Enfermeiros em luta na Finlândia

Demissão em massa

Os enfermeiros ao serviço das entidades municipais da Finlândia ameaçam demitir-se em massa caso as suas exigências salariais não sejam atendidas até 19 de Novembro.

Os serviços mínimos retiraram eficácia às greves; a demissão é o último recurso

Segundo o sindicato Tehy, que representa os trabalhadores dos serviços municipais, a demissão é a única forma de luta eficaz que resta aos cerca de 12 800 enfermeiros, já que a lei dos serviços mínimos anula praticamente os efeitos de uma greve no sector.
Assim, de acordo com o secretário internacional do Tehy, Sari Koivuneemi, (Le Monde 25.10), em vários serviços, três quartos dos enfermeiros já assinaram cartas em que manifestam a intenção de se demitir. Deste modo, explicou, «nenhuma lei os poderá obrigar a comparecer ao trabalho, salvo em caso de catástrofe de amplitude nacional» e a sua luta terá um real impacto.
O procedimento foi utilizado pela primeira há dez anos atrás, depois de uma greve de quatro semanas que não produziu os efeitos esperados.
Agora, estes profissionais estão de novo dispostos a pôr em risco o seu posto de trabalho para reclamarem um aumento substancial dos salários. Actualmente ganham cerca de 1900 euros mensais, valor muito abaixo da média salarial praticada nos serviços municipais que ascende a 2500 euros.
As entidades empregadoras propuseram uma valorização geral de nove por cento para os trabalhadores municipais e estavam dispostas a conceder um acréscimo de 2,6 por cento para os serviços de cuidados de saúde.
No entanto, o sindicato Tehy exige uma actualização suplementar de 15 por cento para os enfermeiros nos próximos dois anos, para além do aumento geral de nove por cento.
«A sociedade finlandesa deverá decidir se pretende assegurar o serviço e aumentar os salários para um nível comparável ao que é praticado nos países nórdicos, o que é inteiramente possível na actual situação económica do país», avisou Jaana Laitinem-Pesola, presidente do Tehy.
Apesar de representantes das entidades empregadoras terem acusado o Sindicato de jogar com a vida das pessoas, a maioria dos finlandeses apoia a luta dos enfermeiros.


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