Discriminação dos fumadores

Abusos do patronato

A Comissão Europeia considera que as empresas têm o direito de recusar emprego a uma pessoa apenas porque esta é fumadora e lembra que apoia a interdição de fumar no local de trabalho.

As leis eu­ro­peias não de­fendem fu­ma­dores da dis­cri­mi­nação la­boral

O caso foi levantado pela deputada britânica, Catherine Stihler, que resolveu questionar a Comissão Europeia a propósito de um anúncio de oferta de emprego de uma empresa irlandesa que excluía expressamente os fumadores de uma eventual candidatura.
Indignada com tal discriminação, a deputada interpelou o comissário do Emprego, Vladimir Spidla, sobre a conformidade de tal procedimento com o direito comunitário.
A resposta não podia ser mais surpreendente: «Um anúncio de emprego afirmando que os fumadores devem abster-se de concorrer» não se inclui em nenhuma das discriminações interditas pelos textos comunitários. Spilda aproveitou ainda para lembrar que a Comissão «apoia fortemente a interdição de fumar nos locais de trabalho»
Esta interpretação suscitou de imediato o protesto de organizações sindicais, levantando objecções mesmo entre associações antitabagistas.

Carta branca ao pa­tro­nato

Na segunda-feira, dia 7, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) manifestou-se «preocupada» com o facto de as empresas poderem recusar emprego a fumadores sem que tal acto seja considerado como uma discriminação.
«A Comissão Europeia tem razão de dizer que as disposições do tratado sobre a não discriminação não se referem a práticas individuais dos fumadores», admitiu Tom Jenkins, assessor do secretário-geral da CES John Monks. «No entanto, é preocupante que tal seja interpretado» como uma «carta branca» ao empregador para «discriminar no recrutamento», uma vez que o fumador não comete «nenhuma infracção à lei europeia ou nacional».
Jenkins considerou ainda que «não é por não estar no tratado que se pode fazer o que se quiser», notando que tal interpretação pode abrir a porta «a todo o tipo de abusos».
Opinião semelhante expressou o presidente da associação francesa «Aliança contra o Tabaco», Gérard Dubois, interrogando-se sobre «o que poderá acontecer a uma pessoa que comece ou recomece a fumar?». Notando que em França as empresas não podem questionar o candidatos sobre tal assunto, Dubois lembrou que «um local sem fumo não significa um local sem fumadores. Os comboios e os aviões não são proibidos aos fumadores».
No mesmo dia, a porta-voz do comissário europeu do Emprego, insistia que, à luz da legislação europeia, apenas são proibidas discriminações com base no sexo, orientação sexual, idade, deficiência, origem racial ou étnica, religião ou credo, mas não aos fumadores.
No entanto, ressalvou que a Comissão «não está contra o facto de que os fumadores encontrem trabalho», disse Katharina von Schnurbein, em nome da executivo comunitário que parece ter encontrado nas arbitrariedades do patronato um poderoso aliado para o combate contra o tabagismo que trava desde há anos.


Mais artigos de: Europa

O fim do poder «laranja»

O parlamento ucraniano aprovou, na sexta-feira, dia 4, a designação de Viktor Ianukovitch para o cargo de primeiro-ministro, cinco meses passados sobre as legislativas, cujos resultados penalizaram os partidos da chamada «revolução laranja».

Independentistas aprovam declaração

Organizações políticas da Córsega, Bretanha, Ocitânia, Martinica, Guiana, Catalunha, Polinésia e País Basco aprovaram no sábado, dia 5, uma declaração comum em que reclamam que o Estado Francês reconheça o direito de autodeterminação de cada uma destas nações.O documento foi subscrito durante as jornadas internacionais...

Governo veta fusão nas auto-estradas

O governo italiano rejeitou, no sábado, dia 5, a tomada de controlo do concessionário nacional de auto-estradas Autostrade pelo homólogo espanhol Abertis, fusão que daria origem ao maior grupo mundial do sector.Em carta conjunta, dirigida à autoridade nacional das auto-estradas, o ministro italiano das Finanças, Tommaso...

Dependência do álcool aumenta

Os ingleses estão a desenvolver uma dependência perigosa do álcool, que é particularmente grave no norte do país e afecta em particular as mulheres, de acordo com dois estudos divulgados na sexta-feira, dia 4.Os investigadores da Universidade John Moores de Liverpool e do Observatório da Saúde Pública do Noroeste...

<em>Alertas</em>

Estamos a menos de um ano da Presidência Portuguesa da União Europeia, que será no segundo semestre de 2007, estando ainda presente na memória o que foi a última Presidência, no primeiro semestre de 2000, quando era primeiro-ministro o engenheiro António Guterres. Foi, então, aprovada a estratégia de Lisboa, recentemente...