Milhares à espera de uma cirurgia

O número de doentes que aguardam por uma operação ascende, hoje, certamente, os 224 mil, segundo uma estimativa avançada recentemente pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde. Na ocasião, fez-se o balanço do Programa Especial de Combate às Listas de Espera em Cirurgia (PECLEC), lançado pelo anterior governo em 2002, e concluiu-se que, na nova lista de inscritos formados desde então, são já 156 mil os portugueses que ultrapassam o tempo definido como clinicamente aceitável: seis meses.
Os números falam por si. O tempo de espera de 45 por cento dos casos era superior a 12 meses, e destes cerca de 12 mil já tinha um tempo de espera superior a 24 meses. Presume-se, portanto, que os restantes 133 mil casos estarão incluídos no intervalo de espera entre 6 e 11 meses.
Mais grave ainda é não saber sequer para quando é a operação, que tanto se necessita, ou mesmo quando a consulta que a antecede é adiada para mais um ano. Em conversa com o Avante!, um leitor, que prefere não revelar o seu nome, contou-nos a sua história.
A doença chama-se vulgarmente por «mãos negras» e os sintomas são muitos, todos eles associados à falta de circulação de sangue.
«No dia 19 de Novembro de 2005 fui chamado a uma consulta de cirurgia vascular no Hospital de Santa Marta. Após ter visto o exame que me havia mandado fazer, o médico, na altura, voltou a marcar uma nova consulta, agora para o dia 27 de Novembro de 2006, um ano depois», relatou o paciente.
Entretanto, marcaram-lhe, no hospital, um novo exame, uns dias antes, supostamente para entregar no dia da consulta de 2006. «Agora, recebo uma carta onde se lê: “Por motivos imprevistos, a consulta de cirurgia vascular do dia 27 de Novembro de 2006 foi alterada para o dia 9 de Julho de 2007», lê o utente, a caminho dos 79 anos de idade, interrogando-se, com grande indignação: «Qual a razão para que haja motivos imprevistos que façam com que a consulta, três meses antes da sua realização, seja adiada para oito meses depois?».
Porque a saúde em Portugal está cada vez pior, fruto das políticas de direita tomadas pelos sucessivos governos, tentando fazer uma comparação, que infelizmente não existe, o utente contou uma história de uma das oito vezes que foi à União Soviética.
«Uma vez em Leninegrado, um companheiro de viagem, que tinha mais uns anos que eu, adoeceu. Falámos com a rapariga que nos acompanhava e passado dez minutos, se tanto, chegou uma ambulância que o levou para o hospital. Examinaram-no da cabeça aos pés e quando lhe deram alta ele perguntou quanto é que era a despesa. Obviamente que lhe disseram que não devia nada», confidenciou, acrescentando: «Isto porque na altura era assim, era, mas agora já não o é!».


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