seguiram até à residência oficial de José Sócrates, em São Bento. Após um percurso em fila indiana, com um «cabeçudo Sócrates», à frente, a perguntar «Ainda querem mais?», os manifestantes inauguraram «um monumento» às suas políticas e deixaram-lhe uma carta de Natal, aprovada por unanimidade e aclamação no fim da acção. A carta lembra ao chefe do Governo o agravamento das dificuldades sociais, decorrentes das suas políticas, nomeadamente através do aumento das desigualdades e da pobreza, do desemprego, da manutenção dos baixos salários e do ataque às funções sociais do Estado e às políticas sociais.
Os manifestantes exigiram de José Sócrates «coragem para assumir uma política social no progresso que respeite os trabalhadores e os valorize, designadamente através da promoção de emprego com direitos, do aumento real dos salários, da defesa e melhoria das funções sociais do Estado e dos serviços públicos, rejeitando a flexigurança e o princípio neo-liberal que lhe está subjacente».
Por uma vida mais justa
A meio da tarde, começaram a concentrar-se na Rua Augusta. Mais de uma dezena de participantes trajados à Pai Natal entoaram cânticos da época, mas com letras onde se lembrava, a quem passava, como para cada vez mais trabalhadores, a vida não está para festas. Em coro, entoaram, «É Natal, É Natal, Olhem para o País, Um Governo que Promete e não faz o que diz, É Natal, É Natal, Não vamos parar, Por uma vida mais justa, Nós vamos lutar!». Depois, prosseguiram a cantilena entre um badalar de sinos e o olhar aprovador de quem passava, lembrando como a educação tem sido tão maltratada e como o «negócio da leviandade», que é o fecho de hospitais, SAPs e maternidades, prejudica gravemente o direito à saúde.
Em hora de ponta e num local escolhido por muitos – os que o podem fazer – para as compras de Natal, o cântico também recordou os salários baixos, a precariedade e como se «enchem os patrões à sua vontade», mas sempre recordando a necessidade de «Dar a volta a esta exploração, Porque a arma mais forte é a nossa razão!».
Depois do cântico, seguiram entoando palavras de ordem, tendo repetido a cantoria, simbolicamente, diante da recentemente encerrada Loja das Meias, ao Rossio, como exemplo das dificuldades que atravessa o comércio tradicional perante a concorrência das grandes superfícies. A canção voltou a ser ouvida no início da Rua do Carmo, diante do que foram os armazéns do Chiado, já na Rua Garret, e mais acima, à saída da estação de Metro da Baixa-Chiado.
Com as bandeiras vermelhas da CGTP-IN e da USL, e balões coloridos da central que foram oferecendo a crianças pelo caminho, seguiu a manifestação até São Bento.
Junto à residência oficial, dói inaugurado o «monumento»: dois painéis cobertos por panos vermelhos que ficaram encostados à casa de José Sócrates. Descobertos os panos, no painel da esquerda recordavam-se as benesses cedidas pelo Governo ao grande patronato e ao grande capital, contrastando com o cenário do painel da direita, onde eram enunciadas a destruição de direitos e o agravamento das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores.
Uma justa devolução
Atrás do «cabeçudo Sócrates», com laçarote e papel de embrulho, desfilaram as prendas, carregadas em padiolas. Cada uma enunciava as dificuldades criadas pelo Governo PS aos trabalhadores, referindo, nomeadamente, que seis em cada dez jovens têm contratos precários; que o acesso à Justiça é cada vez mais difícil; que o Estado perdeu 404 milhões de euros em receitas fiscais, enquanto os lucros da banca continuam sem estar sujeitos a uma justa tributação; ou que Portugal tem o salário mínimo nacional mais baixo da UE a 15.
O rol de prendas era muito vasto e abrangente, como o são as malfeitorias das políticas de direita do Governo PS: o endividamento médio das famílias, que atinge 124 por cento do rendimento disponível; os dez por cento do poder de compra, perdidos pelos trabalhadores da Administração Pública, entre 2000 e 2007; o aumento de 7,4 por cento nas despesas de saúde dos utentes; os 20 por cento da população que vive no limiar da pobreza, sendo que 35 por cento destes trabalham.
A José Sócrates foram ainda devolvidos: o aumento de 3,7 por cento em despesas das famílias com educação; os lucros de 2200 milhões de euros alcançados pelos cinco maiores bancos nacionais, em apenas nove meses deste ano, sem uma adequada tributação; e a taxa de nove por cento de desemprego na região de Lisboa, onde 269 mil trabalhadores (24,4 por cento) têm contratos precários. A redução do valor das pensões e o aumento da idade de reforma também foram devolvidos ao máximo responsável político por estas e muitas outras graves medidas para os trabalhadores e o País.
Os manifestantes exigiram de José Sócrates «coragem para assumir uma política social no progresso que respeite os trabalhadores e os valorize, designadamente através da promoção de emprego com direitos, do aumento real dos salários, da defesa e melhoria das funções sociais do Estado e dos serviços públicos, rejeitando a flexigurança e o princípio neo-liberal que lhe está subjacente».
Por uma vida mais justa
A meio da tarde, começaram a concentrar-se na Rua Augusta. Mais de uma dezena de participantes trajados à Pai Natal entoaram cânticos da época, mas com letras onde se lembrava, a quem passava, como para cada vez mais trabalhadores, a vida não está para festas. Em coro, entoaram, «É Natal, É Natal, Olhem para o País, Um Governo que Promete e não faz o que diz, É Natal, É Natal, Não vamos parar, Por uma vida mais justa, Nós vamos lutar!». Depois, prosseguiram a cantilena entre um badalar de sinos e o olhar aprovador de quem passava, lembrando como a educação tem sido tão maltratada e como o «negócio da leviandade», que é o fecho de hospitais, SAPs e maternidades, prejudica gravemente o direito à saúde.
Em hora de ponta e num local escolhido por muitos – os que o podem fazer – para as compras de Natal, o cântico também recordou os salários baixos, a precariedade e como se «enchem os patrões à sua vontade», mas sempre recordando a necessidade de «Dar a volta a esta exploração, Porque a arma mais forte é a nossa razão!».
Depois do cântico, seguiram entoando palavras de ordem, tendo repetido a cantoria, simbolicamente, diante da recentemente encerrada Loja das Meias, ao Rossio, como exemplo das dificuldades que atravessa o comércio tradicional perante a concorrência das grandes superfícies. A canção voltou a ser ouvida no início da Rua do Carmo, diante do que foram os armazéns do Chiado, já na Rua Garret, e mais acima, à saída da estação de Metro da Baixa-Chiado.
Com as bandeiras vermelhas da CGTP-IN e da USL, e balões coloridos da central que foram oferecendo a crianças pelo caminho, seguiu a manifestação até São Bento.
Junto à residência oficial, dói inaugurado o «monumento»: dois painéis cobertos por panos vermelhos que ficaram encostados à casa de José Sócrates. Descobertos os panos, no painel da esquerda recordavam-se as benesses cedidas pelo Governo ao grande patronato e ao grande capital, contrastando com o cenário do painel da direita, onde eram enunciadas a destruição de direitos e o agravamento das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores.
Uma justa devolução
Atrás do «cabeçudo Sócrates», com laçarote e papel de embrulho, desfilaram as prendas, carregadas em padiolas. Cada uma enunciava as dificuldades criadas pelo Governo PS aos trabalhadores, referindo, nomeadamente, que seis em cada dez jovens têm contratos precários; que o acesso à Justiça é cada vez mais difícil; que o Estado perdeu 404 milhões de euros em receitas fiscais, enquanto os lucros da banca continuam sem estar sujeitos a uma justa tributação; ou que Portugal tem o salário mínimo nacional mais baixo da UE a 15.
O rol de prendas era muito vasto e abrangente, como o são as malfeitorias das políticas de direita do Governo PS: o endividamento médio das famílias, que atinge 124 por cento do rendimento disponível; os dez por cento do poder de compra, perdidos pelos trabalhadores da Administração Pública, entre 2000 e 2007; o aumento de 7,4 por cento nas despesas de saúde dos utentes; os 20 por cento da população que vive no limiar da pobreza, sendo que 35 por cento destes trabalham.
A José Sócrates foram ainda devolvidos: o aumento de 3,7 por cento em despesas das famílias com educação; os lucros de 2200 milhões de euros alcançados pelos cinco maiores bancos nacionais, em apenas nove meses deste ano, sem uma adequada tributação; e a taxa de nove por cento de desemprego na região de Lisboa, onde 269 mil trabalhadores (24,4 por cento) têm contratos precários. A redução do valor das pensões e o aumento da idade de reforma também foram devolvidos ao máximo responsável político por estas e muitas outras graves medidas para os trabalhadores e o País.