Mário Zagalo passou por Portugal
Mário Zagalo, actualmente ajudante de campo de Carlos Alberto Parreira, treinador da selecção do Brasil, passou recentemente por Portugal. Zagalo foi campeão do mundo como jogador em 1958 e 1962 e, como técnico, à frente da «canarinha», em 1970. Teve por companheiros atletas que marcaram o futebol com o sinete eterno da saudade, por muito que este apaixonante jogo evolua para bem ou para mal.
Entre os que com Zagalo transformaram o futebol em sonho, gostaria de citar Garrincha, o mágico dos mágicos, desmintam-me quem o viu jogar, mas seria odienta injustiça cortar da lista nomes como Didi, Vavá ou Nilton Santos. E também Pelé, e Djalma Santos, e esse «goleiro» de infinita eficácia chamado Gilmar. Como treinador, orientou para a conquista do «mundial» Jairzinho, Rivelino e Tostão, entre outras «estrelas» de grandeza e engenho maiores.
Quer isto dizer que Zagalo, apesar da sua idade - em Agosto fará 75 anos -, sabe tudo de futebol e mantém-se actualizado. Aliás, outra coisa não seria de esperar de quem dá o seu contributo directo para a preparação de uma equipa que é forte candidata ao título do «mundial» da Alemanha, daqui a meses.
Ouvi Zagalo perorar com acerto, numa estação televisiva, sobre o futebol moderno e a diferença existente entre o de hoje e do seu tempo. Hoje, não há espaço para jogar, disse ele, as equipas tornam o campo pequeno. Como fisicamente estão incomparavelmente mais bem preparadas, e não há sensível diferença entre elas nesse aspecto, preenchem todos os espaços, pelo que é cada vez mais difícil chegar à área contrária.
Claro que estamos de acordo. Todavia, há outros factores, e estes de natureza material, que tornaram o jogo mais rápido, mais célere a movimentação das equipas, mais velocidade imposta à bola.
Nos tempos de antigamente, a bola convertia-se, em certas circunstâncias, num suplício para os jogadores. Aumentava de peso quando chovia e tornava-se escorregadia. Conheci jogadores que, quando ela vinha de bem alto, pesada, pontilhada de areão, pensavam duas vezes antes de lhe meter a cabeça. E arrancar os pontapés de baliza? As bolas modernas são impermeáveis, não aumentam de peso com a chuva, pecam por demasiado macias, o que as faz mudar de trajectória em pleno voo. São um suplício para os guarda-redes. Que jogador, do tempo de Zagalo, se atrevia a apontar à baliza um livre a 45 metros?
Mas não foi só a bola que melhorou. Os jogadores sentem-se hoje mais leves, porque as camisolas, os calções e as meias lhes pesam muitíssimo menos. Pode chover a rodos que a camisola não encharca. Dantes, quando S. Pedro estava de mal com a gente da bola, ao intervalo torciam-se as camisolas.
E que dizer das botas de futebol? Aqui, qualquer comparação é ainda mais aberrante. No meu tempo, elas eram de puro cabedal, com travessões, em vez de pitões, e de uma dureza basáltica. Novas, eram um martírio para os pés. Por isso, havia clubes onde eram os juniores que as estreavam, e só depois de devidamente amaciadas é que iam parar aos pés do respectivo dono sénior. Há pouco, peguei numas botas modernas, e fiquei atónito: o peso delas teria que ser calculado em gramas.
Outro factor determinante para o aumento da rapidez com que se joga o futebol, hoje em dia, são os relvados. A mistura de relva natural e artificial é uma apetecível pista de gelo para a bola, que, contrariando as leis imutáveis da Física – a tal do movimento uniformemente acelerado -, parece adquirir velocidade quando toca a regularíssima planície verde.
E há, ainda, a postura dos adeptos, hoje muito mais exigentes face ao espectáculo que pagou, quase sempre excessivamente, apesar das clubites agudas que campeiam um pouco por todo o lado. O homem colocou esforços tecnológicos ao serviço do futebol. Agora, quer que os protagonistas do jogo tirem todo o partido desse empenho.
O futebol evoluiu e evoluirá. Se as regras do jogo resistirem ao tempo, como têm resistido às investidas dos que pretendem transformá-lo num espectáculo circense, em que apenas o golo dá lucro (no Campeonato do Mundo realizado nos EUA, houve quem aventasse o aumento da dimensão das balizas), creio que a progressão tocará mais os aspectos tecnológicos que o envolvem do que propriamente os conceitos tácticos.
Lembrei-me, ao referir o caso do «mundial» estadunidense, que o nosso saudoso camarada Carlos Pinhão costumava dizer que havia partidas que acabam com um empate a seis, e tinham sido uma seca, e que outras terminavam a zero, e tinham sido emocionantes partidas de futebol.
Entre os que com Zagalo transformaram o futebol em sonho, gostaria de citar Garrincha, o mágico dos mágicos, desmintam-me quem o viu jogar, mas seria odienta injustiça cortar da lista nomes como Didi, Vavá ou Nilton Santos. E também Pelé, e Djalma Santos, e esse «goleiro» de infinita eficácia chamado Gilmar. Como treinador, orientou para a conquista do «mundial» Jairzinho, Rivelino e Tostão, entre outras «estrelas» de grandeza e engenho maiores.
Quer isto dizer que Zagalo, apesar da sua idade - em Agosto fará 75 anos -, sabe tudo de futebol e mantém-se actualizado. Aliás, outra coisa não seria de esperar de quem dá o seu contributo directo para a preparação de uma equipa que é forte candidata ao título do «mundial» da Alemanha, daqui a meses.
Ouvi Zagalo perorar com acerto, numa estação televisiva, sobre o futebol moderno e a diferença existente entre o de hoje e do seu tempo. Hoje, não há espaço para jogar, disse ele, as equipas tornam o campo pequeno. Como fisicamente estão incomparavelmente mais bem preparadas, e não há sensível diferença entre elas nesse aspecto, preenchem todos os espaços, pelo que é cada vez mais difícil chegar à área contrária.
Claro que estamos de acordo. Todavia, há outros factores, e estes de natureza material, que tornaram o jogo mais rápido, mais célere a movimentação das equipas, mais velocidade imposta à bola.
Nos tempos de antigamente, a bola convertia-se, em certas circunstâncias, num suplício para os jogadores. Aumentava de peso quando chovia e tornava-se escorregadia. Conheci jogadores que, quando ela vinha de bem alto, pesada, pontilhada de areão, pensavam duas vezes antes de lhe meter a cabeça. E arrancar os pontapés de baliza? As bolas modernas são impermeáveis, não aumentam de peso com a chuva, pecam por demasiado macias, o que as faz mudar de trajectória em pleno voo. São um suplício para os guarda-redes. Que jogador, do tempo de Zagalo, se atrevia a apontar à baliza um livre a 45 metros?
Mas não foi só a bola que melhorou. Os jogadores sentem-se hoje mais leves, porque as camisolas, os calções e as meias lhes pesam muitíssimo menos. Pode chover a rodos que a camisola não encharca. Dantes, quando S. Pedro estava de mal com a gente da bola, ao intervalo torciam-se as camisolas.
E que dizer das botas de futebol? Aqui, qualquer comparação é ainda mais aberrante. No meu tempo, elas eram de puro cabedal, com travessões, em vez de pitões, e de uma dureza basáltica. Novas, eram um martírio para os pés. Por isso, havia clubes onde eram os juniores que as estreavam, e só depois de devidamente amaciadas é que iam parar aos pés do respectivo dono sénior. Há pouco, peguei numas botas modernas, e fiquei atónito: o peso delas teria que ser calculado em gramas.
Outro factor determinante para o aumento da rapidez com que se joga o futebol, hoje em dia, são os relvados. A mistura de relva natural e artificial é uma apetecível pista de gelo para a bola, que, contrariando as leis imutáveis da Física – a tal do movimento uniformemente acelerado -, parece adquirir velocidade quando toca a regularíssima planície verde.
E há, ainda, a postura dos adeptos, hoje muito mais exigentes face ao espectáculo que pagou, quase sempre excessivamente, apesar das clubites agudas que campeiam um pouco por todo o lado. O homem colocou esforços tecnológicos ao serviço do futebol. Agora, quer que os protagonistas do jogo tirem todo o partido desse empenho.
O futebol evoluiu e evoluirá. Se as regras do jogo resistirem ao tempo, como têm resistido às investidas dos que pretendem transformá-lo num espectáculo circense, em que apenas o golo dá lucro (no Campeonato do Mundo realizado nos EUA, houve quem aventasse o aumento da dimensão das balizas), creio que a progressão tocará mais os aspectos tecnológicos que o envolvem do que propriamente os conceitos tácticos.
Lembrei-me, ao referir o caso do «mundial» estadunidense, que o nosso saudoso camarada Carlos Pinhão costumava dizer que havia partidas que acabam com um empate a seis, e tinham sido uma seca, e que outras terminavam a zero, e tinham sido emocionantes partidas de futebol.