Rússia e EUA levam tensão ao G8
A Rússia vai apontar baterias de mísseis à Europa caso os EUA insistam na instalação de um sistema homólogo na Polónia e na República Checa. O tema deve ser discutido na cimeira dos G8 que hoje começa.
O sistema norte-americano abala «o equilíbrio estratégico do mundo», diz Putin
Em entrevista publicada segunda-feira pelo The Globe and Mail, o presidente russo, Vladimir Putin, confirmou que Moscovo responderá energicamente ao projecto norte-americano de instalação de um sistema de mísseis na Europa de Leste, lamentando que, a concretizar-se o que considera ser uma «provocação», tal significará o «regresso da guerra fria entre os dois países».
«É óbvio que se parte do potencial estratégico nuclear dos Estados Unidos se encontra na Europa e, segundo os nossos especialistas, constitui uma ameaça, teremos de responder», disse Putin ao diário canadiano.
«Que medidas é que poderemos tomar? Podemos apontar novos objectivos na Europa. Mas é tudo uma questão puramente técnica. Seja com mísseis balísticos ou de cruzeiro, ou ainda com algum tipo de novos sistemas de armamento», acrescentou.
As declarações de Putin ao periódico de Toronto surgem um dia depois das avançadas pela revista alemã Der Spiegel e quase uma semana após a realização com sucesso do teste a um novo tipo de míssil de fabrico russo.
Ao Spiege,l o chefe de Estado foi menos conciso nas palavras e explicou que o projecto de Washington é uma «defesa contra algo que não existe», referindo-se às alegadas ameaças nucleares iraniana e norte-coreana.
O que fica colocado em causa, de acordo com Putin é «o equilíbrio estratégico do mundo», facto que «faz aumentar os riscos de desencadeamento de um conflito nuclear», continuou.
Tensão chega ao G8
Apesar das declarações duras do mais alto responsável russo, o Kremlin não parece disposto a fechar as portas ao diálogo com a Casa Branca e a NATO. Quem o afirma é o ministro dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, Serguei Lavrov, para quem a matéria deve ser abordada «no quadro do Conselho Rússia-NATO».
Lavrov sustenta que ainda sobeja espaço para a realização de um «trabalho conjunto que permita realmente compreender porque é que os nossos parceiros americanos vêem ameaças da parte do Irão e da Coreia do Norte», até porque, sublinhou, «os mísseis que o Irão passará a ter num futuro próximo não terão uma distância de voo que justifique esse tipo de defesa».
A água na fervura colocada por Lavrov na tensão entre as duas superpotências não anula, no entanto, a determinação russa em responder categoricamente ao projecto dos EUA. Na cimeira do G8 que hoje começa em Heiligendamm, na Alemanha, o diferendo estará certamente na agenda dos principais líderes capitalistas mundiais.
Se por um lado é certo que a diplomacia ainda é para o maior país do mundo o caminho a explorar, também não é menos certo que foi o próprio Lavrov quem frisou que «a modernização do arsenal russo de mísseis não depende dos planos de quem quer que seja», e que «se os componentes estratégicos do arsenal americano aparecerem na Europa próximos das nossas fronteiras, teremos de tirar as devidas conclusões e neutralizar as potenciais ameaças de semelhante instalação».
«É óbvio que se parte do potencial estratégico nuclear dos Estados Unidos se encontra na Europa e, segundo os nossos especialistas, constitui uma ameaça, teremos de responder», disse Putin ao diário canadiano.
«Que medidas é que poderemos tomar? Podemos apontar novos objectivos na Europa. Mas é tudo uma questão puramente técnica. Seja com mísseis balísticos ou de cruzeiro, ou ainda com algum tipo de novos sistemas de armamento», acrescentou.
As declarações de Putin ao periódico de Toronto surgem um dia depois das avançadas pela revista alemã Der Spiegel e quase uma semana após a realização com sucesso do teste a um novo tipo de míssil de fabrico russo.
Ao Spiege,l o chefe de Estado foi menos conciso nas palavras e explicou que o projecto de Washington é uma «defesa contra algo que não existe», referindo-se às alegadas ameaças nucleares iraniana e norte-coreana.
O que fica colocado em causa, de acordo com Putin é «o equilíbrio estratégico do mundo», facto que «faz aumentar os riscos de desencadeamento de um conflito nuclear», continuou.
Tensão chega ao G8
Apesar das declarações duras do mais alto responsável russo, o Kremlin não parece disposto a fechar as portas ao diálogo com a Casa Branca e a NATO. Quem o afirma é o ministro dos Negócios Estrangeiros de Moscovo, Serguei Lavrov, para quem a matéria deve ser abordada «no quadro do Conselho Rússia-NATO».
Lavrov sustenta que ainda sobeja espaço para a realização de um «trabalho conjunto que permita realmente compreender porque é que os nossos parceiros americanos vêem ameaças da parte do Irão e da Coreia do Norte», até porque, sublinhou, «os mísseis que o Irão passará a ter num futuro próximo não terão uma distância de voo que justifique esse tipo de defesa».
A água na fervura colocada por Lavrov na tensão entre as duas superpotências não anula, no entanto, a determinação russa em responder categoricamente ao projecto dos EUA. Na cimeira do G8 que hoje começa em Heiligendamm, na Alemanha, o diferendo estará certamente na agenda dos principais líderes capitalistas mundiais.
Se por um lado é certo que a diplomacia ainda é para o maior país do mundo o caminho a explorar, também não é menos certo que foi o próprio Lavrov quem frisou que «a modernização do arsenal russo de mísseis não depende dos planos de quem quer que seja», e que «se os componentes estratégicos do arsenal americano aparecerem na Europa próximos das nossas fronteiras, teremos de tirar as devidas conclusões e neutralizar as potenciais ameaças de semelhante instalação».