«Não nos calam!»
Mais de mil pessoas protestaram, segunda-feira, contra a tentativa de silenciamento das posições do PCP no programa da RTP Prós e Contras. E garantem que ninguém conseguirá calar os comunistas.
O PCP não permitirá que as suas opiniões e propostas sejam silenciadas
O programa foi transmitido na segunda-feira na Casa do Artista, em Lisboa, e foi precisamente junto a esse local que os comunistas se concentraram em protesto. Em causa estava a última edição do programa Prós e Contras que tinha como tema o «Choque de Valores» e anunciava o debate de um conjunto de elementos de grande actualidade política e ideológica, como as eleições francesas, as eleições regionais da Madeira, a situação na Câmara Municipal de Lisboa ou o que distingue hoje a esquerda da direita.
No painel de convidados contava-se o último candidato presidencial do PS, Mário Soares, um ex-presidente do CDS, Adriano Moreira, Paulo Rangel, deputado do PSD, e o eurodeputado do BE, Miguel Portas. Excluída ficava, assim, a presença do PCP.
Como afirmam os comunistas em nota do Gabinete de Imprensa divulgada no domingo, o painel de convidados não suscita qualquer dúvida quanto à relação entre os presentes e os partidos políticos a que pertencem, «pelo que a exclusão do PCP por parte da RTP só pode ser entendida como forma de silenciar a apagar o papel, a reflexão e intervenção dos comunistas».
Após a divulgação pela RTP do conteúdo e do formato do programa, o PCP procurou junto da produção do programa e da Direcção da televisão pública sugerir a participação de um membro do PCP, mas essa hipótese foi cabalmente rejeitada. A atitude da RTP, afirma o PCP, «viola o pluralismo, o rigor, o respeito pelos telespectadores a que qualquer operador de televisão está vinculado, ainda mais no caso da RTP como prestador do serviço público».
Determinados a não deixar calar a voz do PCP, os comunistas que se concentraram junto à Casa do Artista entoavam palavras de ordem contendo as suas exigências: «Liberdade de expressão», «direito à informação» ou ainda «não nos calam».
PCP é voz incómoda
De um pequeno palanque colocado no exterior, vários militantes e dirigentes comunistas realçaram as opiniões do Partido acerca dos assuntos em debate no programa. Opiniões que estarão na base da própria exclusão da voz do Partido na RTP.
Falando sobre as eleições na Madeira, Jorge Cordeiro, da Comissão Política e do Secretariado, realçou o facto de a CDU ter aumentado o número de votos e passado a ser a terceira força política enquanto que o PS e o BE caíram abruptamente. Facto que, porém, em poucos órgãos de informação foi referido. João Armando, do Comité Central, destacou alguns «pormenores» relativamente a Nicolas Sarkozy que mereceram pouco relevo na imprensa «oficial»: que tem um conjunto de valores em tudo semelhantes aos da extrema-direita; que fez, no governo e no seu partido, um caminho marcado pelo autoritarismo; que tem o apoio do grande patronato francês ou que prepara uma grande ofensiva contra os trabalhadores são apenas alguns exemplos.
Ruben de Carvalho, do Comité Central e vereador na Câmara de Lisboa, lembrou o papel do PCP na denúncia dos negócios ilegais na autarquia. O caso Bragaparques, realçou, só avançou porque contou com o voto do PS e do BE na Assembleia Municipal. «É isto que a RTP não quer que se saiba», rematou. Já Arménio Carlos, igualmente do CC e dirigente sindical, referiu que «em vésperas da greve geral a presença do PCP seria certamente muito inconveniente». Rita Rato, dirigente da JCP, nomeou outros atentados à liberdade que ocorrem actualmente em numerosas empresas e escolas do País. Falou ainda Filipe Dinis, da Direcção Regional de Lisboa do Partido.
Uma delegação do PCP, composta por Jorge Cordeiro, Vasco Cardoso e Margarida Botelho, tentou entregar à administração da RTP e à direcção do programa o seu protesto por escrito, mas estes órgãos recusaram-se a receber os dirigentes comunistas.
No painel de convidados contava-se o último candidato presidencial do PS, Mário Soares, um ex-presidente do CDS, Adriano Moreira, Paulo Rangel, deputado do PSD, e o eurodeputado do BE, Miguel Portas. Excluída ficava, assim, a presença do PCP.
Como afirmam os comunistas em nota do Gabinete de Imprensa divulgada no domingo, o painel de convidados não suscita qualquer dúvida quanto à relação entre os presentes e os partidos políticos a que pertencem, «pelo que a exclusão do PCP por parte da RTP só pode ser entendida como forma de silenciar a apagar o papel, a reflexão e intervenção dos comunistas».
Após a divulgação pela RTP do conteúdo e do formato do programa, o PCP procurou junto da produção do programa e da Direcção da televisão pública sugerir a participação de um membro do PCP, mas essa hipótese foi cabalmente rejeitada. A atitude da RTP, afirma o PCP, «viola o pluralismo, o rigor, o respeito pelos telespectadores a que qualquer operador de televisão está vinculado, ainda mais no caso da RTP como prestador do serviço público».
Determinados a não deixar calar a voz do PCP, os comunistas que se concentraram junto à Casa do Artista entoavam palavras de ordem contendo as suas exigências: «Liberdade de expressão», «direito à informação» ou ainda «não nos calam».
PCP é voz incómoda
De um pequeno palanque colocado no exterior, vários militantes e dirigentes comunistas realçaram as opiniões do Partido acerca dos assuntos em debate no programa. Opiniões que estarão na base da própria exclusão da voz do Partido na RTP.
Falando sobre as eleições na Madeira, Jorge Cordeiro, da Comissão Política e do Secretariado, realçou o facto de a CDU ter aumentado o número de votos e passado a ser a terceira força política enquanto que o PS e o BE caíram abruptamente. Facto que, porém, em poucos órgãos de informação foi referido. João Armando, do Comité Central, destacou alguns «pormenores» relativamente a Nicolas Sarkozy que mereceram pouco relevo na imprensa «oficial»: que tem um conjunto de valores em tudo semelhantes aos da extrema-direita; que fez, no governo e no seu partido, um caminho marcado pelo autoritarismo; que tem o apoio do grande patronato francês ou que prepara uma grande ofensiva contra os trabalhadores são apenas alguns exemplos.
Ruben de Carvalho, do Comité Central e vereador na Câmara de Lisboa, lembrou o papel do PCP na denúncia dos negócios ilegais na autarquia. O caso Bragaparques, realçou, só avançou porque contou com o voto do PS e do BE na Assembleia Municipal. «É isto que a RTP não quer que se saiba», rematou. Já Arménio Carlos, igualmente do CC e dirigente sindical, referiu que «em vésperas da greve geral a presença do PCP seria certamente muito inconveniente». Rita Rato, dirigente da JCP, nomeou outros atentados à liberdade que ocorrem actualmente em numerosas empresas e escolas do País. Falou ainda Filipe Dinis, da Direcção Regional de Lisboa do Partido.
Uma delegação do PCP, composta por Jorge Cordeiro, Vasco Cardoso e Margarida Botelho, tentou entregar à administração da RTP e à direcção do programa o seu protesto por escrito, mas estes órgãos recusaram-se a receber os dirigentes comunistas.