Povo pela constituinte e unidade
Milhares de camponeses e indígenas marcharam, segunda-feira, na cidade de Sucre, em defesa da nova Constituição, da unidade nacional e do projecto de transformação do governo de Evo Morales.
A oligarquia boliviana procura aliar as acções violentas com a crise institucional
O protesto dinamizado pela Federação Única de Trabalhadores e Povos Originários teve como objectivo reafirmar o apoio popular à elaboração da nova Carta Magna e em defesa da integridade territorial do país, colocada em causa nos últimos meses pela oligarquia boliviana visando golpear o processo progressista protagonizado pelo governo do MAS, liderado por Evo Morales.
Sucre é por estes dias o centro da luta de classes na Bolívia. As sessões da Assembleia Constituinte, ali instaladas fez no passado dia 6 de Agosto um ano, encontram-se suspensas fruto das manobras da direita e poucos acreditam que, neste contexto de permanente conspiração contra-revolucionária, seja possível apresentar a versão final do texto na data inicialmente prevista, o próximo dia 14 de Dezembro.
Acresce que, para além da greve convocada para anteontem pelo reaccionário Comité Interinstitucional – estrutura que congrega os governadores secessionistas das províncias de Beni, Pando, Santa Cruz e Tarija, a chamada zona da Meia Lua, rica em recursos naturais e terras férteis, uns e outras na posse do grande capital nacional e internacional, e ainda as províncias de Chuquisaca e Cochabamba -, durante a semana passada grupos extremistas de direita afectos à União Juvenil de Santa Cruz levaram a cabo acções violentas visando provocar respostas semelhantes por parte das forças progressistas.
Apesar de tudo, os bolivianos que elegeram por larga maioria o executivo de Morales subscrevendo o seu programa político de democracia ao serviço dos interesses populares mantêm-se firmes na convicção de mudança e, nesse sentido, o próximo passo da oposição é apostar numa crise institucional na Bolívia, por isso tem nutrido de argumentos e meios de campanha contra-informativa a proposta de passagem dos poderes legislativo e executivo da capital, La Paz, para a capital provincial de Chuquisaca, Sucre.
Governo apela à unidade
Em resposta às manobras do capital, o governo de La Paz veio apelar ao povo boliviano que não só não embarque em provocações como promova, ao invés, a unidade em defesa da soberania, do progresso e da justiça social.
Em declarações citadas pela Prensa Latina, o vice-presidente, Álvaro García Linera, acusou ainda os conservadores de serem «herdeiros das ditaduras de Hugo Banzer e Gonzalo Sánchez de Lozada», personalidades que figuram na história da nação como vendedores da pátria e servis dignitários da política acarinhada por Washington e pelas grandes multinacionais.
A este respeito, Linera foi mesmo mais longe quando, no domingo, defendeu a aprovação de uma lei que permita supervisionar a entrada e o destino de fundos provenientes de representações diplomáticas estrangeiras acreditadas na Bolívia.
O número dois do governo de Morales reagia às declarações do embaixador norte-americano, Philip Goldberg, que afirmou que a Bolívia era o segundo país que mais ajuda recebia dos EUA, cerca de 140 milhões de dólares todos os anos.
«Oxalá esse dinheiro fosse ajuda produtiva», comentou Linera, para quem os tais fundos servem exclusivamente para financiar grupos da oposição, ex-funcionários do Estado, políticos, professores e intelectuais cuja missão é difundir linhas ideológicas conservadoras alinhadas com o neoliberalismo, isto é, em choque frontal e aberto com a opção livremente assumida nas urnas pela maioria dos trabalhadores e dos membros das comunidades indígenas: refundar a Bolívia e colocar as suas riquezas naturais em prol dos pobres e explorados.
Sucre é por estes dias o centro da luta de classes na Bolívia. As sessões da Assembleia Constituinte, ali instaladas fez no passado dia 6 de Agosto um ano, encontram-se suspensas fruto das manobras da direita e poucos acreditam que, neste contexto de permanente conspiração contra-revolucionária, seja possível apresentar a versão final do texto na data inicialmente prevista, o próximo dia 14 de Dezembro.
Acresce que, para além da greve convocada para anteontem pelo reaccionário Comité Interinstitucional – estrutura que congrega os governadores secessionistas das províncias de Beni, Pando, Santa Cruz e Tarija, a chamada zona da Meia Lua, rica em recursos naturais e terras férteis, uns e outras na posse do grande capital nacional e internacional, e ainda as províncias de Chuquisaca e Cochabamba -, durante a semana passada grupos extremistas de direita afectos à União Juvenil de Santa Cruz levaram a cabo acções violentas visando provocar respostas semelhantes por parte das forças progressistas.
Apesar de tudo, os bolivianos que elegeram por larga maioria o executivo de Morales subscrevendo o seu programa político de democracia ao serviço dos interesses populares mantêm-se firmes na convicção de mudança e, nesse sentido, o próximo passo da oposição é apostar numa crise institucional na Bolívia, por isso tem nutrido de argumentos e meios de campanha contra-informativa a proposta de passagem dos poderes legislativo e executivo da capital, La Paz, para a capital provincial de Chuquisaca, Sucre.
Governo apela à unidade
Em resposta às manobras do capital, o governo de La Paz veio apelar ao povo boliviano que não só não embarque em provocações como promova, ao invés, a unidade em defesa da soberania, do progresso e da justiça social.
Em declarações citadas pela Prensa Latina, o vice-presidente, Álvaro García Linera, acusou ainda os conservadores de serem «herdeiros das ditaduras de Hugo Banzer e Gonzalo Sánchez de Lozada», personalidades que figuram na história da nação como vendedores da pátria e servis dignitários da política acarinhada por Washington e pelas grandes multinacionais.
A este respeito, Linera foi mesmo mais longe quando, no domingo, defendeu a aprovação de uma lei que permita supervisionar a entrada e o destino de fundos provenientes de representações diplomáticas estrangeiras acreditadas na Bolívia.
O número dois do governo de Morales reagia às declarações do embaixador norte-americano, Philip Goldberg, que afirmou que a Bolívia era o segundo país que mais ajuda recebia dos EUA, cerca de 140 milhões de dólares todos os anos.
«Oxalá esse dinheiro fosse ajuda produtiva», comentou Linera, para quem os tais fundos servem exclusivamente para financiar grupos da oposição, ex-funcionários do Estado, políticos, professores e intelectuais cuja missão é difundir linhas ideológicas conservadoras alinhadas com o neoliberalismo, isto é, em choque frontal e aberto com a opção livremente assumida nas urnas pela maioria dos trabalhadores e dos membros das comunidades indígenas: refundar a Bolívia e colocar as suas riquezas naturais em prol dos pobres e explorados.