Arquivadas queixas contra o ex-primeiro-ministro

Alkatiri ilibado exige desculpas

A Procuradoria-Geral da República de Timor-Leste arquivou o processo-crime contra Mari Alkatiri, ilibando o ex-primeiro-ministro de todas as acusações.

«O próximo sufrágio pode demonstrar de que lado está o povo»

Em conferência de imprensa realizada em Díli, segunda-feira, Alkatiri confirmou ter sido «finalmente notificado pela Procuradoria-Geral da República de que o processo foi arquivado por falta de provas».
Aberto em Junho do ano passado na sequência da crise política e militar ocorrida nos meses de Abril e Maio em Timor, a acção contra o então chefe do governo indiciava-o como principal responsável pela distribuição de armas a civis e pela consequente quebra da disciplina no seio das forças armadas.
Seis meses depois, o que resulta do apuramento dos factos revela que as acusações contra o ex-primeiro-ministro não tinham base de sustentação, por isso, considerando a decisão agora tomada por aquela instância judicial, o líder da Fretilin exige que o Presidente da República, Xanana Gusmão, e o actual primeiro-ministro, José Ramos Horta, «saibam reconhecer publicamente o erro» que esteve na base da sua demissão.
No encontro com os jornalistas, Alkatiri considerou que «a justiça está de parabéns» e que a decisão é «correcta e com fundamentações lógicas», mas, passando ao ataque após meses de silêncio e contenção, o dirigente deixou claro que Xanana e Ramos Horta «vão ter que se retractar», até porque, sublinhou, «eles sabem perfeitamente os corredores que fizeram para me forçarem a sair do Governo».

Nas urnas pela verdade

«Tenho vários canais para usar mas acho que ainda podemos acreditar na grandeza moral dos nossos líderes. Que eles saibam reconhecer o erro. Não quero usar as leis e de novo o sistema judicial para repor, na sua totalidade, o meu nome e a minha imagem», acrescentou Alkatiri.
«Aqueles que acusaram são culpados de alguma coisa», disse ainda Alkatiri, que para além do legítimo pedido de desculpas dos correntes titulares dos órgãos de soberania, reclama «também de líderes religiosos que pregam a moral» que « agora tenham dignidade».
A clarificação das suspeitas que sobre ele pesavam levam Alkatiri a dizer que «se abriu uma nova página» e, nessa medida, mostra disponibilidade para se apresentar às urnas nas eleições presidenciais do próximo mês de Abril, entretanto agendadas por Xanana Gusmão.
Não se trata de vingança ou de «declarar guerra a ninguém», explicou o ex-primeiro-ministro, mas de «mostrar de que lado está o povo» no sufrágio que se avizinha, processo ao qual Alkatiri promete dedicar-se com afinco esperando «que de futuro não haja mais golpes, baixos ou não».

Polémica eleitoral

Antes de ser dado a conhecer o arquivamento do processo-crime contra Mari Alkatiri, a notícia em Timor era o anuncio da data das eleições presidenciais, agendadas para 9 de Abril, segunda-feira, um dia depois do fim-de-semana em que a comunidade católica celebra a Páscoa.
Aparentemente, a data escolhida por Xanana Gusmão e anunciada sexta-feira da semana passada, colhe o apoio da hierarquia da igreja católica e do primeiro-ministro em exercício, Ramos Horta, mas levanta sérias dúvidas à Fretilin.
Horta manifestou-se «solidário com qualquer data» que Xanana viesse a escolher e destacou que o mais importante é que o acto decorra num clima de pacificação. No que à polémica sobre a constitucionalidade da decisão presidencial diz respeito, Horta afirmou que a lei pode ser interpretada de várias maneiras, e quando questionado sobre uma possível candidatura, o primeiro-ministro mostrou-se evasivo mas admitiu tal hipótese.
Reagindo à declaração de Xanana, Mari Alkatiri não colocou de parte a possibilidade do partido pedir a «inconstitucionalidade ou ilegalidade» da medida. Segundo o secretário-geral da Fretilin, o que está em causa é o cumprimento do texto fundamental do país, por isso não se percebe «por que se marcou uma eleição e não se marcou outra», aludindo à obrigatoriedade de convocação de legislativas.
«O novo Presidente da República não pode ser empossado por um parlamento em fim de mandato. Tem de tomar posse com a nova assembleia», aclarou Mari Alkatiri, para quem ainda há «tempo de respeitar a Constituição e organizar as eleições legislativas até 20 de Maio».


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