«Combate ao terrorismo» revela-se

EUA continuam massacres

Sob a capa do «combate ao terrorismo» e das operações «cirúrgicas» com o objectivo de «golpear as células» da al-qaeda no Iraque, o exército norte-americanos continua a levar a cabo um conjunto de massacres no país perante a passividade da dita «comunidade internacional».
Terça-feira, em Buchahin, a noroeste da capital iraquiana, outros 13 civis foram assassinados pela aviação dos EUA. Segundo o comando militar ocupante, os indivíduos pertenciam à al-qaeda, mas testemunhos locais desmentem esta versão e asseguram que se tratavam de camponeses que estavam simplesmente a descansar.
Dois dias antes, em Ramadi, na província de al-Anbar, forças do exército dos EUA e do governo colaboracionista de Bagdad puseram a cidade em polvorosa. As estradas de acesso foram cortadas e o fornecimento de electricidade e água potável foi interrompido, deixando antever uma nova investida contra a metrópole, considerada um bastião da resistência. Fontes ligadas ao Crescente Vermelho de Falujah afirmaram que mais de 5 mil pessoas fugiram de Ramadi temendo novo massacre.
Entretanto, as operações militares envolvendo dezenas de milhares de soldados estacionados no Iraque foram mesmo adiante. Neste momento, para além da região de Bagdad, desenrolam-se violentos combates em Ramadi, Falujah e Kerbala. À hora do fecho da nossa redacção não era possível apurar o resultado das operações, mas as últimas informações indicavam o fracasso da campanha repressiva contra a resistência.

Meios de comunicação censurados

O manto de silêncio que os norte-americanos e seus aliados pretendem fazer cair sobre o que se passa nos chamados «teatros de guerra» onde operam tem sido, no entanto, alvo de denúncias regulares.
Em carta enviada aos meios de comunicação afegãos, à qual a BBC teve acesso, o governo de Hamid Karzai proíbe a imprensa, rádio e televisão do país de, entre outras coisas, criticar os militares dos EUA e da NATO, de entrevistar resistentes - considerados no documento como «comandantes do terrorismo» -, de elaborar noticias sobre as acções da resistência ou dar conta do fracasso das operações das autoridades de Kabul durante os conflitos armados.
O gabinete do presidente do Afeganistão veio dizer que o teor do texto tem um sentido «sugestivo», mas os jornalistas locais temem que a censura se faça abater na mesma medida do crescimento das acções de sublevação contra os invasores.
Pela mesma bitola actua o Pentágono. Quarta-feira da semana passada, um grupo de jornalistas foi obrigado a abandonar a Baía de Guantanamo por ordem de responsáveis de Washington, naturalmente pouco contentes com a cobertura dada aos supostos «suicídios» ocorridos no campo de concentração que os norte-americanos gerem na ilha de Cuba. Os advogados foram também proibidos de visitar os reclusos, situação que vem avolumar as suspeitas de que poderão existir testemunhos de outros prisioneiros que confirmem o assassinato dos três detidos.
As autoridades da Arábia Saudita ainda não divulgaram as conclusões das autópsias aos corpos dos dois sauditas mortos em Guantanamo, mas o pai de um dos indivíduos fez saber que o corpo de Yasser Al-Zahraini apresenta indícios de tortura e morte por estrangulamento.


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