Comentário

Lisboa - Destruir em vez de construir

Na sessão de 30 de Julho, mais uma deliberação assassina do equilíbrio na Cidade. Santana Lopes, que ainda não construiu nada que possa ter a sua marca, obteve os votos necessários para demolir mais um conjunto de habitações construídas no mandato anterior. Uma decisão que não é a primeira do género: destruir em vez de construir, desbaratar milhões em vez de bem gerir. Um crime. Mais um.
Por outra parte, na mesma semana inaugurou uma obra apontada como sua, mas que de facto é mais um ovo em ninho alheio, como o do cuco… Trata-se do Pavilhão Desportivo da Graça, deixado praticamente pronto em Dezembro de 2001: em vinte meses, ao todo, o que a actual maioria da CML fez foi pouco mais do que pintar o equipamento e proceder à sua inauguração, chamando-lhe obra sua.
Uma política de meia mentira e de demolições para apagar da memória a obra feita pela CML na década de 90, obtendo por vezes até conluios de quem não se esperaria tamanha capitulação.
As razões de Santana são conhecidas: satisfazer pequenas bolsas de eleitores seus. Mas quis serão as motivações de quem, devendo denunciar estas situações, se acomoda em estranhos silêncios que mais parecem conúbios?

Demolições

A primeira demolição absurda deu-se logo no início do mandato: os prédios da Quinta da Bela Flor não agradavam ao actual presidente da CML. A estética muito especial do autarca recusava aquelas linhas… Vai daí: destrua-se. E assim foi. Milhões de euros de investimento deitados ao lixo em meia dúzia de horas. Destruir é rápido e é fácil. Mais difícil - pelo que se (não) vê, muito mais difícil para Santana Lopes é criar, construir. Não se lhe conhece obra positiva feita. Os seus critérios estéticos, pelos vistos, não se compatibilizam com as necessidades de quem não tem casa para habitar e ao mesmo tempo assiste revoltado a este crime económico e político que é deitar abaixo aquilo que outros criaram.
Agora, nova deliberação igualmente espúria: demolir os prédios da Rua das Açucenas, na Ajuda, numa operação cujos fundamentos são igualmente revoltantes: porque estragam as vistas (imagine-se) às vivendas da zona… Esta gente ainda não ouviu falar da situação económica do país? Há que denunciar tais procedimentos como lesivos da boa gestão, ofensivos da moral e até como «crimes de lesa-Cidade».
Esta demolição, contabilizando os custos de construção inicial, vai aos trezentos mil contos! Uma ofensa à população da Cidade, sobretudo à população pobre, mal alojada, sem apoios nem rendimentos para as obras mínimas das suas casas em ruína.
Santana Lopes, que pretende dar uma imagem popular e de proximidade para se aproximar mas é de Belém, desmascara-se nestas decisões e tem de ser politicamente responsabilizado por estes desmandos.

Obra alheia

O Pavilhão Desportivo da Graça: construído no mandato anterior em quase 100 por cento, só agora foi inaugurado. No dia das eleições de Dezembro de 2001 faltavam apenas alguns acabamentos e pouco mais.
Agora, passados vinte meses, quase meio mandato, em que a regra foi o silêncio, o «esconde aí a ver se a malta se esquece»… eis que, num belo dia do fim de Julho de 2003, tudo se movimenta: o protocolo, os assessores, as fanfarras, as trombetas, a primeira página do site oficial. E lá vai tudo até ao alto da colina, ali a Sapadores, inaugurar a obra alheia e chamar-lhe sua. Apagar a história. Tentar perverter a realidade.
Estranhamente, até a generalidade da imprensa refere na edição de 30 de Julho a inauguração do Pavilhão da Graça como se se tratasse de obra do actual executivo. Mas há que sublinhar que este equipamento foi efectivamente construído na sua quase totalidade no mandato anterior. Não foi portanto este Executivo que o mandou construir. Folgar-se-ia que assim fosse. Mas não foi. Folgar-se-ia que esta maioria construísse algo de positivo para a Cidade. Mas não. Mas infelizmente ao actual Executivo só se lhe conhece a febre demolidora à custa do erário público. Não se conhece qualquer febre de construção.
Quanto ao Pavilhão da Graça, construído no mandato 1997-2001, resta acrescentar que a mesma obra decorreu da cooperação entre a CML e a EPUL – empresa que na inauguração da passada semana nem sequer foi referida. De facto, na pressa da encenação, até foi esquecida a empresa que realmente construiu quer a habitação social que ali existe quer o próprio Pavilhão, a EPUL. Lamentável.


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