Trabalhadores da Gestnave e Erecta foram a Belém

Continua a luta pelo emprego

Não fosse a persistência na luta e os trabalhadores da Gestnave e da Erecta já estariam despedidos, salientou-se, dia 22, na Tribuna Pública, frente ao Palácio de Belém.

Há que os in­te­grar ou pror­rogar os con­tratos que findam em De­zembro

«Desde 2004 que resistimos ao anunciado fim da Gestnave e ainda cá estamos, graças à nossa luta e capacidade de resistência que é um exemplo para todos os trabalhadores», salientou José Pereira, em nome das Comissões de Trabalhadores da Gestnave e da Erecta, no final da Tribuna Pública. Em solidariedade com esta luta estiveram os deputados do PCP, Bruno Dias e pelo BE, Alda Nogueira.
Bruno Dias salientou como, desde a primeira hora, «o PCP tem prestado e continuará a prestar toda a solidariedade possível a esta justa luta dos trabalhadores pela sua integração».
Miguel Moisés, também representante das ORTs presentes, lembrou como Durão Barroso iniciou o processo de dissolução da Gestnave, a 28 de Fevereiro de 2004, mas até hoje, «graças à nossa luta, não o conseguiram concretizar porque nunca vergámos nem nos conseguiram calar com quaisquer indemnizações».
Presentes estiveram 120 operários envergando coletes onde se lia «Contra a precariedade». Deslocaram-se à residência oficial de Cavaco Silva, dando continuação à luta para exigir a sua integração na Lisnave, como garante o Protocolo assinado em 1997, por um Governo PS e a Navivessel - dona da Lisnave -, que continua por cumprir.
São quase 300, os que receiam ver expirar, em Dezembro, o prazo dos contratos que os ligam à Gestnave e à Erecta, sem que vejam cumprido o compromisso. Com o aproximar do prazo, os trabalhadores intensificarão a luta, exigindo a integração, garantiram, na resolução que aprovaram diante da residência oficial do Presidente da República.
José Pereira, fez um balanço das mais recentes acções de luta destes trabalhadores, depois da concentração de 10 de Maio, com o mesmo propósito, junto da residência oficial de José Sócrates. No dia 18, concentraram-se junto do Ministério das Finanças, onde exigiram ser recebidos pelo secretário de Estado. No dia 19, o mesmo apelo foi feito ao secretário de Estado da Indústria e Inovação, no Ministério da Economia, mas «nenhum dos encontros produziu resultados concretos».
Em Outubro próximo, os pré-reformados serão convocados para uma acção de luta, «porque o administrador da Gestnave referiu, na acta do conselho consultivo, que o fundo de pensões terá de passar a ser gerido por uma terceira entidade ou acabará por se extinguir, com os complementos de pré-reforma», revelou José Pereira.

Grave si­tu­ação

Na reunião de dia 14, com a Gestnave, a administração «assumiu uma posição de quero, posso e mando, tendo afirmado que vai cumprir o despacho até Dezembro e liquidar a empresa», denunciou José Pereira, lembrando que é obrigação do Governo salvaguardar os empregos ou garantir que o prazo seja prorrogado até que isso aconteça, como reivindicam os operários.
Outro motivo de preocupação foi originado por notícias veículadas por um jornal do Barreiro, onde «uma notícia com fonte no PS revelava que os empregos não estão garantidos e se referia que era mais caro manter os empregos e viabilizar a empresa do que despedir», afirmou o representante sindical, salientando como é evidente, neste caso, o compadrio entre o patronato e o Governo.

Exigir a in­te­gração

Na resolução aprovada na Tribuna Pública e entregue na Casa Civil de Cavaco Silva, os trabalhadores exigiram que se efectuem reuniões quadripartidas entre os ministérios da Economia, Finanças, as administrações da Gestnave e da Lisnave para chegarem a um acordo que salvaguarde os empregos.
Vão estar na Manifestação Nacional da CGTP-IN, de dia 5, em Guimarães e apelaram à participação de todos os trabalhadores em situação de pré-reforma.
As ORTs foram mandatadas para desenvolverem todas as acções que considerem adequadas á luta pela integração.
Em Outubro, efectuarão outra Tribuna Pública, junto do CCB, em Lisboa, próximo da presidência portuguesa da UE. Também anunciaram que enviaram dois pareceres jurídicos, a dar razão aos trabalhadores, às autoridades e instâncias competentes, em Portugal e no Parlamento Europeu.


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