Eleições na Bielorússia

UE e EUA apertam o cerco

A três dias das eleições presidenciais na Bielorússia, a UE e os EUA forçam a vitória do candidato da oposição, Aleksander Milinkevitch. O actual presidente, Aleksander Lukashenko é há muito persona non grata.

A Bielorússia mantém um sistema de auscultação alargado na Assembleia Popular

O silêncio informativo que envolveu a campanha para o sufrágio do próximo dia 19 de Março na ex-república soviética só foi quebrado, nas últimas semanas, com a divulgação de um episódio que soa à repetição de mais uma farsa eleitoral no Leste da Europa.
Depois das «revoluções coloridas» na Ucrânia e na Geórgia, entre outras, onde a UE e os EUA desempenharam um papel determinante na alteração da correlação de forças a favor das forças antipopulares e antipatrióticas, a Bielorússia é o próximo alvo.
No passado dia dois, o principal candidato da oposição, Milinkevitch, aproveitou uma conferência promovida por Lukashenko para irromper pela sala e dar a estocada final no conflito. Informações divulgadas por agências noticiosas afirmaram que, na sequência da provocação, Milinkevitch foi «detido e espancado pela polícia». Os factos não foram confirmados.
O que não tem sido dito é que, nas últimas eleições, Lukashenko mereceu a confiança de 81 por cento dos eleitores e que os observadores da CEI têm considerado grave o clima de instabilidade no qual se pretende mergulhar o país.

Perseguição antiga

Apelidado pelos EUA e a UE como «o último ditador da Europa», o actual presidente tem merecido da parte das duas potências um tratamento especial, expresso, desde Agosto de 2005, no início do processo de suspensão dos benefícios comerciais à Bielorússia, medida que, ameaçam, pode tronar-se efectiva no decorrer de 2006, depende do resultado das eleições.
Um mês depois, a UE anuncia a canalização de dois milhões de euros para um projecto de transmissão radiofónica e televisiva «independente», empreendimento que, desde Fevereiro passado, não mais cessou de emitir para a Bielorússia a partir da Lituânia e da Polónia.
Mas a UE foi mesmo mais longe. Expulsos do Conselho da Europa em 1997, os bielorussos enfrentam não só o isolamento no contexto do velho continente, como vêm Bruxelas promover e financiar iniciativas, périplos e encontros internacionais da oposição, nomeadamente do agora candidato à presidência, Milinkevitch.
Do outro lado do Atlântico, o capital também não dorme. Em 2004, Washington aprovou um decreto onde se compromete a apoiar a «mudança do regime» e, mais recentemente, fez saber, em jeito de ameaça, que a comunidade internacional devia «tomar nota daqueles que na Bielorússia são responsáveis pela violação dos direitos dos seus concidadãos».

O que os faz correr

A Bielorússia é um dos poucos países da região Leste da Europa que não só não aspira a entrar na NATO como se recusou terminantemente a fazê-lo. Ao invés, estabeleceu uma parceria estratégica com a vizinha Rússia, nação com quem, apesar das tentativas de absorção económica de Moscovo, o governo de Minsk mantém uma cooperação estreita em diversas áreas.
Embora o parlamento nacional seja composto por deputados provenientes de um sistema misto, com candidaturas individuais e partidárias, o Partido Comunista da Bielorússia está representado. Acresce que o PC da Bielorússia se juntou ao Partido Agrário e a outras formações políticas para apoiarem Lukashenko num terceiro mandato.
Dado igualmente relevante é o facto da Bielorússia manter um sistema de auscultação popular alargado. No início deste mês, reuniram-se, pela terceira vez, milhares de delegados na Assembleia Popular de Toda a Bielorússia, na qual foram aprovadas as linhas de orientação socio-económica até ao ano de 2010.

Alheios ao descalabro

O legado pós-soviético traduziu-se, na esmagadora maioria das ex-repúblicas socialistas, num autêntico desastre para o povo e a soberania dos respectivos países. A Bielorússia destoa do panorama geral.
Nas comemorações dos 89 anos da Revolução de Outubro, o presidente afirmou que «o nosso país segue com confiança na via do desenvolvimento escolhida pelo povo, na base da qual estão os ideais legados por Outubro: a paz, a liberdade, a igualdade e a justiça social».
Com efeito, a corrupção e a ascensão de uma oligarquia omnipotente não se fez sentir com a mesma violência na Bielorússia, contrariamente ao que aconteceu, desde 1992, com os antigos parceiros da URSS.
O governo de Minsk foi o primeiro a recolocar o Produto Interno Bruto ao nível do registado em 1990, proeza de que os parceiros da CEI não se podem orgulhar, ainda para mais assinalando um saudável poder de compra dos cidadãos e uma capacidade de regeneração e incorporação de novas tecnologias e tecnologias de ponta no aparelho produtivo nascente.
Em 2005, a taxa de crescimento da economia foi de 8,5 por cento, vigor que ainda não ameaça, nem de perto nem de longe, o poder dos conglomerados transnacionais norte-americanos e europeus, mas é um exemplo que demonstra, claramente, que a fórmula do FMI e do Banco Mundial não é nem a única, nem seguramente a melhor.


Mais artigos de: Internacional

A morte matada de Slobodan Milosevic

Slobodan Milosevic morreu a 11 de Março numa cela do «tribunal» de Haia. Ao que se sabe, é o sétimo preso sob custódia da ONU a perder ali a vida. Acasos?

Apoio à UJC checa

Face às ameaças do ministro do Interior da República Checa contra a União da Juventude Comunista daquele país, que podem levar à sua ilegalização enquanto organização política, os participantes no Encontro internacional aprovaram a seguinte moção:«Condenam veementemente as discriminações e provocações anti-comunistas...

Venezuela em dois tempos

A 3 de Dezembro, a Venezuela vai de novo a uma consulta eleitoral, desta vez para eleger presidente. Talvez devêssemos ter escrito novo presidente, mas poucos analistas políticos consideram outro resultado que não seja uma cómoda vitória de Hugo Chávez, eleito originalmente em 1998, confirmado no revogatório de 2004 e...