Festival de Teatro de Almada

A festa da reflexão

Está a ser um êxito o Festival de Teatro de Almada. Espaço de cultura, conhecimento, saber, aberto e acessível a todos os cidadãos, este certame já contou com a presença de largas centenas de pessoas.
Entretanto, até dia 18, são esperados muitos outros, que, através das peças de teatro, mas também dos colóquios, das exposições, dos workshop’s, das leituras, procuram, particularmente, um espaço de reflexão.
Com uma programação de grande variedade, hoje, quinta-feira, dia 12, poderá assistir a quatro espectáculos de enorme qualidade.
Na Escola D. António da Costa, às 22 horas, irá ser apresentado a peça «Gulliver», de Jaime Lorca, segundo Jonathan Swift. Após dezoito anos e oito criações no colectivo La Troppa, Jaime Lorca empreendeu uma nova aventura teatral com a sua nova companhia, em torno da ideia de criação colectiva, tendo reunido à sua volta o poeta Pablo Jerez, a actriz Teresita Iacobelli e a equipa de criação das duas últimas criações de La Troppa: Gemelos e Jesus Betz.
Este engenhoso colectivo chileno de criação, dinamizado por Jaime Lorca, prossegue, com a história de Gulliver, a pesquisa de uma linguagem desenvolvida através da poesia da imagem e da arte da prestidigitação cénica.
No mesmo dia, às 19 horas, no Teatro Municipal de Almada, na Sala Experimental, sobe ao palco «Uma peça de teatro», de Erland Josephson.
A acção desta peça passa-se no camarim de Leo, um velho actor que vê a sua carreira aproximar-se do fim. Vânia, a directora do teatro, oferece-lhe o papel de Rosencrantz em Hamlet, oferta que considera humilhante, mas que acaba por aceitar. Só que virá a ser substituído por um actor jovem.
É uma peça sobre o teatro e a profissão de actor, cheia de reflexões sobre a arte de representar. Uma peça cheia de ironia e sarcasmo, onde paira a tragédia do envelhecimento, do esquecimento, do sair definitivo de cena, a aproximação da morte. Tudo impregnado de um amor profundo ao teatro e à vida.
Hoje, poderá ainda ver, na Culturgest, pequeno auditório, às 21h30, «Sete Contra Tebas», de Ésquilo, um espectáculo de Diogo Dória, e, no Instituto Franco-Português, às 21 horas, «História de Amor», De Jean-Luc Lagarce.
Amanhã, sexta-feira, prossegue o Festival de Teatro de Almada. Neste sentido, a Fondazione Nazionale Della Danza, Companhia Aterballetto, apresenta, no São Luiz, às 21 horas, «Romeo and Juliet».
No sábado, às 22 horas, na Escola D. António da Costa, o grande destaque vai para a peça «O cerejal». Encenada por Rogério de Carvalho, a última criação de Anton Tchekhov, estreada no Teatro de Arte de Moscovo pouco antes de o autor morrer, relata-nos as mudanças económicas e sociais do fim do século XIX.
A peça reflecte a realidade da época e conta a história de uma família da aristocracia confrontada com a crise financeira que fez com que perdessem a sua propriedade onde se encontrava um cerejal muito valioso.

Vietname no Festival

Domingo é dia de «Marionetas de água do Vietname». Com início às 22 horas, no Centro Cultural de Belém, este espectáculo pretende apresentar uma nova abordagem aos espectáculos de marionetas de água. Trata-se de uma instalação artística acompanhada por uma orquestra tradicional.
Neste conceito, o sucesso e a eficácia do espectáculo serão criados a partir da harmonia entre marionetas, artistas, superfícies de água, luz, música e efeitos sonoros.
As marionetas de água tornam mais leve a instalação artística, enquanto que a instalação artística torna as marionetas mais vivas e contemporâneas.
«Romeo and Juliet», volta aos palcos do festival, desta vez com a encenação de Oskaras Koršunovas. Numa co-apresentação do Teatro D. Maria II, a peça, que relata, segundo Koršunovas, «um drama social», retrata a forma como o amor pode surgir e vingar numa atmosfera de guerra e ódio.
«Nesta produção quis analisar a forma como o ódio desenha a diferença e se torna num território de contacto. Parece-me que o ódio é a fundação na qual as diferenças entre os Montéquios e os Capuletos são construídas. Estas diferenças afastam-nos ainda mas uns dos outros. Todas as sociedades parecem estar subdivididas desta forma», afirmou.
Na terça-feira, às 21 horas, no Teatro Municipal de Almada, o destaque vai para «A Charrua e as estrelas». Esta peça, de Sean O´Casey, encenada por Bernard Sobel, uma das figuras mais respeitadas do teatro francês, relata o Levantamento da Páscoa de 1916, na Irlanda.
O último dia do festival, quarta-feira, ficará marcado pelo espectáculo «Cavaterra» (teatro físico, dança, circo, marionetas, vídeo), da companhia Circolando.

Joaquim Benite galardoado

Joaquim Benite foi distinguido, segunda-feira, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras de França. O galardão foi entregue no palco do novo Teatro Municipal de Almada pelo embaixador de França em Portugal sob uma enorme ovação. Esta é a mais elevada condecoração com que o Estado francês reconhece os serviços prestados no campo cultural.
O director da Companhia de Teatro de Almada (CTA) junta esta a outras distinções que acumulou na sua já longa carreira de encenador: Medalha de Ouro de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, Medalha de Honra do Município da Amadora ou a Medalha de Ouro de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Almada.
O embaixador de França em Portugal, Patrick Gautrat, salientou a longa e diversificada carreira de Joaquim Benite, do jornalismo ao teatro, e realçou as encenações feitas pelo director da CTA de conceituados e célebres autores franceses. Joaquim Benite iniciou a sua carreira de encenador em 1971, quando fundou o grupo de Teatro de Campolide. Em 1978, mudou-se para Almada. Seis anos depois, em 1984, criava o Festival de Teatro de Almada, que vai na sua 24.ª edição e tornou-se já num dos mais importantes festivais de teatro do mundo.
O homenageado não esqueceu as suas ligações à cultura francesa e confessou-se honrado pela distinção. Joaquim Benite guardou ainda palavras de agradecimento para a delegação do PCP, encabeçada pelo secretário-geral Jerónimo de Sousa, e para a Câmara Municipal de Almada.
A homenagem decorreu no final da peça encenada por Peter Brook Sizwe Banzi morreu.


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