A terra a quem trabalha
O presidente da Bolívia afirmou, domingo, não se intimidar perante os agrários e industriais a respeito das nacionalizações e reformas da propriedade em curso no país.
«A actual política deu mais ao povo em poucos meses que 20 anos de orientações neoliberais»
A implementação prática da Revolução Agrária na Bolívia, prometida pelo presidente Evo Morales durante a campanha eleitoral e reafirmada diversas vezes depois da tomada de posse, em Janeiro deste ano, iniciou-se na província de Santa Cruz com a entrega das primeiras parcelas de terra a camponeses pobres.
Morales deslocou-se a uma região onde as ameaças contra a reforma da propriedade fundiária, os camponeses e o novo governo se têm intensificado nas últimas semanas para afiançar que, contrariamente aos dois processos anteriores, este terá o apoio técnico e logístico, os subsídios e as garantias de sustentabilidade necessárias para ter sucesso.
Perante milhares de pessoas e representantes de dezenas de movimentos sociais, Morales esclareceu que a actual política veio para ficar porque «deu mais ao povo em poucos meses que 20 anos de orientações neoliberais», aproveitando para apelar à mobilização popular em torno da assembleia constituinte de Agosto próximo, acto que considerou ainda indispensável para refundar a república e aprofundar as linhas de orientação seguidas pelo executivo que lidera.
Latifundiários ameaçam governo
Quem não está disposto a entregar os privilégios «de mão beijada» são os latifundiários de Santa Cruz, os quais, amiúde, fazem anúncios de retaliação e ameaçam declarar independência, posição que, a concretizar-se, teria o apoio dos EUA e das multinacionais norte-americanas do sector primário, pouco ou nada dispostas a ceder no que concerne à exploração agrícola do cone Sul do continente.
Quarta-feira da semana passada, a Confeagro, estrutura representativa dos grandes proprietários rurais da Bolívia, fez saber que está a constituir «comités de defesa da terra» visando «preservar o património consolidado ao longo de gerações e defender o modelo de desenvolvimento com os meios ao nosso alcance».
O governo respondeu com firmeza avisando que não vai tolerar a constituição de «grupos privados, violentos, organizados por proprietários».
O projecto de reforma agrária na Bolívia pretende distribuir 20 por cento da área cultivável do país a camponeses desfavorecidos. Parte considerável dos terrenos férteis daquela nação sul-americana, cerca de um terço do total do território, encontram-se em Santa Cruz, a maioria propriedade de sete famílias bolivianas e os restantes titulados por fazendeiros absentistas brasileiros que estenderam as suas propriedades para lá dos estados amazónicos. No subsolo da região, encontram-se também as mais ricas jazidas de água, petróleo e gás natural da Bolívia.
Morales deslocou-se a uma região onde as ameaças contra a reforma da propriedade fundiária, os camponeses e o novo governo se têm intensificado nas últimas semanas para afiançar que, contrariamente aos dois processos anteriores, este terá o apoio técnico e logístico, os subsídios e as garantias de sustentabilidade necessárias para ter sucesso.
Perante milhares de pessoas e representantes de dezenas de movimentos sociais, Morales esclareceu que a actual política veio para ficar porque «deu mais ao povo em poucos meses que 20 anos de orientações neoliberais», aproveitando para apelar à mobilização popular em torno da assembleia constituinte de Agosto próximo, acto que considerou ainda indispensável para refundar a república e aprofundar as linhas de orientação seguidas pelo executivo que lidera.
Latifundiários ameaçam governo
Quem não está disposto a entregar os privilégios «de mão beijada» são os latifundiários de Santa Cruz, os quais, amiúde, fazem anúncios de retaliação e ameaçam declarar independência, posição que, a concretizar-se, teria o apoio dos EUA e das multinacionais norte-americanas do sector primário, pouco ou nada dispostas a ceder no que concerne à exploração agrícola do cone Sul do continente.
Quarta-feira da semana passada, a Confeagro, estrutura representativa dos grandes proprietários rurais da Bolívia, fez saber que está a constituir «comités de defesa da terra» visando «preservar o património consolidado ao longo de gerações e defender o modelo de desenvolvimento com os meios ao nosso alcance».
O governo respondeu com firmeza avisando que não vai tolerar a constituição de «grupos privados, violentos, organizados por proprietários».
O projecto de reforma agrária na Bolívia pretende distribuir 20 por cento da área cultivável do país a camponeses desfavorecidos. Parte considerável dos terrenos férteis daquela nação sul-americana, cerca de um terço do total do território, encontram-se em Santa Cruz, a maioria propriedade de sete famílias bolivianas e os restantes titulados por fazendeiros absentistas brasileiros que estenderam as suas propriedades para lá dos estados amazónicos. No subsolo da região, encontram-se também as mais ricas jazidas de água, petróleo e gás natural da Bolívia.