A vida continua a sua mensagem
Suplemento do Avante! dedicado a Adriano Correia de Oliveira
No início da década de 60 (do já século passado), arribou a Coimbra um rapagão atletóide, já com alguma vivência desportiva (voley) e associativa que lhe advinha do rico panorama sócio-cultural popular de Avintes, sua terra de origem, onde criou nunca esquecidas raízes.
Coimbra de então e após a campanha de Arlindo Vicente que desaguou em Humberto Delgado, estava num período de grande vivacidade revolucionária, retomando uma longa tradição de confronto de ideias e choques culturais. Estava em curso uma grande agitação conceptual e crítica que tudo atravessava – a literatura, até mesmo a pintura e artes afins, mas também as ideologias e os comportamentos, com um forte apelo revolucionário.
A Academia descobria e interessava-se cada vez mais pelo estado do seu País e a vida do seu povo.
Entretanto, a guerra colonial caía pesadamente sobre os jovens e, como é óbvio, sobre a juventude estudantil, Uns fugiam, outros ficavam, mas destes, os que mais tarde regressavam (nem todos) traziam recados e experiências físicas e emocionais que não raro os marcaram para toda a vida.
A sua voz também chegava às tertúlias dos cafés e a toda a vivência estudantil bem expressa na sua Associação académica e respectivos organismos.
Adriano, num curto deambular pelos da Alta, breve se quedou na República Raisteparta, sita na Rua da Matemética, vizinha de outras como as Lucas, a Corsários das Ilhas, Galifoa, etc., que todas se integravam num conjunto mais vasto e quase todas, unidas no Conselho das Repúblicas, que chamaram a si, não só a vida e governo da Associação Académica, bem como a orientação dos movimentos académicos, ajudando a estabelecer relações interassociativas com as universidades do Porto e de Lisboa; organizando-se no que veio a ser a RIA, o que permitia um ajustamento coordenado do movimento estudantil.
É nessa altura que Adriano adere ao PCP e à militância comunista, que nunca mais abandonou.
Para além do confronto de ideias, que sempre se viveu em Coimbra, também em Coimbra se cantava, e é talvez a única academia que criou música e canto próprios. Alguma gente ia pensando no que se podia trazer de novo a estas expressões. Destaca-se o Fabião (com enorme gosto pessoal pelos cantares populares), o Machado Soares (com clara influência do grande Edmundo Bettencourt) e outros. Tarefa que só é bem concebida pelo Zeca, que entretanto se destacava e impunha no panorama da canção de intervenção em Portugal.
Adriano, sob estas influências partidárias e artísticas, lança-se corajosamente nesta via que vai ser dominante em todo o seu caminho, como cidadão comprometido e como grande cantor de intervenção até ao resto dos seus dias.
Com o 25 de Abril, esta intenção e compromisso vincaram-se poderosamente e a sua voz passou a ser uma arma ao serviço da revolução dos cravos e um exercício de cidadania que ainda hoje aponta os caminhos do futuro.
Faria este ano 65 anos e, embora a morte o colhesse aos 40, a vida continua a sua mensagem e perene continua a sua presença entre nós, companheiros e camaradas.
Coimbra de então e após a campanha de Arlindo Vicente que desaguou em Humberto Delgado, estava num período de grande vivacidade revolucionária, retomando uma longa tradição de confronto de ideias e choques culturais. Estava em curso uma grande agitação conceptual e crítica que tudo atravessava – a literatura, até mesmo a pintura e artes afins, mas também as ideologias e os comportamentos, com um forte apelo revolucionário.
A Academia descobria e interessava-se cada vez mais pelo estado do seu País e a vida do seu povo.
Entretanto, a guerra colonial caía pesadamente sobre os jovens e, como é óbvio, sobre a juventude estudantil, Uns fugiam, outros ficavam, mas destes, os que mais tarde regressavam (nem todos) traziam recados e experiências físicas e emocionais que não raro os marcaram para toda a vida.
A sua voz também chegava às tertúlias dos cafés e a toda a vivência estudantil bem expressa na sua Associação académica e respectivos organismos.
Adriano, num curto deambular pelos da Alta, breve se quedou na República Raisteparta, sita na Rua da Matemética, vizinha de outras como as Lucas, a Corsários das Ilhas, Galifoa, etc., que todas se integravam num conjunto mais vasto e quase todas, unidas no Conselho das Repúblicas, que chamaram a si, não só a vida e governo da Associação Académica, bem como a orientação dos movimentos académicos, ajudando a estabelecer relações interassociativas com as universidades do Porto e de Lisboa; organizando-se no que veio a ser a RIA, o que permitia um ajustamento coordenado do movimento estudantil.
É nessa altura que Adriano adere ao PCP e à militância comunista, que nunca mais abandonou.
Para além do confronto de ideias, que sempre se viveu em Coimbra, também em Coimbra se cantava, e é talvez a única academia que criou música e canto próprios. Alguma gente ia pensando no que se podia trazer de novo a estas expressões. Destaca-se o Fabião (com enorme gosto pessoal pelos cantares populares), o Machado Soares (com clara influência do grande Edmundo Bettencourt) e outros. Tarefa que só é bem concebida pelo Zeca, que entretanto se destacava e impunha no panorama da canção de intervenção em Portugal.
Adriano, sob estas influências partidárias e artísticas, lança-se corajosamente nesta via que vai ser dominante em todo o seu caminho, como cidadão comprometido e como grande cantor de intervenção até ao resto dos seus dias.
Com o 25 de Abril, esta intenção e compromisso vincaram-se poderosamente e a sua voz passou a ser uma arma ao serviço da revolução dos cravos e um exercício de cidadania que ainda hoje aponta os caminhos do futuro.
Faria este ano 65 anos e, embora a morte o colhesse aos 40, a vida continua a sua mensagem e perene continua a sua presença entre nós, companheiros e camaradas.