O multiusos
O ministro da Administração Interna, António Costa, é um governante para todas as estações (já foi quatro vezes ministro e, uma, secretário de Estado, sem falar das funções dirigentes que desempenhou como vereador em Loures e em vários cargos na orgânica do PS, tudo isto em 45 anos de vida, o que é obra), pelo que não admira a habilidade que adquiriu a compor e gerir uma imagem pública. No actual cargo tem sido primoroso: só fala quando há anúncios positivos a fazer (como reequipamentos policiais), deixando para os secretários de Estado as medidas escandalosas (como a reforma compulsiva de dirigentes sindicais da PSP ordenada pelo ex-comunista José Magalhães), na actual crise dos incêndios interrompe as férias pessoais e aparece, ao vivo, nos locais mais fustigados, ao contrário dos seus colegas também ligados ao drama dos incêndios, como os ministros da Agricultura e do Ambiente, ambos desaparecidos em lazer em plena crise, ou mesmo o próprio Primeiro-Ministro José Sócrates, que o ano passado não interrompeu as suas férias em África quando o País enfrentou a mais trágica vaga de incêndios das últimas décadas, que incluiu 20 mortes directas, ou também este ano, onde de novo está a gozar o descansozinho de Agosto, agora no Brasil, sempre indiferente às labaredas que, nestes dias e por acaso aqui mesmo ao lado, até já levaram o primeiro-ministro espanhol Zapatero a visitar a Galiza.
Como se vê, António Costa sabe comportar-se, na perfeição, como um governante empenhado e laborioso. Longe vai o tempo em que, como vereador em Loures, confundia originalidade com bizarria ao propagandear-se, nas eleições autárquicas, com corridas entre burros e Ferraris.
Na actual crise de incêndios, que acompanha com minúcia, o ministro António Costa tem falado e reagido com eficácia a eventuais críticas inesperadas.
Foi, por exemplo, o caso das suas afirmações sobre as responsabilidades dos incêndios, que começou por imputar à falta de limpeza das matas, apontando assim o dedo à generalidade dos proprietários privados da floresta, onde impera o pequeno produtor.
Perante a indignada resposta do representante dos produtores florestais, que recordou ser o Estado que dava os piores exemplos de falta de limpeza nas matas nacionais à sua guarda, onde o caos imperava com a excepção do pinhal de Leiria, o ministro fez rapidamente chegar aos jornais, com relevo para o muito disponível Diário de Notícias, esclarecimentos de «fontes do MAI» devidamente não identificadas concordando que «obviamente, as entidades públicas devem ser exemplares» na questão da limpeza florestal, pois «só assim o Estado poderá exigir o mesmo aos privados», contra-resposta que só mostra como está bem oleada a assessoria de imprensa do ministro que, por si próprio, não perdeu tempo a criar um novo «facto político» positivo para a sua imagem, agora declarando que «a prevenção não produziu os resultados desejados» e que a floresta «não está como devia estar», afirmações consideradas «críticas» dos ministros do Ambiente e da Agricultura - responsáveis pela negregada prevenção... -, ao mesmo tempo que elogiava rasgadamente todo o dispositivo de combate aos incêndios, esse, pois claro, da sua própria competência.
Com tudo isto, o ministro António Costa já garantiu a «melhor avaliação ministerial» no Barómetro Marktest/DN/TSF de Julho. É claro que este facto, como todas as medidas que entretanto anunciou como «determinantes» para travar os incêndios, não impediu uma única «ignição» (como ele agora diz) no braseiro que de novo consome o País.
Mas há-de consolidar-lhe o perfil de governante multiusos.
Como se vê, António Costa sabe comportar-se, na perfeição, como um governante empenhado e laborioso. Longe vai o tempo em que, como vereador em Loures, confundia originalidade com bizarria ao propagandear-se, nas eleições autárquicas, com corridas entre burros e Ferraris.
Na actual crise de incêndios, que acompanha com minúcia, o ministro António Costa tem falado e reagido com eficácia a eventuais críticas inesperadas.
Foi, por exemplo, o caso das suas afirmações sobre as responsabilidades dos incêndios, que começou por imputar à falta de limpeza das matas, apontando assim o dedo à generalidade dos proprietários privados da floresta, onde impera o pequeno produtor.
Perante a indignada resposta do representante dos produtores florestais, que recordou ser o Estado que dava os piores exemplos de falta de limpeza nas matas nacionais à sua guarda, onde o caos imperava com a excepção do pinhal de Leiria, o ministro fez rapidamente chegar aos jornais, com relevo para o muito disponível Diário de Notícias, esclarecimentos de «fontes do MAI» devidamente não identificadas concordando que «obviamente, as entidades públicas devem ser exemplares» na questão da limpeza florestal, pois «só assim o Estado poderá exigir o mesmo aos privados», contra-resposta que só mostra como está bem oleada a assessoria de imprensa do ministro que, por si próprio, não perdeu tempo a criar um novo «facto político» positivo para a sua imagem, agora declarando que «a prevenção não produziu os resultados desejados» e que a floresta «não está como devia estar», afirmações consideradas «críticas» dos ministros do Ambiente e da Agricultura - responsáveis pela negregada prevenção... -, ao mesmo tempo que elogiava rasgadamente todo o dispositivo de combate aos incêndios, esse, pois claro, da sua própria competência.
Com tudo isto, o ministro António Costa já garantiu a «melhor avaliação ministerial» no Barómetro Marktest/DN/TSF de Julho. É claro que este facto, como todas as medidas que entretanto anunciou como «determinantes» para travar os incêndios, não impediu uma única «ignição» (como ele agora diz) no braseiro que de novo consome o País.
Mas há-de consolidar-lhe o perfil de governante multiusos.