Adriano Correia de Oliveira

Amor à causa da liberdade

Adriano Correia de Oliveira viveu intensamente, com imenso amor pela vida, construindo inúmeras e sólidas amizades, sempre ao lado do seu povo, sempre com o seu Partido. Fez sempre imensos projectos. Muitos concretizou, como a sua obra musical bem o evidencia. Outros nunca os chegou a concretizar: os anos breves que viveu roubaram-lhe o tempo necessário. Nunca desistiu de colocar em prática as suas ideias, mesmo até ao dia em que, brutalmente, foi ceifado da vida e da actividade criadora.
Nasceu em 1942 em Avindes. Ali fez a instrução primária e, depois, no Porto, o curso dos liceus. Aos 17 anos ingressou na Universidade de Coimbra, para frequentar o curso de direito e tornou-se membro do Orfeão Académico. A sua voz ímpar distingui-se pelo timbre e pela clareza.
À sua volta, Portugal está sob o peso da ditadura fascista, e a resistência democrática dá e sofre vários golpes. Adriano, sempre activo e solidário, opta pela via da resistência consequente. Em 1960 inscreve-se no PCP.
A sua intervenção cultural é cada vez mais activa. Faz teatro no Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, onde representou várias peças, escreve para os Cadernos Culturais e publica o seu primeiro disco com fados de Coimbra.
Em 1961 e 1962, de Norte a Sul do País, realizam-se diversas greves operárias e camponesas. O 1.º de Maio de 1962 é a maior comemoração de sempre, em Portugal, do Dia do Trabalhador. A União Indiana liberta e recupera Goa. Começa a Guerra Colonial. Há uma tentativa de assalto ao Quartel de Beja. José Dias Coelho é assassinado pela PIDE. Ocorre a espectacular fuga de Caxias.
Em Lisboa, na sequência da proibição, pelo governo fascista, da comemoração do Dia do Estudante, intensificam-se as lutas estudantis, dando início a uma prolongada greve que alastra às outras academias. Mais de 1500 estudantes são presos.
Adriano Correia de Oliveira, então a viver e a estudar em Lisboa, regressa a Coimbra e está presente em todas as lutas académicas. Não deixa de cantar, fazendo o canto participar na luta.
«Eu sou livre como as aves/ E passo a vida a cantar/ Coração que nasce livre/ Não se pode acorrentar», celebrou em verso.

«Há sempre alguém que resiste»

Em 1963, Adriano Correia de Oliveira está em Coimbra a viver na República Rás-te-Parta onde funcionará a sede de candidatura democrática às eleições da Associação Académica. Grava um disco emblemático: «Trova do Vento que Passa».
«Foi a partir do acolhimento de uma canção como a “Trova do Vento que Passa” que comecei a sentir verdadeiro gosto por cantar, por fazer a música e, sobretudo, por sentir que estava do lado justo, do lado antifascista», afirmou.
A Guerra Colonial alarga-se a outras colónias. Em 1964, Álvaro Cunhal escreve o «Rumo à Vitória», que viria a ter uma importância determinante na intensificação na luta contra o fascismo e rumo ao 25 de Abril. O general Humberto Delgado é assassinado pela PIDE.
Entre 1966 e 1968, Adriano Correia de Oliveira volta para Lisboa.
Canta, solidário com todas as lutas dos estudantes e dos operários. Pública, então, o disco «Adriano Correia de Oliveira» que é distinguido com o prémio Pozal Henriques, a maior distinção da música «ligeira» em Portugal.
«Ó Alentejo dos pobres/ Reino da desolação/ Não sirvas quem te despreza/ É tua a tua nação// A Foice dos teus ceifeiros/ Trago no peito gravada/ Ò minha terra morena/ Como bandeira sonhada», cantou.

«O Canto e as Armas»

De 1969 e 1973 vivem-se anos históricos na canção de intervenção. São vários os discos então surgidos que irão marcar impressivamente a canção portuguesa. O primeiro disco LP é de Adriano: «O Canto e as Armas». É pela sua mão que muitos novos cantores e músicos surgem.
A televisão cobre em directo um espectáculo de fados e baladas de estudantes de Coimbra, a propósito da Queima das Fitas. De súbito uma voz admirável eleva-se para cantar a «Trova do Amor Lusíada» e «Trova do Vento que Passa». É a voz de Adriano que, com coragem que o acompanhou durante toda a vida, não deixa fugir a oportunidade de enfrentar o poder. A emissão é interrompida.
Em 1971, no Coliseu de Lisboa dá-se o Primeiro Encontro da Canção Portuguesa. Participam Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria, Fausto Manuel Freire, Zeca Afonso e Adriano. Um espectáculo memorável, rigorosamente vigiado pela PIDE.

Revolução dos Cravos

Com o 25 de Abril a canção salta para a rua e Adriano está na primeira linha. É um dos fundadores no Colectivo da Acção Cultural, participa no I Festival da Canção Portuguesa e no I Festival da Canção Livre.
Anda pelo país fora levando a mensagem do seu Partido, o PCP. Vai aos lugares mais longínquos onde quase ninguém ousa ir. Grava o disco «Que nunca mais» que lhe valeu o título de artista do ano da revista inglesa Music Week.
Passados dois anos, pertence ao Comité Organizador da 1.ª Festa do Avante. Continua a cantar por todo o país sempre com grande sentido de militância e companheirismo. A sua presença física, a sua afabilidade e a sua voz impõem-se mesmo em situações complicadas, muitas vezes conseguindo ultrapassar tentativas de boicote.
Finalmente consegue realizar um velho sonho profissional: ser um dos fundadores de uma cooperativa artística «Cantarabril», de onde sairá em violenta controvérsia para entrar noutro colectivo de artistas, a «Era Nova» com muitos dos seus primeiros companheiros de andanças musicais.
Adriano Correia de Oliveira cantou até ao fim da sua vida. Cantou sempre com voz firme as belas canções com que travejava a sua actividade de artista empenhado nas lutas do povo a que pertencia. Assim foi até ao último dia da sua vida em 16 de Outubro de 1982.

Brigada Victor Jara, Manuel Freire e Coro da Associação de Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra
Tributo a Adriano Correia de Oliveira


A par de outras iniciativas espalhadas pelo terreno da Atalaia, a Festa do Avante vai homenagear, este ano, Adriano Correia de Oliveira com um grande espectáculo no Palco 25 de Abril. Este tributo contará com a participação da Brigada Victor Jara, de Manuel Freire e do Coro da Associação de Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra.
«Escolhemos, para aquela praça imensa, as canções que pensamos estarem mais perto da memória de quem as vai ouvir, e mais perto da atenção de quem nunca as ouviu», revelou, ao Avante!, Manuel Pires Rocha, membro da Brigada.
Este espectáculo, será, para além da homenagem, «um encontro de amigos». «Não estarão todos no palco, mas de todos eles serão os sons tocados» adiantou, referindo-se a Manuel Alegre, Manuel da Fonseca, Alfredo Vieira de Sousa, José Niza, Rui Pato, Sérgio Mestre, Carlos Paredes e Paulo Vaz de Carvalho.
De amor e de emigração, de noite e de madrugada, de liberdade e de opressão, de fraternidade, da urgência de mexer na história – serão estas as palavras que vão encher, no sábado, a praça da Quinta da Atalaia.
«É claro que cada uma das palavras, cada um dos sons rimarão com Revolução porque para Adriano Correia de Oliveira ser militante comunista não era uma mera circunstância – era o lugar de ser coerente, onde, sem que um homem abdique de ser “um”, esteja afinal no meio de muitos outros», acentuou Manuel Pires Rocha.


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