Informação e democracia
«Existe uma relação inversamente proporcional entre a vasta influência da imprensa na actualidade e o tamanho do grupo que pode utilizá-la para expressar suas opiniões. Enquanto a importância da imprensa para o povo aumentou enormemente com o seu desenvolvimento como meio de comunicação de massa, diminuiu em grande escala a proporção de pessoas que podem expressar suas opiniões e ideas através da imprensa».
Assim advertia em 1947, no seu relatório final, a Comissão sobre a Liberdade de Imprensa, nomeada pelo Congresso dos Estados Unidos.
Muita água correu pelos rios desde então.
As recomendações desse relatório reflectem o espírito do tempo. O mundo acabara de derrotar a forma mais bárbara do imperialismo - o nazi-fascismo. Corria um vento de liberdade, em que a força do socialismo e o seu papel na derrota do nazi-fascismo criaram novos espaços aos direitos do homem e ao aperfeiçoamento do controle democrático do Estado e do poder privado. E o capitalismo ainda não tivera forças para iniciar a sua contra-ofensiva, com o lançamento da guerra fria.
Hoje, 90% da informação internacional é fornecida pelos Estados Unidos, com um poder monopolista que viola os direitos reconhecidos como essenciais no relatório de 1947. Basta, por exemplo, olhar com um mínimo de senso crítico os noticiários sobre a agressão ao Líbano ou a política de agressão americana no Médio Oriente, para se pensar se a informação a que temos acesso favorece ou dificulta o esclarecimento ou se transformou no seu contrário.
O capital viu a importância de controlar os meios de divulgação e formação de opinião no mundo inteiro, nas mãos de grandes empresas dele dependentes,
num cenário de alastramento do seu controle através de transformações qualitativas ao nível dos regimes económicos e políticos, na sequência da «unipolarização» imperialista.
Trata-se de um fenómeno de extensão universal do regime de organização da produção e reprodução das culturas e mentalidades a partir dos interesses e conceitos do capitalismo na sua fase actual, pudicamente chamada de «globalização», apresentada como «incontornável» na sua forma imperialista, para um horizonte económico e social que visa a exploração a fundo de todas as possibilidades comandadas por um objectivo obsecaante de extracção e maximização das mais-valias, privadamente embolsáveis sob a forma de lucro.
Claro que tais objectivos não seriam aceitáveis se apresentados sem rebuço. Essencial, pois, é o controlo inflexível e padronizado mas com intervalos de variação socialmente e ideologicamente consentidos, o que permite oferecer uma aparência de diversidade na base de uma intocável matriz dominante.
Obviamente, a democracia neste cenário fica reduzida a um espaço aceleradamente cada vez mais condicionado e limitado.
Assim o dizia a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade de imprensa.
Em 1947...
Assim advertia em 1947, no seu relatório final, a Comissão sobre a Liberdade de Imprensa, nomeada pelo Congresso dos Estados Unidos.
Muita água correu pelos rios desde então.
As recomendações desse relatório reflectem o espírito do tempo. O mundo acabara de derrotar a forma mais bárbara do imperialismo - o nazi-fascismo. Corria um vento de liberdade, em que a força do socialismo e o seu papel na derrota do nazi-fascismo criaram novos espaços aos direitos do homem e ao aperfeiçoamento do controle democrático do Estado e do poder privado. E o capitalismo ainda não tivera forças para iniciar a sua contra-ofensiva, com o lançamento da guerra fria.
Hoje, 90% da informação internacional é fornecida pelos Estados Unidos, com um poder monopolista que viola os direitos reconhecidos como essenciais no relatório de 1947. Basta, por exemplo, olhar com um mínimo de senso crítico os noticiários sobre a agressão ao Líbano ou a política de agressão americana no Médio Oriente, para se pensar se a informação a que temos acesso favorece ou dificulta o esclarecimento ou se transformou no seu contrário.
O capital viu a importância de controlar os meios de divulgação e formação de opinião no mundo inteiro, nas mãos de grandes empresas dele dependentes,
num cenário de alastramento do seu controle através de transformações qualitativas ao nível dos regimes económicos e políticos, na sequência da «unipolarização» imperialista.
Trata-se de um fenómeno de extensão universal do regime de organização da produção e reprodução das culturas e mentalidades a partir dos interesses e conceitos do capitalismo na sua fase actual, pudicamente chamada de «globalização», apresentada como «incontornável» na sua forma imperialista, para um horizonte económico e social que visa a exploração a fundo de todas as possibilidades comandadas por um objectivo obsecaante de extracção e maximização das mais-valias, privadamente embolsáveis sob a forma de lucro.
Claro que tais objectivos não seriam aceitáveis se apresentados sem rebuço. Essencial, pois, é o controlo inflexível e padronizado mas com intervalos de variação socialmente e ideologicamente consentidos, o que permite oferecer uma aparência de diversidade na base de uma intocável matriz dominante.
Obviamente, a democracia neste cenário fica reduzida a um espaço aceleradamente cada vez mais condicionado e limitado.
Assim o dizia a Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade de imprensa.
Em 1947...