Afegãos e Iraquianos não calam revolta

Ocupantes contestados pelo povo

No Afeganistão e no Iraque, o dia-a-dia das tropas ocupantes é cada vez mais um atoleiro de guerra, fruto do aumento das acções de contestação populares e de ataques da resistência.

«Os EUA destacaram mais 1500 homens que se encontravam no vizinho Kuwait»

Segunda-feira, em Bagdad, a onda de violência provocou a morte a mais de meia centena de pessoas e deixou um número quase impossível de determinar de feridos, entre soldados, agentes das forças de autoridade, membros da resistência e civis.
No bairro de Adhamiya, a explosão de um carro armadilhado junto a uma patrulha da policia matou doze indivíduos.
Ainda na capital iraquiana, em Kazimiyah, a poucos quarteirões do local onde ocorreu o primeiro atentado, outras duas acções violentas espalharam o pânico e a desorientação entre os ocupantes. 14 pessoas morreram nos ataques, e a estas juntam-se as vítimas das acções ocorridas nos chamados bairros xiitas do Sul de Bagdad, habitualmente indicados como dos menos visados pelos confrontos.
Anteontem, o cenário repetiu-se. Grupos da resistência atacaram com obuses de morteiro o edifício do ministério do Interior iraquiano, situado na chamada Zona Verde, a mais militarizada do país. Em sentido inverso, soldados norte-americanos abateram uma mulher que não parou numa barreira de segurança.
No mesmo dia, em Mossul, no Norte, um marine foi morto a tiro durante uma acção de patrulhamento.
Na zona controlada pelo exército britânico, em Bassorá, no Sul do país, domingo representou também uma jornada de ataques da resistência. Dois soldados ingleses morreram quando o veículo militar em que seguiam foi alvo de uma explosão. Números oficiais do ministério da Defesa de Londres dizem que, desde o início da invasão, em 2003, já perderam a vida no Iraque 113 soldados britânicos.
Entretanto, na província de al-Anbar, a Oeste de Bagdad, pólo de concentração da resistência e uma das regiões mais fustigadas pelos massacres do exército norte-americano, os combates não dão tréguas. O último incidente admitido pelo comando dos EUA foi a queda de um helicóptero. Fontes oficiais escusam-se a admitir que a aeronave tenha sido abatida pela resistência, considerando tratar-se de mais um «acidente».
No terreno, os soldados estão mobilizados nas buscas aos dois tripulantes desaparecidos, mas para a Casa Branca a situação está já a tornar-se incomportável. Informações divulgadas terça-feira afirmam que o comando norte-americano destacou um contingente de mais 1500 homens que se encontravam estacionados no vizinho Kuwait para participarem nas acções repressivas em al-Anbar. O objectivo é travar o avanço da resistência, o mesmo que no início do ano levou a uma campanha sem precedentes dos ocupantes, intitulada «Operação Colmeia», cujo saldou foi trágico para as populações locais.

Recolher obrigatório em Cabul

No Afeganistão, as autoridades impuseram, esta segunda-feira, o recolher obrigatório na capital devido às violentas manifestações populares nas ruas de Cabul, das quais resultou a morte de 14 pessoas. Os protestos ocorreram na sequência de um acidente de trânsito envolvendo um veículo militar dos EUA.
Em mensagem televisionada, o presidente afegão, Hamid Karzai, advertiu que tomará «medidas sérias» contra os responsáveis pelos distúrbios na maior cidade do país.
Segundo os registros dos seis hospitais de Cabul, 14 pessoas morreram e outras 142 ficaram feridas, a maioria delas depois de terem sido alvejadas por armas de fogo, mas os números oficiais do comando ocupante e das forças de segurança colaboracionistas indicam apenas cinco vítimas mortais.
O rastilho dos confrontos acendeu-se após um veículo do exército norte-americano ter abalroado três carros civis, fazendo um morto e seis feridos. Milhares de pessoas não contiveram mais a revolta acumulada em cinco anos de ocupação e invadiram as ruas da capital afegã aos gritos de «Morte aos Estados Unidos», «Morte a Karzai» e «Morte à polícia», tendo ainda sido registados diversos ataques a lojas e edifícios oficiais.


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