Comunistas húngaros perseguidos
A direcção do Partido Comunista dos Trabalhadores da Hungria enfrenta um processo judicial por «difamação num lugar público». A pena pode chegar aos dois anos de prisão.
O processo contra o PCTH é próprio de ditaduras, não de uma democracia
Gyula Thürmer, presidente do Partido Comunista dos Trabalhadores da Hungria, Magda Karacs e Janos Vajda, vicepresidentes do PCTH, Peter Szekely, Laszlo Kerezsi, Sandor Urban, membros da direcção do Comité Central do partido e Pal Kollat, ex-membro da direcção, compareceram anteontem, dia 6, no Tribunal da Cidade de Budapeste para reafirmarem que o processo movido pelo governo visando a ilegalização dos trabalhos e decisões do 21.º Congresso do PCTH, realizado em 2005, representa um castigo político pela campanha contra as privatizações, levada a cabo em 2004.
Em Dezembro desse ano, um referendo promovido pelos comunistas húngaros sobre a entrega dos hospitais públicos à gestão privada levou quase dois milhões de pessoas a votar contra a medida proposta pelo executivo, expressão de vontade em defesa do serviço nacional de saúde do país que irritou o poder. A retaliação não tardou.
Uma táctica conhecida
Sedentos de vingança e movidos pelo anticomunismo que grassa em muitos países da Europa de Leste, o governo húngaro não hesitou em castigar o PCTH pelas posições assumidas em nome dos interesses do povo húngaro e pela opção de classe reafirmada posteriormente no seu 21.º Congresso. A «oposição interna» mostrou-se e foi parte fundamental no processo.
Attila Vajnai, ex-vicepresidente do PCTH, logrando do apoio de alguns membros do partido em localidades onde os comunistas estavam em coligação com o Partido Socialista Húngaro, no poder desde 2002, encetou uma campanha ideológica na qual defendia a adopção da mesma política de alianças no governo do país, linha de orientação que a maioria dos membros do comité central do PCTH rejeitou classificando-a como reformista e contrária aos interesses do povo e do país.
Vajnai e alguns dos seus apoiantes insistiram na acção fraccionista e acabaram por ser expulsos do partido pouco antes do 21.º Congresso, ocorrido em Junho de 2005.
Incapaz de aceitar a decisão da maioria dos seus até então camaradas, Vajnai recorreu nesse mesmo mês de Junho às instâncias judiciais exteriores ao partido, as quais não só invalidaram as resoluções da recente assembleia magna dos comunistas húngaros, como ainda deliberaram a ilegalidade da exclusão do grupo de Vajnai.
Os órgão executivos do PCTH emitiram então um comunicado onde denunciavam a sentença como castigo político decorrente da acção do partido contra as privatizações, declaração que o tribunal instou o PCTH a retirar e, perante a recusa, instaurou o actual processo de «difamação num lugar público» contra toda a direcção.
Reforçados na luta
Apesar dos prejuízos eleitorais sofridos pelo PCTH nos sufrágios dos últimos dois anos, os quais tornaram ainda mais exígua a representação institucional do partido, os comunistas magiares reafirmaram no seu 22.º Congresso, realizado em Novembro de 2006, o marxismo-leninismo como ideologia, guia de análise e da acção do partido, o seu projecto revolucionário e o seu carácter de classe em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do país.
No passado dia 21 de Setembro, quando a direcção do PCTH se deslocou para uma audiência que acabaria adiada para o dia de anteontem, véspera dos 90 anos da Revolução de Outubro, muitos militantes comunistas e democratas húngaros manifestaram o seu repúdio pelo processo movido contra a direcção do partido.
Solidariedade sem fronteiras
Na República Checa e em Portugal, dia 2, na Grécia, dia 31 de Outubro, e na Grã-Bretanha, dia 20 de Outubro, realizaram-se concentrações de protesto frente às representações diplomáticas da Hungria.
Em Minsk, no Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, dias 3, 4 e 5, foi emitido um apelo conjunto das formações políticas presentes onde se «manifesta profunda preocupação por um tribunal do Estado ameaçar com pena de prisão toda a direcção do PCTH», atitude que, continua o documento, «é própria de ditaduras, não de uma democracia».
No endereço solidnet.org/sign, pode-se subscrever uma petição onde se pede a imediata revogação das decisões judiciais e do processo movido pelas autoridades húngaras.
Em Dezembro desse ano, um referendo promovido pelos comunistas húngaros sobre a entrega dos hospitais públicos à gestão privada levou quase dois milhões de pessoas a votar contra a medida proposta pelo executivo, expressão de vontade em defesa do serviço nacional de saúde do país que irritou o poder. A retaliação não tardou.
Uma táctica conhecida
Sedentos de vingança e movidos pelo anticomunismo que grassa em muitos países da Europa de Leste, o governo húngaro não hesitou em castigar o PCTH pelas posições assumidas em nome dos interesses do povo húngaro e pela opção de classe reafirmada posteriormente no seu 21.º Congresso. A «oposição interna» mostrou-se e foi parte fundamental no processo.
Attila Vajnai, ex-vicepresidente do PCTH, logrando do apoio de alguns membros do partido em localidades onde os comunistas estavam em coligação com o Partido Socialista Húngaro, no poder desde 2002, encetou uma campanha ideológica na qual defendia a adopção da mesma política de alianças no governo do país, linha de orientação que a maioria dos membros do comité central do PCTH rejeitou classificando-a como reformista e contrária aos interesses do povo e do país.
Vajnai e alguns dos seus apoiantes insistiram na acção fraccionista e acabaram por ser expulsos do partido pouco antes do 21.º Congresso, ocorrido em Junho de 2005.
Incapaz de aceitar a decisão da maioria dos seus até então camaradas, Vajnai recorreu nesse mesmo mês de Junho às instâncias judiciais exteriores ao partido, as quais não só invalidaram as resoluções da recente assembleia magna dos comunistas húngaros, como ainda deliberaram a ilegalidade da exclusão do grupo de Vajnai.
Os órgão executivos do PCTH emitiram então um comunicado onde denunciavam a sentença como castigo político decorrente da acção do partido contra as privatizações, declaração que o tribunal instou o PCTH a retirar e, perante a recusa, instaurou o actual processo de «difamação num lugar público» contra toda a direcção.
Reforçados na luta
Apesar dos prejuízos eleitorais sofridos pelo PCTH nos sufrágios dos últimos dois anos, os quais tornaram ainda mais exígua a representação institucional do partido, os comunistas magiares reafirmaram no seu 22.º Congresso, realizado em Novembro de 2006, o marxismo-leninismo como ideologia, guia de análise e da acção do partido, o seu projecto revolucionário e o seu carácter de classe em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do país.
No passado dia 21 de Setembro, quando a direcção do PCTH se deslocou para uma audiência que acabaria adiada para o dia de anteontem, véspera dos 90 anos da Revolução de Outubro, muitos militantes comunistas e democratas húngaros manifestaram o seu repúdio pelo processo movido contra a direcção do partido.
Solidariedade sem fronteiras
Na República Checa e em Portugal, dia 2, na Grécia, dia 31 de Outubro, e na Grã-Bretanha, dia 20 de Outubro, realizaram-se concentrações de protesto frente às representações diplomáticas da Hungria.
Em Minsk, no Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, dias 3, 4 e 5, foi emitido um apelo conjunto das formações políticas presentes onde se «manifesta profunda preocupação por um tribunal do Estado ameaçar com pena de prisão toda a direcção do PCTH», atitude que, continua o documento, «é própria de ditaduras, não de uma democracia».
No endereço solidnet.org/sign, pode-se subscrever uma petição onde se pede a imediata revogação das decisões judiciais e do processo movido pelas autoridades húngaras.