Campanhas de escandalosa desinformação
O Movimento pela Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez denunciou mais uma campanha de desinformação, orquestrada pelos sectores mais conservadores. Desta vez foi um panfleto distribuído pela Diocese de Coimbra, onde é utilizada a fotografia de um bebé de uma das primeiras signatárias do movimento.
«Queremos chamar à atenção para este tipo de campanhas»
Em conferência de imprensa, realizada na passada semana no Café do Teatro da Comuna, em Lisboa, o movimento pela despenalização do aborto decidiu, por isso, tornar público este caso no momento em que a Assembleia da República vai, de novo, discutir a realização de um referendo sobre o aborto, temendo que, campanhas de escandalosa desinformação como esta, em que a imagem de um bebé é utilizada em total desrespeito pelo próprio, pelos seus pais e pela verdade, possam influenciar o debate.
«Queremos chamar à atenção para este tipo de campanhas, que já tem acontecido, ligadas e relacionadas com a temática da Interrupção Voluntária da Gravidez, e que, de certa forma, tememos que irão reeditar-se nos tempos mais próximos», afirmou Natacha Amaro, do movimento, dando, de imediato, a palavra a Catarina Pires, mãe da criança, também ela do movimento, cuja a imagem foi utilizada num panfleto, distribuído na cidade de Coimbra.
«A morte da criança horroriza qualquer um. E quando não a vemos, podemos tirar-lhe a vida? Pense nisso. Interrompa voluntariamente o aborto». Este era o texto que acompanhava a fotografia do seu filho, com um mês de idade, lado a lado com outra imagem de uma mulher grávida.
«Estranhamente, não foi raiva ou indignação que senti quando olhei para aquele papel, mas incredulidade, só isso. Não me parecia possível. Não, aquele não podia ser o meu filho. Mas era», relatou Catarina, informando os jornalistas que aquela fotografia fora tirada, sem autorização, de uma edição da revista Notícias Magazine, e usada, pela Diocese de Coimbra, «para uma campanha “terrorista”».
«Sim, a mim pareceu-me “terrorista”, talvez seja exagero ou talvez seja só porque sou mãe e tive que ver a imagem do meu bebé associada à ideia de morte e de assassínio», afirmou, acentuando: «Ainda por cima e não sei porque estranha ironia, acontecer-me isto a mim, que sempre fui defensora empenhada do direito da mulher a interromper a gravidez sem ter que recorrer ao aborto clandestino nem ser julgada e condenada como se de uma criminosa se tratasse».
Denunciar manipulações
O passo seguinte foi proceder judicialmente contra os autores desta «infâmia». Passado algum tempo, Catarina Pires recebeu uma carta do Ministério Público onde se destacavam as palavras «Notificação de Arquivamento». Foi ai que a indignação se manifestou em força.
A parágrafos tantos a dita carta reza assim: «Donde se conclui que, a partir do momento em que foi consentida a reprodução da imagem pelo titular do direito respectivo – no caso em apreço os legais representantes do menor – qualquer posterior utilização da mesma imagem não está penalmente tutelada. A menos que essa posterior utilização coloque em crise outros valores com tutela penal, como por exemplo a honra ou a autodeterminação sexual, o que não ocorre no caso vertente.»
«Até agora, apesar de ter sido considerada a hipótese de tornar público esta caso, que considero escandaloso, não o fiz, porque sou jornalista e prefiro fazer noticias do que ser objecto delas. Mas o facto de ter sido anunciado que mais uma vez o Governo PS se prepara para fazer depender a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez de um referendo, a ser discutido na Assembleia da República, a 19 de Outubro, e a convicção de que se assim for o voto dos portugueses nesta matéria será influenciado por campanhas deste tipo, não me deixou outra alternativa senão denunciar a espécie de manipulações de que a igreja católica e alguns movimentos ditos pela vida irão socorrer-se para impedir que mais uma vez se avance para a lei que permita à mulher decidir até às 10 semanas se quer levar por diante uma gravidez indesejada», lamentou Catarina Pires.
«Queremos chamar à atenção para este tipo de campanhas, que já tem acontecido, ligadas e relacionadas com a temática da Interrupção Voluntária da Gravidez, e que, de certa forma, tememos que irão reeditar-se nos tempos mais próximos», afirmou Natacha Amaro, do movimento, dando, de imediato, a palavra a Catarina Pires, mãe da criança, também ela do movimento, cuja a imagem foi utilizada num panfleto, distribuído na cidade de Coimbra.
«A morte da criança horroriza qualquer um. E quando não a vemos, podemos tirar-lhe a vida? Pense nisso. Interrompa voluntariamente o aborto». Este era o texto que acompanhava a fotografia do seu filho, com um mês de idade, lado a lado com outra imagem de uma mulher grávida.
«Estranhamente, não foi raiva ou indignação que senti quando olhei para aquele papel, mas incredulidade, só isso. Não me parecia possível. Não, aquele não podia ser o meu filho. Mas era», relatou Catarina, informando os jornalistas que aquela fotografia fora tirada, sem autorização, de uma edição da revista Notícias Magazine, e usada, pela Diocese de Coimbra, «para uma campanha “terrorista”».
«Sim, a mim pareceu-me “terrorista”, talvez seja exagero ou talvez seja só porque sou mãe e tive que ver a imagem do meu bebé associada à ideia de morte e de assassínio», afirmou, acentuando: «Ainda por cima e não sei porque estranha ironia, acontecer-me isto a mim, que sempre fui defensora empenhada do direito da mulher a interromper a gravidez sem ter que recorrer ao aborto clandestino nem ser julgada e condenada como se de uma criminosa se tratasse».
Denunciar manipulações
O passo seguinte foi proceder judicialmente contra os autores desta «infâmia». Passado algum tempo, Catarina Pires recebeu uma carta do Ministério Público onde se destacavam as palavras «Notificação de Arquivamento». Foi ai que a indignação se manifestou em força.
A parágrafos tantos a dita carta reza assim: «Donde se conclui que, a partir do momento em que foi consentida a reprodução da imagem pelo titular do direito respectivo – no caso em apreço os legais representantes do menor – qualquer posterior utilização da mesma imagem não está penalmente tutelada. A menos que essa posterior utilização coloque em crise outros valores com tutela penal, como por exemplo a honra ou a autodeterminação sexual, o que não ocorre no caso vertente.»
«Até agora, apesar de ter sido considerada a hipótese de tornar público esta caso, que considero escandaloso, não o fiz, porque sou jornalista e prefiro fazer noticias do que ser objecto delas. Mas o facto de ter sido anunciado que mais uma vez o Governo PS se prepara para fazer depender a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez de um referendo, a ser discutido na Assembleia da República, a 19 de Outubro, e a convicção de que se assim for o voto dos portugueses nesta matéria será influenciado por campanhas deste tipo, não me deixou outra alternativa senão denunciar a espécie de manipulações de que a igreja católica e alguns movimentos ditos pela vida irão socorrer-se para impedir que mais uma vez se avance para a lei que permita à mulher decidir até às 10 semanas se quer levar por diante uma gravidez indesejada», lamentou Catarina Pires.