A lição do companheiro
Suplemento do Avante! dedicado a Adriano Correia de Oliveira
Nunca me sentia muito à vontade quando, para o Partido Comunista, fazia um momento de concerto de guitarra clássica encaixado entre outros momentos de música popular, dados por grupos numerosos e muito sonoros.
Nas festas de terreiro procurava sempre tocar a seguir a um declamador para que a guitarra frágil de som não sofresse as adversidades da música de animação popular; às vezes era difícil escapar com Albeniz ou Tarrega ilesos a seguir ao som dos clamores por justiça ou às palavras de ordem bradadas aos microfones económicos.
Em Mirandela tive sorte. Havia festa do PCP. O Adriano iria cantar. Não nos conhecíamos pessoalmente. Lembro-me do quanto me irritava que ele chegasse atrasado a espectáculos a que eu ia assistir sempre; depois, com o tempo, entendi que ele vinha sempre de longe, de outro espectáculo dado, certamente, em condições semelhantes às de Mirandela; ele podia subir a palco sem grande orquestra, sem colunas ou micro, sem ensaio, mas não começaria jamais, sem jantar antes. E, um jantar era um ritual complexo, sem o qual ele perdia por completo a simplicidade e a voz. As deslocações e o jantar eram a causa única dos seus atrasos mas, dessa vez, chegou a horas...de jantar!
Quatro tábuas faziam uma mesa, ao cair da tarde; comendo assados ao correr do vinho da Terra Quente, fomos combinando a ordem das intervenções: agora tu, depois eu... fui dando amostras do que levava para tocar, ele ia trauteando canções que se encadeavam bem com a música de guitarra. Surgiam as concordâncias. Conjuguei o toque de clássicos com prelúdios às suas canções; mais um gole de maduro, experimentei acompanhar canções que já conhecia nessa voz que ouvia desde o Liceu. Ajustámos tons e acertámos entradas. Ainda a caneca ia meia e já éramos um duo, um duo com uma guitarra a caminho do palco e uma voz a três anos do silêncio.
O concerto saiu bem.
Percorremos depois o labirinto de Portugal.
Tivemos estadias em casa do Adriano para ensaios adiados, no palácio do Francisco, Conde de Santar, para repousar de uma campanha extenuante; no promontório de Olhos de Água em casa do Francisco Aleluia, com besugo assado pelo Ti Toino Bruxo e búzios recheados pelo Adriano; ceámos e dormimos no Peso da Régua, em plena campanha, em casa de um amigo seu, homem conservador, que jamais perdoaria que o Adriano ficasse perto da Régua, em casa que não fosse a sua, com todos os cómodos para ele e para quem trouxesse. Para sua sorte, éramos poucos.
O Alentejo ficou-me na lembrança como cenário principal da nossa amizade. As estadias de campanha em casa da Mãe do poeta popular José Vacondeus foram dias de recolha ao mais simples que a poesia pode ser. Sobre os versos do Vacondeus, o Adriano ensaiou ainda alguns esboços de canções que não cantou. O calor era desumano: no interior da casa no interior do Alentejo de palha, a luz não entrava para não aquecer. Nada se ouvia senão a voz do Adriano a balbuciar os poemas do José, a guitarra, os passos da Mãe e o virar das folhas do Poeta esperançado no dia de se ouvir na voz do cantor. O seu dia não chegou.
Em palco
«...Esta noite tenho a honra de acompanhar o Paulo, começava ele, Dom Adriano, cavalheiro em todas as ocasiões. Por entre elogios aos músicos que o acompanhassem, ia apresentando as canções e, sempre, os poemas e poetas cantados. Em tudo havia poesia e gente sentida e pensada pelo Adriano. Eu não falava, fazia interlúdios que o Adriano obrigava a alongar com o gesto de quem desenrola uma bobine; teatral, sobre o palco chegava a arrastar uma cadeira para, sentado e virado para mim, ouvir os improvisos na guitarra, intermináveis, saídos dos temas que ele cantava; de uma vez, num bar muito bonito no Algarve, a bobine da minha imaginação estava a chegar ao fim; procurei-o com os olhos por todo palco até o encontrar numa mesa da primeira fila a beber uma cerveja... como se a canção dele já tivesse acabado. Dessa vez secou o improviso: fiz-me às barras finais e parei. Houve palmas e seguimos para intervalo.
Depois, retomámos o concerto.
Alguns músicos
O Sérgio Mestre era o outro guitarrista do Adriano. Acompanhava também o Zeca. Tinha um ritmo endiabrado, harmonizava com muito bom gosto e tocava com uma alegria contagiante. A viola dele dava ao concerto uma harmonia muito meridional e um ritmo africano que contracenavam muito bem com a nostalgia nortenha do Adriano. Se eu estivesse a acompanhar, ele fazia parte do concerto em flauta com a mesma bravura que mostrava na guitarra, e um som de sopro selvagem que incendiava tudo em volta, fosse cantor, tocador ou ouvinte.
O Manuel Rocha era outro acompanhador ocasional do Adriano. Toca violino com uma afinação perfeita e dá ao arco as mesmas curvas que um cantor à voz. A improvisar, parecia ter nascido ensinado e tanto ornamentava a voz do Adriano como fazia um contra-canto que a valorizava, como lançava variações a propósito de cada quadra. Ainda hoje, quando tocamos juntos, improvisamos sobre as canções do Adriano sem acordo prévio que não seja o título e o tom. O resto, é só continuar.
Havia mais amigos que, durante esse período também acompanhavam ocasionalmente o Adriano; pertenciam aos grupos que actuavam nos mesmos espectáculos que nós. Quando vinha a Brigada Victor Jara havia sempre junção de vozes e instrumentos, principalmente da parte do Rui Curto do acordeão, tal como eu, vindo da República Palácio da Loucura.
O Fausto, o Manuel Freire, o Vitorino e o Janita juntavam guitarras e faziam coros sempre que houvesse tempo para acertar vozes porque, cantar mal não era com eles, mesmo que fosse de improviso.
O reportório
Um punhado de cantigas, estava sempre ensaiado, e íamos passando por outras, consoante a ocasião, consoante o tempo de ensaio e a memória.
O senhor morgado, Tejo que levas as águas, As balas, eram das que mais vezes vinham ao palco. Aquela Triste e Leda Madrugada de José Niza foi, talvez, a música que mais gostei de acompanhar ao Adriano. No tempo em que o acompanhei, o Adriano ganhava forças para musicar um poema de Eugénia Cunhal, que não acabou.
Estilo cerrado, a partir de sequências harmónicas muito usadas em Coimbra, a canção do Adriano era sempre o eco de uma balada triste. Louzã, ao apreciá-lo como autor, disse que ele, acima de tudo, tinha arrancado ao coração do povo um belo punhado de melodias. Estou de acordo e acho que muitas canções de outros autores encontraram lugar na memória colectiva porque foram cantadas pelo Adriano. A voz do Adriano apoderava-se das melodias que cantava, de tal modo que, mais do que a canção, o entoar da voz dele acusava em timbres a mensagem da poesia de que nascia. Acolhia a rítmica africana do Sérgio Mestre ou o pendor clássico do Rui Pato, sem perder o carácter.
O Adriano cantou acompanhado por muitas formações, mas com viola só a acompanhar, a voz dele ouvia-se no fim do mundo.
As novas vozes que Abril trouxe aos palcos, desviaram numerosas atenções da voz do Adriano. Se algumas — que ele exaltava nas noites de casa do Louzã Henriques e noutros sítios — sublimavam os seus passos ou os do Zeca, outras eram só o gorgeio sazonal, próprio para encomendar ovações. Estas causavam forte rebuço no Adriano, para quem o canto popular e revolucionário se envolveu sempre de um critério artístico que não corria atrás de aplausos dos públicos em metamorfose. A abertura de muitos palcos a essa vozearia de acontecimento teve como consequência algumas desatenções à sua voz e vontade, mas o Adriano, mesmo com o orgulho magoado, não alterou o rumo do seu canto. Uma postura vocal elaborada no fado de Coimbra e estendida às canções populares e de intervenção desviou-o porventura da ribalta efémera mas deu-lhe um lugar de honra na nossa melhor história da canção.
Era um amigo que me deu amigos a conhecer: O Paulo Sucena, com os seus prefácios de poesia e história, dava um valor ao momento de palco que passava o poder da música por si mesma. O Manuel da Fonseca contando histórias infindas para ouvirmos à sua mesa com pão, vinho e luar do Alentejo e tempo.
Tocámos na Festa do Avante, na Festa da Alegria, em todo o sítio, sobre palcos de riga preciosa e taipais de tractor enfeitado de fantasias rústicas.
O concerto de Mondim de Basto, última actuação do Adriano, fez parte de um comício. Na companhia do Eldad Mário Neto, advogado amigo, com tempo para dar alguns acordes na viola, e um outro amigo que ia tentando acertar connosco, fomos dando ar de festa a um comício quase deserto, à luz do néon, numa sala de Escola Preparatória, num dos concelhos do país em que cada voto na esquerda valia um foguete. Mais tarde, no Auditório Municipal da mesma vila, viemos a evocar o nome do Adriano num concerto em que se juntaram as vozes do Francisco Fanhais, Manuel Freire, Vitorino, a guitarra do Sérgio Mestre e a minha, com apresentação do Paulo Sucena, claro.
Tenho pena que nada tenha ficado gravado do nosso trabalho — encontrei o Adriano depois de a sua obra estar completa.
Fica em nós a lição do companheiro, a lembrança sem a ilusão do palco em plano inclinado para a moda, e uma certa sensação culposa que devia ser de todos, mesmo dos que choram... podíamos ter ouvido mais longe.
Nas festas de terreiro procurava sempre tocar a seguir a um declamador para que a guitarra frágil de som não sofresse as adversidades da música de animação popular; às vezes era difícil escapar com Albeniz ou Tarrega ilesos a seguir ao som dos clamores por justiça ou às palavras de ordem bradadas aos microfones económicos.
Em Mirandela tive sorte. Havia festa do PCP. O Adriano iria cantar. Não nos conhecíamos pessoalmente. Lembro-me do quanto me irritava que ele chegasse atrasado a espectáculos a que eu ia assistir sempre; depois, com o tempo, entendi que ele vinha sempre de longe, de outro espectáculo dado, certamente, em condições semelhantes às de Mirandela; ele podia subir a palco sem grande orquestra, sem colunas ou micro, sem ensaio, mas não começaria jamais, sem jantar antes. E, um jantar era um ritual complexo, sem o qual ele perdia por completo a simplicidade e a voz. As deslocações e o jantar eram a causa única dos seus atrasos mas, dessa vez, chegou a horas...de jantar!
Quatro tábuas faziam uma mesa, ao cair da tarde; comendo assados ao correr do vinho da Terra Quente, fomos combinando a ordem das intervenções: agora tu, depois eu... fui dando amostras do que levava para tocar, ele ia trauteando canções que se encadeavam bem com a música de guitarra. Surgiam as concordâncias. Conjuguei o toque de clássicos com prelúdios às suas canções; mais um gole de maduro, experimentei acompanhar canções que já conhecia nessa voz que ouvia desde o Liceu. Ajustámos tons e acertámos entradas. Ainda a caneca ia meia e já éramos um duo, um duo com uma guitarra a caminho do palco e uma voz a três anos do silêncio.
O concerto saiu bem.
Percorremos depois o labirinto de Portugal.
Tivemos estadias em casa do Adriano para ensaios adiados, no palácio do Francisco, Conde de Santar, para repousar de uma campanha extenuante; no promontório de Olhos de Água em casa do Francisco Aleluia, com besugo assado pelo Ti Toino Bruxo e búzios recheados pelo Adriano; ceámos e dormimos no Peso da Régua, em plena campanha, em casa de um amigo seu, homem conservador, que jamais perdoaria que o Adriano ficasse perto da Régua, em casa que não fosse a sua, com todos os cómodos para ele e para quem trouxesse. Para sua sorte, éramos poucos.
O Alentejo ficou-me na lembrança como cenário principal da nossa amizade. As estadias de campanha em casa da Mãe do poeta popular José Vacondeus foram dias de recolha ao mais simples que a poesia pode ser. Sobre os versos do Vacondeus, o Adriano ensaiou ainda alguns esboços de canções que não cantou. O calor era desumano: no interior da casa no interior do Alentejo de palha, a luz não entrava para não aquecer. Nada se ouvia senão a voz do Adriano a balbuciar os poemas do José, a guitarra, os passos da Mãe e o virar das folhas do Poeta esperançado no dia de se ouvir na voz do cantor. O seu dia não chegou.
Em palco
«...Esta noite tenho a honra de acompanhar o Paulo, começava ele, Dom Adriano, cavalheiro em todas as ocasiões. Por entre elogios aos músicos que o acompanhassem, ia apresentando as canções e, sempre, os poemas e poetas cantados. Em tudo havia poesia e gente sentida e pensada pelo Adriano. Eu não falava, fazia interlúdios que o Adriano obrigava a alongar com o gesto de quem desenrola uma bobine; teatral, sobre o palco chegava a arrastar uma cadeira para, sentado e virado para mim, ouvir os improvisos na guitarra, intermináveis, saídos dos temas que ele cantava; de uma vez, num bar muito bonito no Algarve, a bobine da minha imaginação estava a chegar ao fim; procurei-o com os olhos por todo palco até o encontrar numa mesa da primeira fila a beber uma cerveja... como se a canção dele já tivesse acabado. Dessa vez secou o improviso: fiz-me às barras finais e parei. Houve palmas e seguimos para intervalo.
Depois, retomámos o concerto.
Alguns músicos
O Sérgio Mestre era o outro guitarrista do Adriano. Acompanhava também o Zeca. Tinha um ritmo endiabrado, harmonizava com muito bom gosto e tocava com uma alegria contagiante. A viola dele dava ao concerto uma harmonia muito meridional e um ritmo africano que contracenavam muito bem com a nostalgia nortenha do Adriano. Se eu estivesse a acompanhar, ele fazia parte do concerto em flauta com a mesma bravura que mostrava na guitarra, e um som de sopro selvagem que incendiava tudo em volta, fosse cantor, tocador ou ouvinte.
O Manuel Rocha era outro acompanhador ocasional do Adriano. Toca violino com uma afinação perfeita e dá ao arco as mesmas curvas que um cantor à voz. A improvisar, parecia ter nascido ensinado e tanto ornamentava a voz do Adriano como fazia um contra-canto que a valorizava, como lançava variações a propósito de cada quadra. Ainda hoje, quando tocamos juntos, improvisamos sobre as canções do Adriano sem acordo prévio que não seja o título e o tom. O resto, é só continuar.
Havia mais amigos que, durante esse período também acompanhavam ocasionalmente o Adriano; pertenciam aos grupos que actuavam nos mesmos espectáculos que nós. Quando vinha a Brigada Victor Jara havia sempre junção de vozes e instrumentos, principalmente da parte do Rui Curto do acordeão, tal como eu, vindo da República Palácio da Loucura.
O Fausto, o Manuel Freire, o Vitorino e o Janita juntavam guitarras e faziam coros sempre que houvesse tempo para acertar vozes porque, cantar mal não era com eles, mesmo que fosse de improviso.
O reportório
Um punhado de cantigas, estava sempre ensaiado, e íamos passando por outras, consoante a ocasião, consoante o tempo de ensaio e a memória.
O senhor morgado, Tejo que levas as águas, As balas, eram das que mais vezes vinham ao palco. Aquela Triste e Leda Madrugada de José Niza foi, talvez, a música que mais gostei de acompanhar ao Adriano. No tempo em que o acompanhei, o Adriano ganhava forças para musicar um poema de Eugénia Cunhal, que não acabou.
Estilo cerrado, a partir de sequências harmónicas muito usadas em Coimbra, a canção do Adriano era sempre o eco de uma balada triste. Louzã, ao apreciá-lo como autor, disse que ele, acima de tudo, tinha arrancado ao coração do povo um belo punhado de melodias. Estou de acordo e acho que muitas canções de outros autores encontraram lugar na memória colectiva porque foram cantadas pelo Adriano. A voz do Adriano apoderava-se das melodias que cantava, de tal modo que, mais do que a canção, o entoar da voz dele acusava em timbres a mensagem da poesia de que nascia. Acolhia a rítmica africana do Sérgio Mestre ou o pendor clássico do Rui Pato, sem perder o carácter.
O Adriano cantou acompanhado por muitas formações, mas com viola só a acompanhar, a voz dele ouvia-se no fim do mundo.
As novas vozes que Abril trouxe aos palcos, desviaram numerosas atenções da voz do Adriano. Se algumas — que ele exaltava nas noites de casa do Louzã Henriques e noutros sítios — sublimavam os seus passos ou os do Zeca, outras eram só o gorgeio sazonal, próprio para encomendar ovações. Estas causavam forte rebuço no Adriano, para quem o canto popular e revolucionário se envolveu sempre de um critério artístico que não corria atrás de aplausos dos públicos em metamorfose. A abertura de muitos palcos a essa vozearia de acontecimento teve como consequência algumas desatenções à sua voz e vontade, mas o Adriano, mesmo com o orgulho magoado, não alterou o rumo do seu canto. Uma postura vocal elaborada no fado de Coimbra e estendida às canções populares e de intervenção desviou-o porventura da ribalta efémera mas deu-lhe um lugar de honra na nossa melhor história da canção.
Era um amigo que me deu amigos a conhecer: O Paulo Sucena, com os seus prefácios de poesia e história, dava um valor ao momento de palco que passava o poder da música por si mesma. O Manuel da Fonseca contando histórias infindas para ouvirmos à sua mesa com pão, vinho e luar do Alentejo e tempo.
Tocámos na Festa do Avante, na Festa da Alegria, em todo o sítio, sobre palcos de riga preciosa e taipais de tractor enfeitado de fantasias rústicas.
O concerto de Mondim de Basto, última actuação do Adriano, fez parte de um comício. Na companhia do Eldad Mário Neto, advogado amigo, com tempo para dar alguns acordes na viola, e um outro amigo que ia tentando acertar connosco, fomos dando ar de festa a um comício quase deserto, à luz do néon, numa sala de Escola Preparatória, num dos concelhos do país em que cada voto na esquerda valia um foguete. Mais tarde, no Auditório Municipal da mesma vila, viemos a evocar o nome do Adriano num concerto em que se juntaram as vozes do Francisco Fanhais, Manuel Freire, Vitorino, a guitarra do Sérgio Mestre e a minha, com apresentação do Paulo Sucena, claro.
Tenho pena que nada tenha ficado gravado do nosso trabalho — encontrei o Adriano depois de a sua obra estar completa.
Fica em nós a lição do companheiro, a lembrança sem a ilusão do palco em plano inclinado para a moda, e uma certa sensação culposa que devia ser de todos, mesmo dos que choram... podíamos ter ouvido mais longe.