CGTP-IN comenta aumento do desemprego

O trabalho a perder

O aumento do desemprego verificado exige mudança de política e outro modelo de crescimento, salienta a central, reagindo aos últimos dados do INE.

Os trabalhadores têm menos emprego e menores salários

Os dados do Instituto Nacional de Estatística, relativamente ao último trimestre de 2006, evidenciam uma degradação da situação do mercado de trabalho. Mas, nota a CGTP-IN, tal degradação ocorre «num ano em que, comparativamente ao anterior, houve melhoria da situação económica, demonstrando, assim, que, para se verificar uma melhor situação, é necessário um progresso económico mais significativo».
Além disso, 2006 foi «um ano em que os salários estagnaram». A Inter, no comunicado que divulgou dia 15, considera «importante salientar que o INE divulgou ontem que os custos do trabalho cresceram em 2006 apenas 1,9 por cento, muito abaixo da inflação (3,1 por cento), apesar da produtividade ter aumentado (mais 0,5 por cento)».
Segundo divulgou o INE, no dia 15, a taxa de desemprego estimada para o quarto trimestre de 2006 subiu 0,2 por cento, por comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo 8,2 por cento. O número de desempregados aumentou 2,5 por cento, no mesmo período, somando no fim de Dezembro 458 600 pessoas. Face ao trimestre anterior, a taxa de desemprego estimada pelo INE subiu 0,8 por cento, enquanto a população desempregada registou um acréscimo de 9,9 por cento.
Em média, a taxa de desemprego foi de 7,7 por cento em 2006, o que traduz um acréscimo de 0,1 ponto percentual em comparação com o ano anterior. A população desempregada, em média, aumentou 1,3 por cento face ao ano anterior, para 427 800 pessoas. O número de empregados tem um crescimento anual registado de 0,7 por cento.
Outros números foram apontados, no dia 17, por Eugénio Rosa. Em artigo publicado no sítio Internet www.odiario.info, o economista da CGTP-IN e deputado do PCP afirma que, no quarto trimestre de 2006, «o número total de desempregados, a que chamamos desemprego corrigido, já atingia 612 300 portugueses, o que correspondia a uma taxa de desemprego corrigida de 10,9 por cento».
À taxa oficial de desemprego, segundo os critérios impostos pelo Eurostat, Eugénio Rosa defende que devem acrescentar-se «todos aqueles que estão no desemprego mas que não são incluídos nesse número», mas que «constam também das estatísticas divulgadas pelo INE», com as denominações de «inactivos disponíveis» (85 200 pessoas) e «subemprego visível» (68 500 pessoas).

Menos
e pior emprego


A degradação do mercado de trabalho, acrescenta-se na nota de imprensa da CGTP-IN, «ocorre também em relação à qualidade dos empregos, não havendo criação de emprego e os que se verificaram foram quase só a prazo». A central salienta que «a taxa de precariedade teve uma subida acentuada (de 19,5 por cento, em 2005, para 20,6 por cento, em 2006) “reforçando” a situação portuguesa como dos países com mais precariedade».
Por outro lado, «o desemprego acentuou-se em resultado da destruição de empregos e não da procura de primeiros empregos», o que significa que há mais desempregados «por via de despedimentos e da não renovação de contratos a prazo».
O desemprego penaliza fortemente os jovens, refere ainda a Inter, notando que, entre estes, a taxa de desemprego (16,3 por cento) voltou a subir e continua a dobrar o índice global. As mulheres continuam também a ser mais abrangidas , situando-se em 9 por cento a taxa oficial de desemprego feminino.
Para a CGTP-IN, «é particularmente preocupante a taxa de desemprego de longa duração, que representa mais de metade do total», evidenciando «a dificuldade dos desempregados em se voltarem a inserir no mercado de trabalho».

Mais grave em Lisboa
Na região de Lisboa, a taxa de desemprego apresentada pelo INE é superior à média nacional, pois atinge 8,5 por cento, no distrito, com os valores mais elevados verificados nos concelhos de Azambuja (11 por cento), Amadora (10,8 por cento) e Lisboa (9 por cento). Ao alertar para a diferença entre a propaganda governamental e a realidade, a União dos Sindicatos de Lisboa ressalva que os indicadores oficiais serão «seguramente» ainda mais elevados, «se forem contabilizados os milhares de trabalhadores que se encontram nos planos ocupacionais, em formação, em estágios e ainda aqueles que, desanimados, pela falta de oportunidades, não procuraram emprego nas últimas três semanas».
Para a USL/CGTP-IN, o encerramento e deslocalização de empresas – caso da General Motors (Opel), na Azambuja, e empresas que lhe prestavam serviços, como a Navarro, a Thyssen e a Premier – são grandes responsáveis pela destruição de emprego e por despedimentos.
Lembra, a este propósito, a União, que «as dívidas aos trabalhadores que perderam os postos de trabalho por encerramento de empresas atingem cerca de 70 milhões de euros», havendo processos em tribunal «há mais de 20 anos».
Em Lisboa, com 19,7 por cento, a taxa de desemprego juvenil (15 a 24 anos) está igualmente acima da média nacional (16,3 por cento). A precariedade de emprego atinge na região 25,7 por cento dos trabalhadores por conta de outrem e, em cada cinco jovens (com menos de 25 anos) empregados, três têm vínculo precário.
A alternativa, para a USL, serão «políticas que assumam como prioridade o emprego com direitos, o aumento real dos salários e a valorização do trabalho».


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