Vasco Cardoso, dirigente da JCP
e membro da Comissão Política do CC do PCP
«A militância é a nossa força»
O 8.º Congresso da JCP foi marcado duas semanas antes da Festa do Avante!, numa reunião da Direcção Nacional, depois de uma jornada de trabalho na Quinta da Atalaia. Vasco Cardoso, Débora Santos e Valter Ferreira, dirigentes da organização, antecipam o congresso do fim-de-semana e falam sobre a organização.
É possível derrotar a lei das propinas, impedir a aplicação do Processo de Bolonha, lutar por melhores salários... Não estamos resignados.
- Como antecipas o congresso da JCP?
- O Congresso já valeu por tudo aquilo que decorreu nos nove meses de preparação. O Congresso é um ponto de chegada. Antecipamos uma grande acção de afirmação política e ideológica desta força revolucionária e combativa portuguesa que é a JCP, com uma implantação nacional, que vai ter um encontro ímpar. É a primeira vez que um congresso da JCP se realiza no Norte e mais de 60 por cento dos camaradas e dos amigos que lá estão participarão num congresso pela primeira vez. Vai ser um momento de afirmação política e ideológica, mas também um momento de grande alegria e confraternização, o que aliás é um estilo no trabalho e na vida na JCP.
- Como decorreu a preparação do Congresso?
- A preparação do Congresso foi muito diversificada e implicou a capacidade de levar várias coisas por diante ao mesmo tempo. Não trabalhámos para um objectivo de cada vez, mas sim simultaneamente: a campanha de fundos, o recrutamento, os murais, a discussão do projecto de resolução política... Há camaradas novos que foram recrutados neste processo que estão hoje a assumir responsabilidades, outros que estão incluídos na proposta da nova Direcção Nacional que vai ser apresentada ao Congresso. A JCP rejuvenesce-se com grande capacidade. Não temos o mínimo receio de dar tarefas e responsabilidades ao mais jovem quadro, desde que tenha disponibilidade e condições políticas e ideológicas.
Foram feitas largas centenas de discussões do projecto de resolução política e temos quase 400 contributos escritos para o documento. Foi feita uma discussão muito profunda sobre os aspectos de direcção, com o levantamento de nomes nos colectivos, de auscultação a toda a Direcção Nacional. Fizeram-se milhares de acções de propaganda: mais de 120 mil documentos distribuídos, 13 mil cartazes, 200 faixas, cem murais pintados...
Não preparámos o Congresso isolados daquilo que aconteceu no nosso país. Entre 22 de Agosto e 20 de Maio, tivemos duas campanhas eleitorais, três jornadas de luta no ensino secundário, muitas lutas da juventude trabalhadora, houve um grande empenhamento na denúncia do Processo de Bolonha...
- Qual a importância da militância para os militantes e para própria organização?
- A militância é também uma forma de estar na vida. Há uma profunda confiança na JCP, no PCP e nos nossos ideais, como há uma consciência de que essa confiança só terá resultados se cada um de nós, individual e colectivamente, der o seu contributo. Apenas isso explica que muitos jovens prescindam do seu tempo de lazer, de estudo, de férias para contribuírem para o trabalho e para a luta. Sem militância não há organização revolucionária. A militância é a nossa força.
- O País está diferente desde o último congresso? E a JCP?
- Nem o País nem a JCP estão iguais. Mantém-se a mesma linha política no País e acentuaram-se desigualdades. Estamos hoje a discutir questões que não eram colocadas há três anos, sendo que nessa altura tínhamos um governo de direita. Hoje discutimos o encerramento de escolas e maternidades, um corte brutal no subsídio de desemprego, quando hoje o desemprego é maior. A lei das propinas foi entretanto aprovada e os seus valores duplicaram. E há problemas que ainda não se resolveram: as raparigas continuam a ser criminalizadas pelo aborto, a educação sexual continua por implementar, o ensino está cada vez mais longe de ser gratuito... É cada vez mais claro o corte de direitos nas novas gerações.
Com a preparação deste congresso, a JCP está em condições de dar uma grande resposta a esta ofensiva. Não é a JCP que vai por si só interromper esta ofensiva, é a própria juventude, mas a JCP está em condições de poder contribuir para essa importância decisiva que a juventude tem na luta social e política. Mas também há desenvolvimentos positivos. Foram muito importantes estes três resultados eleitorais do Partido para estas novas gerações, para a confiança que lhes dá em relação ao futuro. Uma situação de grande ofensiva e de grandes perigos para a humanidade convive com a existência de grandes possibilidades de resistir e avançar, a nível nacional e internacional.
- Como se enquadra a JCP na realidade política e social portuguesa e europeia?
- Nós somos a organização de juventude do PCP e a resposta está intimamente ligada ao que o PCP faz no País e no mundo. O maior contributo que podemos dar à luta geral dos povos no plano internacional é o que fizermos no nosso próprio país. Dar consciência política e social à juventude, abrir caminho às possibilidades de transformação na sociedade, de organizar e desenvolver a luta é o papel essencial da JCP. Queremos ter uma organização para intervir. É possível derrotar a lei das propinas, impedir a aplicação do Processo de Bolonha, lutar por melhores salários, o regresso das tropas portuguesas do estrangeiro, interromper a ofensiva contra os serviços públicos... Não estamos resignados.
- Qual a importância da JCP para o sucesso do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes? Qual a importância deste sucesso para a JCP?
- Sempre demos um contributo importante para o festival, nos comités organizadores internacionais. Agora foi diferente porque o plano internacional é outro e porque a JCP ocupa a presidência da Federação Mundial da Juventude Democrática, que tem um papel determinante no festival. Este festival foi muito importante na retoma do movimento dos festivais e do seu carácter anti-imperialista, pela participação popular e pelo conteúdo.
850 novos militantes desde Setembro
- A Direcção Nacional apontou como objectivo inscrever mil novos militantes e recolher 60 mil euros na campanha de fundos, entre Setembro e o Congresso. Foi cumprido?
- Ainda estamos a centralizar fichas de inscrição, mas devemos chegar muito perto dos mil recrutamentos. No fim-de-semana estavam apurados 850 novos membros e, se não alcançarmos o nosso objectivo, ficaremos muito próximos.
- Quais são as áreas com mais recrutamentos?
- O essencial dos recrutamentos continua a ser o ensino secundário, com mais de 50 por cento. Depois os jovens trabalhadores e o ensino superior. Isto percebe-se pela expressão de massas de cada sector e pela própria influência da JCP. Há uma expressão equilibrada do ponto de vista nacional. Podíamos estar a atingir os mil recrutamentos e só termos novos militantes em Lisboa e Setúbal, mas não é isso que está a acontecer. Vila Real, por exemplo, dobrou a meta de recrutamentos. Tenho aqui comigo duas fichas vindas dos Açores...
- Como é que se consegue tantos recrutamentos em sítios onde tradicionalmente os comunistas não têm muita influência?
- Isso até pode levar a uma reflexão mais profunda, da JCP poder ser muito útil para abrir caminho à afirmação do Partido. Recrutarmos 40 jovens em Vila Real, desde Setembro, abre perspectivas. Penso que tem a ver com o prestígio da JCP junto das camadas juvenis e não podemos desligar os recrutamentos de um quadro de violenta ofensiva ideológica ao nosso ideal, à possibilidade de transformar a sociedade.
- Essa ofensiva não torna as coisas ainda mais difíceis?
- Sim, torna, mas revela a imensa capacidade transformadora que a juventude tem. Sendo difícil, não deixa de ser notável que tenham aderido quase mil jovens à JCP neste período. Tem a ver também com o estilo da JCP. É muito fácil ser-se militante: os camaradas preenchem uma ficha e facilmente se organizam em função de objectivos concretos. Voltando ao distrito de Vila Real, as lutas travadas no ensino secundário em Chaves e Vila Real foram determinantes para que um conjunto de jovens aderisse à JCP. Em Santa Marta de Penaguião, foi em torno da actividade cultural – há grupos de teatro e de dança da JCP – que se aglutinaram os novos militantes. Isto depois tem um conteúdo político, mas esta realidade tem a ver com a necessidade de uma maior intervenção da JCP, porque os jovens gostam de fazer coisas diversas. Há também o ambiente, a facilidade com que as pessoas se enquadram e o acompanhamento que se dá pela direcção. Não seria possível crescer sem o acompanhamento de quadros responsáveis que ajudem a discutir, a fazer as reuniões, a recrutar... até porque muitas pessoas não têm experiência nenhuma.
- Há prioridades?
- As escolas secundárias são uma grande prioridade, mas o recrutamento resulta daqueles que vêm ter connosco e cada vez mais daqueles com que a JCP vai ter. Há um camarada que tem a «teoria da caça e da pesca». Na «pesca», colamos um cartaz, distribuímos uns documentos, organizamos iniciativas e esperamos que os jovens venham ter connosco. A «caça» significa abordar directamente os jovens. Em cada colectivo fizeram-se dezenas e dezenas de levantamentos de nomes de pessoas que estiveram connosco nas listas unitárias, nas lutas... Há muitos jovens que não são militantes porque nunca ninguém lhes perguntou se não queria ser militante. Mas não estamos a falar de uma situação excepcional de recrutamento. A JCP recruta mil jovens por ano com alguma regularidade.
- Como é o funcionamento normal nos novos colectivos entretanto formados? As expectativas iniciais destes novos militantes são correspondidas?
- Era importante avaliar agora no Congresso se estes novos militantes estão integrados na organização. Isso nem sempre é fácil, porque os níveis e os hábitos de participação são diferentes. Mas tentamos ir ao encontro das expectativas dos camaradas, sabendo que a JCP não é uma organização de ocupação de tempos livres, é uma organização política e revolucionária, e que há todo um mundo à volta desses colectivos com potencialidades de intervenção.
Surgem experiências novas, como pintar um mural, uma coisa que a maioria das pessoas não está habituada a fazer. Há um certo entusiasmo, discute-se como há-de ser o projecto, a localização, se é legal ou não, o princípio da liberdade de afirmação e de intervenção política, arranja-se o material, fazem-se contactos... Tudo implica um certo nível de organização. O colectivo de Alcains, no concelho de Castelo Branco, é recente e há uma semana pintou um mural a meio da tarde. A vila parou para ver a JCP pintar o mural! Procura-se diversificar a intervenção. No Litoral Alentejano, organizámos dois bailes populares para a divulgação do Congresso.
- E em relação à campanha de fundos?
- Esta é a maior campanha de fundos realizada até hoje. Podíamos ter ido mais longe na recolha regional. Será muito difícil alcançar os 60 mil euros, mas seguramente ultrapassaremos os 45 mil euros.
- O Congresso já valeu por tudo aquilo que decorreu nos nove meses de preparação. O Congresso é um ponto de chegada. Antecipamos uma grande acção de afirmação política e ideológica desta força revolucionária e combativa portuguesa que é a JCP, com uma implantação nacional, que vai ter um encontro ímpar. É a primeira vez que um congresso da JCP se realiza no Norte e mais de 60 por cento dos camaradas e dos amigos que lá estão participarão num congresso pela primeira vez. Vai ser um momento de afirmação política e ideológica, mas também um momento de grande alegria e confraternização, o que aliás é um estilo no trabalho e na vida na JCP.
- Como decorreu a preparação do Congresso?
- A preparação do Congresso foi muito diversificada e implicou a capacidade de levar várias coisas por diante ao mesmo tempo. Não trabalhámos para um objectivo de cada vez, mas sim simultaneamente: a campanha de fundos, o recrutamento, os murais, a discussão do projecto de resolução política... Há camaradas novos que foram recrutados neste processo que estão hoje a assumir responsabilidades, outros que estão incluídos na proposta da nova Direcção Nacional que vai ser apresentada ao Congresso. A JCP rejuvenesce-se com grande capacidade. Não temos o mínimo receio de dar tarefas e responsabilidades ao mais jovem quadro, desde que tenha disponibilidade e condições políticas e ideológicas.
Foram feitas largas centenas de discussões do projecto de resolução política e temos quase 400 contributos escritos para o documento. Foi feita uma discussão muito profunda sobre os aspectos de direcção, com o levantamento de nomes nos colectivos, de auscultação a toda a Direcção Nacional. Fizeram-se milhares de acções de propaganda: mais de 120 mil documentos distribuídos, 13 mil cartazes, 200 faixas, cem murais pintados...
Não preparámos o Congresso isolados daquilo que aconteceu no nosso país. Entre 22 de Agosto e 20 de Maio, tivemos duas campanhas eleitorais, três jornadas de luta no ensino secundário, muitas lutas da juventude trabalhadora, houve um grande empenhamento na denúncia do Processo de Bolonha...
- Qual a importância da militância para os militantes e para própria organização?
- A militância é também uma forma de estar na vida. Há uma profunda confiança na JCP, no PCP e nos nossos ideais, como há uma consciência de que essa confiança só terá resultados se cada um de nós, individual e colectivamente, der o seu contributo. Apenas isso explica que muitos jovens prescindam do seu tempo de lazer, de estudo, de férias para contribuírem para o trabalho e para a luta. Sem militância não há organização revolucionária. A militância é a nossa força.
- O País está diferente desde o último congresso? E a JCP?
- Nem o País nem a JCP estão iguais. Mantém-se a mesma linha política no País e acentuaram-se desigualdades. Estamos hoje a discutir questões que não eram colocadas há três anos, sendo que nessa altura tínhamos um governo de direita. Hoje discutimos o encerramento de escolas e maternidades, um corte brutal no subsídio de desemprego, quando hoje o desemprego é maior. A lei das propinas foi entretanto aprovada e os seus valores duplicaram. E há problemas que ainda não se resolveram: as raparigas continuam a ser criminalizadas pelo aborto, a educação sexual continua por implementar, o ensino está cada vez mais longe de ser gratuito... É cada vez mais claro o corte de direitos nas novas gerações.
Com a preparação deste congresso, a JCP está em condições de dar uma grande resposta a esta ofensiva. Não é a JCP que vai por si só interromper esta ofensiva, é a própria juventude, mas a JCP está em condições de poder contribuir para essa importância decisiva que a juventude tem na luta social e política. Mas também há desenvolvimentos positivos. Foram muito importantes estes três resultados eleitorais do Partido para estas novas gerações, para a confiança que lhes dá em relação ao futuro. Uma situação de grande ofensiva e de grandes perigos para a humanidade convive com a existência de grandes possibilidades de resistir e avançar, a nível nacional e internacional.
- Como se enquadra a JCP na realidade política e social portuguesa e europeia?
- Nós somos a organização de juventude do PCP e a resposta está intimamente ligada ao que o PCP faz no País e no mundo. O maior contributo que podemos dar à luta geral dos povos no plano internacional é o que fizermos no nosso próprio país. Dar consciência política e social à juventude, abrir caminho às possibilidades de transformação na sociedade, de organizar e desenvolver a luta é o papel essencial da JCP. Queremos ter uma organização para intervir. É possível derrotar a lei das propinas, impedir a aplicação do Processo de Bolonha, lutar por melhores salários, o regresso das tropas portuguesas do estrangeiro, interromper a ofensiva contra os serviços públicos... Não estamos resignados.
- Qual a importância da JCP para o sucesso do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes? Qual a importância deste sucesso para a JCP?
- Sempre demos um contributo importante para o festival, nos comités organizadores internacionais. Agora foi diferente porque o plano internacional é outro e porque a JCP ocupa a presidência da Federação Mundial da Juventude Democrática, que tem um papel determinante no festival. Este festival foi muito importante na retoma do movimento dos festivais e do seu carácter anti-imperialista, pela participação popular e pelo conteúdo.
850 novos militantes desde Setembro
- A Direcção Nacional apontou como objectivo inscrever mil novos militantes e recolher 60 mil euros na campanha de fundos, entre Setembro e o Congresso. Foi cumprido?
- Ainda estamos a centralizar fichas de inscrição, mas devemos chegar muito perto dos mil recrutamentos. No fim-de-semana estavam apurados 850 novos membros e, se não alcançarmos o nosso objectivo, ficaremos muito próximos.
- Quais são as áreas com mais recrutamentos?
- O essencial dos recrutamentos continua a ser o ensino secundário, com mais de 50 por cento. Depois os jovens trabalhadores e o ensino superior. Isto percebe-se pela expressão de massas de cada sector e pela própria influência da JCP. Há uma expressão equilibrada do ponto de vista nacional. Podíamos estar a atingir os mil recrutamentos e só termos novos militantes em Lisboa e Setúbal, mas não é isso que está a acontecer. Vila Real, por exemplo, dobrou a meta de recrutamentos. Tenho aqui comigo duas fichas vindas dos Açores...
- Como é que se consegue tantos recrutamentos em sítios onde tradicionalmente os comunistas não têm muita influência?
- Isso até pode levar a uma reflexão mais profunda, da JCP poder ser muito útil para abrir caminho à afirmação do Partido. Recrutarmos 40 jovens em Vila Real, desde Setembro, abre perspectivas. Penso que tem a ver com o prestígio da JCP junto das camadas juvenis e não podemos desligar os recrutamentos de um quadro de violenta ofensiva ideológica ao nosso ideal, à possibilidade de transformar a sociedade.
- Essa ofensiva não torna as coisas ainda mais difíceis?
- Sim, torna, mas revela a imensa capacidade transformadora que a juventude tem. Sendo difícil, não deixa de ser notável que tenham aderido quase mil jovens à JCP neste período. Tem a ver também com o estilo da JCP. É muito fácil ser-se militante: os camaradas preenchem uma ficha e facilmente se organizam em função de objectivos concretos. Voltando ao distrito de Vila Real, as lutas travadas no ensino secundário em Chaves e Vila Real foram determinantes para que um conjunto de jovens aderisse à JCP. Em Santa Marta de Penaguião, foi em torno da actividade cultural – há grupos de teatro e de dança da JCP – que se aglutinaram os novos militantes. Isto depois tem um conteúdo político, mas esta realidade tem a ver com a necessidade de uma maior intervenção da JCP, porque os jovens gostam de fazer coisas diversas. Há também o ambiente, a facilidade com que as pessoas se enquadram e o acompanhamento que se dá pela direcção. Não seria possível crescer sem o acompanhamento de quadros responsáveis que ajudem a discutir, a fazer as reuniões, a recrutar... até porque muitas pessoas não têm experiência nenhuma.
- Há prioridades?
- As escolas secundárias são uma grande prioridade, mas o recrutamento resulta daqueles que vêm ter connosco e cada vez mais daqueles com que a JCP vai ter. Há um camarada que tem a «teoria da caça e da pesca». Na «pesca», colamos um cartaz, distribuímos uns documentos, organizamos iniciativas e esperamos que os jovens venham ter connosco. A «caça» significa abordar directamente os jovens. Em cada colectivo fizeram-se dezenas e dezenas de levantamentos de nomes de pessoas que estiveram connosco nas listas unitárias, nas lutas... Há muitos jovens que não são militantes porque nunca ninguém lhes perguntou se não queria ser militante. Mas não estamos a falar de uma situação excepcional de recrutamento. A JCP recruta mil jovens por ano com alguma regularidade.
- Como é o funcionamento normal nos novos colectivos entretanto formados? As expectativas iniciais destes novos militantes são correspondidas?
- Era importante avaliar agora no Congresso se estes novos militantes estão integrados na organização. Isso nem sempre é fácil, porque os níveis e os hábitos de participação são diferentes. Mas tentamos ir ao encontro das expectativas dos camaradas, sabendo que a JCP não é uma organização de ocupação de tempos livres, é uma organização política e revolucionária, e que há todo um mundo à volta desses colectivos com potencialidades de intervenção.
Surgem experiências novas, como pintar um mural, uma coisa que a maioria das pessoas não está habituada a fazer. Há um certo entusiasmo, discute-se como há-de ser o projecto, a localização, se é legal ou não, o princípio da liberdade de afirmação e de intervenção política, arranja-se o material, fazem-se contactos... Tudo implica um certo nível de organização. O colectivo de Alcains, no concelho de Castelo Branco, é recente e há uma semana pintou um mural a meio da tarde. A vila parou para ver a JCP pintar o mural! Procura-se diversificar a intervenção. No Litoral Alentejano, organizámos dois bailes populares para a divulgação do Congresso.
- E em relação à campanha de fundos?
- Esta é a maior campanha de fundos realizada até hoje. Podíamos ter ido mais longe na recolha regional. Será muito difícil alcançar os 60 mil euros, mas seguramente ultrapassaremos os 45 mil euros.