EUA

O despertar dos imigrantes

Um milhão de pessoas desfilou sábado em Los Angeles (mais de meio milhão, segundo a polícia), na maior manifestação de imigrantes na história dos EUA.

«Um clamoroso «Basta!» às medidas anti-imigrantes»

O gigantesco desfile, que culminou uma série de outras manifestações realizadas este mês um pouco por todo o país, deixou um clamoroso «Basta!» às medidas anti-imigrantes da administração Bush, às humilhações, aos abusos e às injustiças de que são vítimas milhões de pessoas.
A jornada de luta antecedeu o debate sobre o controverso tema da imigração, iniciado esta segunda-feira na Comissão Judicial do Senado dos EUA. Em causa está um projecto de contornos racistas e xenófobos, que prevê, entre outros aspectos, a selecção de imigrantes de acordo com a respectiva nacionalidade, e a criação de «bolsas de estrangeiros» autorizados a permanecer no país para ocuparem empregos mal pagos, designadamente no trabalho doméstico, restauração e construção civil.
Os defensores destas medidas, como o senador James Sensenbrenner, ultra-conservador, advogam mesmo que seja levantada uma separação metálica na fronteira do México, que os imigrantes ilegais sejam deportados como delinquentes, e que a protecção de trabalhadores não autorizados seja equiparada a crime grave.
Para o próximo dia 10 de Abril estão a ser preparadas novas acções de luta, que incluem marchas coordenadas em Los Angeles, Nova Iorque, Chicago e Washington.
A principal novidade desta vaga de protestos é que está a ser organizada não só como é habitual pelos sindicatos, organizações latinas e de defesa dos indocumentados, mas também por grupos comunitários, clubes e respectivas federações, média latinos (a rádio, sobretudo) e pela Igreja católica.

Um movimento crescente

Segundo o jornal La Jornada, o papel da rádio e da Igreja foi determinante na mega manifestação de Los Angeles. Os locutores das diversas estações latinas formaram uma frente comum para apelar à participação da comunidade. A iniciativa, sem precedentes, contou com a participação de 10 locutores.
Também a Igreja jogou um papel fundamental, com o patrocínio de um dos seus mais altos dignatários, o cardeal Roger Mahoney, de Los Angeles.
No início de Março, Mahoney apelou aos católicos para que se empenhem na promoção de uma reforma humanitária das leis da imigração, e advertiu os políticos de que, se aprovarem leis que criminalizem os indocumentados e a quem os ajudar, ordenará aos seus padres e aos trabalhadores católicos laicos que violem essa lei.
«Creio que começamos a ver o nascimento de um novo movimento pró direitos civis nos EUA», afirmou a La Jornada Oscar Chacón, director de Enlaces América. A ideia é reforçada por Artemio Arreola, sindicalista e um dos dirigentes da Federação de Clubes Michoacanos, que afirma que o movimento está a organizar-se «noutros pontos do país para criar um efeito dominó», advertindo que tudo isto marca o «despertar» dos migrantes nos EUA.
De acordo com a Prensa Latina, que cita dados da fundação Pew Hispanic Center (PHC), sediada em Washington, os imigrantes ilegais representam actualmente cerca de cinco por cento da população activa dos EUA, e a tendência é para aumentar. Segundo o PHC, em 2005 o mercado de trabalho norte-americano registou um aumento de 400 mil indocumentados, o que faz ascender a 12 milhões de estrangeiros as estimativas quanto ao total de indocumentados a viver nos EUA.


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