Concordâncias
Escreveu Vasco Pulido Valente a propósito do chamado pacto sobre a Justiça que «o PSD existe porque representa uma visão de sociedade incompatível, ou pelo menos diferente, com o PS», concluindo que «se concordar com ele não precisa de existir».
Registada a tese, expressão provável do que VPV idealiza no seu universo de direita, demonstre-se quanto ela é, em termos substanciais, não só imprecisa como manifestamente equivoca. Conceda-se que, do ponto de vista do estrito objectivo da luta pelo poder, da disputa da representação política, da satisfação das clientelas próprias em que um e outro rivalizam, há e haverá interesses próprios que os individualizam e distanciam. Admita-se, e reconheça-se, que do ponto de vista da origem, percurso e sobretudo da base social de apoio de um e outro, diferenças há a não omitir na avaliação especifica que, enquanto partidos, sobre eles se fizer.
Mas, aqui chegados, é preciso dizer que as diferenças essenciais não só estão à beira de se esgotar como a esforçada intenção de VPV em identificar eventuais incompatibilidades em matéria de acção e orientação política entre aqueles dois partidos o levará, e sem sucesso, ao esgotamento. Trinta anos seriam suficientes para Pulido Valente ter já verificado que o percurso da ofensiva de direita contra os direitos e as transformações sociais conquistadas com Abril, é um percurso pleno de convergências e abundantes coincidências entre PS e PSD em matérias fundamentais. Seja qual fosse o objectivo de VPV — salvar o PSD de uma diluição total na política do governo PS, resgatar este da amálgama de direita ou verberar o patrocínio dado por Cavaco ao citado pacto — o esforço está condenado ao inêxito. Em matéria de políticas e interesses de classe as fronteira entre um e outro há muito que se foram. O apurado sentido de oportunidade manifestados pelo capital financeiro e os grandes grupos económicos são prova bastante de que, em matéria de confiança, não só não há distinções como, porventura, em termos de fiabilidade para os interesses daqueles o PS bate aos pontos o PSD.
O acordo no domínio da Justiça não é, seguramente, caso isolado nem razão de espanto. As possibilidades de alastrar a outras matérias é uma ameaça real. Os sinais deixados de uma aproximação do PS às exigências do PSD em matéria de lei eleitoral e redução de deputados, o esforçado exercício posto em marcha por Cavaco para patrocinar a agenda da direita e a larga coincidência de objectivos no ataque à segurança social (que os jogos de palavras entre Sócrates e Mendes não iludem) serão razão para que VPV conclua que as coincidências longe de fazerem perigar a vida do PSD são garantia de sobrevivência das políticas de direita.
Registada a tese, expressão provável do que VPV idealiza no seu universo de direita, demonstre-se quanto ela é, em termos substanciais, não só imprecisa como manifestamente equivoca. Conceda-se que, do ponto de vista do estrito objectivo da luta pelo poder, da disputa da representação política, da satisfação das clientelas próprias em que um e outro rivalizam, há e haverá interesses próprios que os individualizam e distanciam. Admita-se, e reconheça-se, que do ponto de vista da origem, percurso e sobretudo da base social de apoio de um e outro, diferenças há a não omitir na avaliação especifica que, enquanto partidos, sobre eles se fizer.
Mas, aqui chegados, é preciso dizer que as diferenças essenciais não só estão à beira de se esgotar como a esforçada intenção de VPV em identificar eventuais incompatibilidades em matéria de acção e orientação política entre aqueles dois partidos o levará, e sem sucesso, ao esgotamento. Trinta anos seriam suficientes para Pulido Valente ter já verificado que o percurso da ofensiva de direita contra os direitos e as transformações sociais conquistadas com Abril, é um percurso pleno de convergências e abundantes coincidências entre PS e PSD em matérias fundamentais. Seja qual fosse o objectivo de VPV — salvar o PSD de uma diluição total na política do governo PS, resgatar este da amálgama de direita ou verberar o patrocínio dado por Cavaco ao citado pacto — o esforço está condenado ao inêxito. Em matéria de políticas e interesses de classe as fronteira entre um e outro há muito que se foram. O apurado sentido de oportunidade manifestados pelo capital financeiro e os grandes grupos económicos são prova bastante de que, em matéria de confiança, não só não há distinções como, porventura, em termos de fiabilidade para os interesses daqueles o PS bate aos pontos o PSD.
O acordo no domínio da Justiça não é, seguramente, caso isolado nem razão de espanto. As possibilidades de alastrar a outras matérias é uma ameaça real. Os sinais deixados de uma aproximação do PS às exigências do PSD em matéria de lei eleitoral e redução de deputados, o esforçado exercício posto em marcha por Cavaco para patrocinar a agenda da direita e a larga coincidência de objectivos no ataque à segurança social (que os jogos de palavras entre Sócrates e Mendes não iludem) serão razão para que VPV conclua que as coincidências longe de fazerem perigar a vida do PSD são garantia de sobrevivência das políticas de direita.