Comentário

Timor-Leste independente!

Pedro Guerreiro
A par da defesa dos interesses dos trabalhadores e do País, a intervenção do PCP - partido patriótico e internacionalista - no Parlamento Europeu é pautada pela solidariedade para com todos os povos do mundo.
Deste modo, o PCP integrou uma delegação do PE que se deslocou a Timor-Leste, no início de Novembro, onde reafirmou a sua solidariedade para com o povo timorense e a FRETILIN e a sua luta pela construção de um Estado independente e soberano, numa situação caracterizada por uma grande complexidade e marcada por inaceitáveis ingerências externas.
Após uma heróica luta de libertação nacional liderada pela FRETILIN, que colocou fim a séculos de colonização e a dezenas de anos de ocupação estrangeira, o povo de Timor-Leste iniciou a edificação de um Estado e a definição de um projecto de desenvolvimento, consignado em Constituição, em 2002.
A FRETILIN, após ter ganho de forma peremptória as eleições e herdando um país devastado pela destruição indonésia, toma em mãos a titânica tarefa da construção não de um qualquer estado tutelado, seja pela ONU ou por uma qualquer potência, mas de um Estado onde o povo timorense decida do seu presente e futuro, do seu projecto de desenvolvimento nacional - incluindo a utilização dos seus recursos naturais - ou dos princípios que regem as suas relações internacionais.
As tarefas e desafios são gigantescos. Dar resposta imediata às necessidades básicas das populações. Criar as instituições do Estado. Instalar e promover o funcionamento da administração central e local. Colocar em funcionamento sistemas públicos de saúde e de educação. Incrementar a actividade económica. Negociar acordos de âmbito internacional ou bilateral, designadamente com a Austrália quanto à exploração dos importantes recursos naturais (petróleo e gás). Sendo de sublinhar que o Governo timorense a tudo teve que dar resposta partindo de um quadro orçamental que só a partir de 2005/2006 contou com os recursos financeiros necessários para iniciar efectivamente a concretização do seu programa de desenvolvimento nacional, precisamente quando eclode a actual crise.

Um exemplo incómodo

Naturalmente a construção de um Estado é um processo complexo, que se confronta com inúmeras dificuldades e contradições internas e externas. Tanto mais quando se trata da afirmação de um Estado independente e soberano, democrático e progressista, que é encarado com desconfiança e colide com os interesses e ambições imperialistas da grande potência regional, a Austrália (e do seu aliado, os EUA), recorde-se, o único pais a reconhecer a ocupação indonésia, que firmou com esta acordos para a exploração dos recursos naturais de Timor-Leste. Austrália que tem incrementado a sua presença, nomeadamente militar, em toda a área do Sudoeste do Pacífico, seja nas Ilhas Fiji, nas Ilhas Salomão ou na Papua-Nova Guiné.
Daí serem recorrentes as tentativas internas e externas de, utilizando dificuldades, erros e contradições, interromper e, se possível, inverter o processo de edificação do Estado de Timor-Leste, designadamente: procurando colocar em causa as suas instituições e o seu pleno funcionamento (logo, o garante da soberania deste jovem País), promovendo a divisão e o enfraquecimento da FRETILIN, aliciando ou alimentando a divisão e o desmantelamento das heróicas FALINTIL - Forças de Defesa de Timor-Leste (FDTL), criando e alimentando todo o género de divisões entre o povo timorense, fomentando a insegurança no País.
Perante esta difícil situação e face a todas as tentativas de desestabilização interna e ingerência externa que continuam a encerrar grandes perigos e ameaças, a FRETILIN tem respondido com responsabilidade, disciplina e firmeza políticas, defendendo as instituições e a soberania nacional, pugnando pela resolução dos problemas das populações deslocadas e pela segurança no País, reforçando a sua ligação ao povo, procurando criar assim as condições para derrotar a conspiração antidemocrática e de carácter golpista em curso, de forma a relançar o processo de edificação do Estado e a prossecução do projecto de desenvolvimento do País, neste momento interrompidos.
É neste quadro complexo que está apontada a realização de eleições parlamentares e presidenciais para o fim do primeiro trimestre de 2007, cumprindo o calendário eleitoral estipulado para o Parlamento Nacional e a Presidência da República. Eleições para as quais a FRETILIN se prepara, com plena consciência dos perigos e ameaças, mas igualmente com a confiança do exemplo forjado na luta, que leva um membro de uma congregação religiosa a afirmar à delegação do PE que: a FRETILIN é o povo..., e o povo é a FRETILIN.


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