Saara Ocidental luta pela liberdade
No dia em se comemoraram os 30 anos da proclamação da independência da República Árabe Saaraui Democrática (RASD), o presidente, Mohamed Abdelaziz, exigiu a desocupação dos territórios e denunciou a repressão marroquina
«A RASD tem mais de 60 por cento do seu território ocupado por Marrocos»
Na intervenção proferida durante as cerimónias que assinalaram a data da proclamação da independência do Saara Ocidental, que decorreram segunda-feira, em Tifariti, capital dos territórios libertados, Abdelaziz afirmou que a «situação é cada dia mais perigosa», porque «não passa um dia sem que as forças de repressão marroquinas persistam nas operações de vingança indiscriminada, que atingem crianças, mulheres, homens e idosos».
Para o presidente da RASD, a forma como o Estado espanhol procedeu à descolonização do território, em 1975, está na base do conflito entre o povo saaraui e o Estado de Marrocos, razão pela qual, afirmou, «Espanha continua a ser a responsável legal e política pelo sofrimento do povo saaraui».
Neste contexto, Abdelaziz reiterou a necessidade e a vontade dos saarauis em continuarem a luta pela independência, processo que esbarra consecutivamente na «intransigência marroquina», disse.
Apelando à manutenção da pressão sobre Marrocos, o presidente recordou ainda que o governo monárquico de Rabat subscreveu compromissos internacionais que contemplavam a realização de um referendo sobre a autodeterminação nos territórios ocupados, acordo que nunca cumpriu.
Reconhecidos mas ocupados
Reconhecida internacionalmente por cerca de 80 nações, a RASD permanece, no entanto, com mais de 60 por cento do seu território ocupado por Marrocos, dentro do qual se situam as cidades mais importantes.
Em Tinduf, assistiram à parada militar e ao discurso presidencial representantes de diversos países e responsáveis governamentais da Argélia, da África do Sul, da Tanzânia, de Angola, do Quénia, da Guiné Bissau, de Cuba, da Nigéria, da Mauritânia e de Timor Leste.
A estes, juntaram-se milhares de populares vindos de aldeias e cidades vizinhas, mas também dos campos de refugiados da região, assim como membros de comités de solidariedade, deputados, presidentes de câmara e activistas de ONG’s.
As festividades oficiais foram encerradas com a destruição de dezenas de minas antipessoais, um sinal claro da vontade de paz e autodeterminação proclamada pelo povo do Saara Ocidental.
Durante o fim-de-semana, antes das cerimónias oficiais, no campo de refugiados de El Aaiun, realizou-se ainda uma conferência internacional de solidariedade. A iniciativa contou com a presença de cerca de 400 delegados que, entre outros temas, sublinharam a necessidade de manter viva a campanha internacional em torno da causa saaraui e a responsabilização da ONU na implementação dos acordos internacionais e no cumprimento das deliberações do Conselho de Segurança sobre a independência do território.
Breve cronologia de uma luta
- Entre 1954 e 1962, os vizinhos Marrocos, Tunísia, Mauritânia e Argélia combatem os colonizadores europeus e conquistam a independência. No início dos anos 60, os saarauis também reivindicam a autodeterminação, mas as ricas jazidas de fosfato levam Espanha a reprimir os independentistas e a investir na exploração das matérias-primas do território.
- Em 1967, Madrid instala um governo fantoche e elimina os conselhos tradicionais saarauis. Ao mesmo tempo compromete-se junto da ONU com a realização de um referendo sobre a autodeterminação.
- Em Julho de 1970, a polícia política fascista de Espanha captura e abate o líder da resistência saaraui, Sidi Brahim Bachiri. O corpo nunca foi encontrado.
- Em 10 de Maio de 1973, nasce a Frente Popular de Libertação de Shagia al-Ambra e Rio do Ouro (Polisario). Meses depois, o ditador Francisco Franco cria um partido fantoche, o PUNS, cujos dirigentes viriam a exercer altos cargos na administração marroquina após a retirada espanhola.
- No verão de 1975, Franco organiza uma recepção à comissão da ONU. A festa fica estragada quando o povo troca as bandeiras do PUNS pelas da Frente Polisario e manifesta-se pela independência.
- Em Novembro desse mesmo ano, em Madrid, Espanha promove a repartição do Saara Ocidental entre Marrocos e a Mauritânia.
- Em 27 de Fevereiro de 1976, em Birlehlu é proclamada a RASD. El Uali Mustafa é o primeiro presidente, mas acabaria por morrer em combate em Junho.
- Em Novembro de 1976, Filipe González visita o Saara e promete apoiar a RASD, mas uma vez chegado ao poder, em 1982, esquece a promessa.
- Em 1991, depois da derrota militar da Mauritânia, Marrocos assina um cessar-fogo com a Frente Polisario e promete um referendo sobre a autodeterminação. Desde então, nunca cumpriu o acordado promovido pela ONU e continua a política de repressão e aniquilamento nos territórios ocupados.
Para o presidente da RASD, a forma como o Estado espanhol procedeu à descolonização do território, em 1975, está na base do conflito entre o povo saaraui e o Estado de Marrocos, razão pela qual, afirmou, «Espanha continua a ser a responsável legal e política pelo sofrimento do povo saaraui».
Neste contexto, Abdelaziz reiterou a necessidade e a vontade dos saarauis em continuarem a luta pela independência, processo que esbarra consecutivamente na «intransigência marroquina», disse.
Apelando à manutenção da pressão sobre Marrocos, o presidente recordou ainda que o governo monárquico de Rabat subscreveu compromissos internacionais que contemplavam a realização de um referendo sobre a autodeterminação nos territórios ocupados, acordo que nunca cumpriu.
Reconhecidos mas ocupados
Reconhecida internacionalmente por cerca de 80 nações, a RASD permanece, no entanto, com mais de 60 por cento do seu território ocupado por Marrocos, dentro do qual se situam as cidades mais importantes.
Em Tinduf, assistiram à parada militar e ao discurso presidencial representantes de diversos países e responsáveis governamentais da Argélia, da África do Sul, da Tanzânia, de Angola, do Quénia, da Guiné Bissau, de Cuba, da Nigéria, da Mauritânia e de Timor Leste.
A estes, juntaram-se milhares de populares vindos de aldeias e cidades vizinhas, mas também dos campos de refugiados da região, assim como membros de comités de solidariedade, deputados, presidentes de câmara e activistas de ONG’s.
As festividades oficiais foram encerradas com a destruição de dezenas de minas antipessoais, um sinal claro da vontade de paz e autodeterminação proclamada pelo povo do Saara Ocidental.
Durante o fim-de-semana, antes das cerimónias oficiais, no campo de refugiados de El Aaiun, realizou-se ainda uma conferência internacional de solidariedade. A iniciativa contou com a presença de cerca de 400 delegados que, entre outros temas, sublinharam a necessidade de manter viva a campanha internacional em torno da causa saaraui e a responsabilização da ONU na implementação dos acordos internacionais e no cumprimento das deliberações do Conselho de Segurança sobre a independência do território.
Breve cronologia de uma luta
- Entre 1954 e 1962, os vizinhos Marrocos, Tunísia, Mauritânia e Argélia combatem os colonizadores europeus e conquistam a independência. No início dos anos 60, os saarauis também reivindicam a autodeterminação, mas as ricas jazidas de fosfato levam Espanha a reprimir os independentistas e a investir na exploração das matérias-primas do território.
- Em 1967, Madrid instala um governo fantoche e elimina os conselhos tradicionais saarauis. Ao mesmo tempo compromete-se junto da ONU com a realização de um referendo sobre a autodeterminação.
- Em Julho de 1970, a polícia política fascista de Espanha captura e abate o líder da resistência saaraui, Sidi Brahim Bachiri. O corpo nunca foi encontrado.
- Em 10 de Maio de 1973, nasce a Frente Popular de Libertação de Shagia al-Ambra e Rio do Ouro (Polisario). Meses depois, o ditador Francisco Franco cria um partido fantoche, o PUNS, cujos dirigentes viriam a exercer altos cargos na administração marroquina após a retirada espanhola.
- No verão de 1975, Franco organiza uma recepção à comissão da ONU. A festa fica estragada quando o povo troca as bandeiras do PUNS pelas da Frente Polisario e manifesta-se pela independência.
- Em Novembro desse mesmo ano, em Madrid, Espanha promove a repartição do Saara Ocidental entre Marrocos e a Mauritânia.
- Em 27 de Fevereiro de 1976, em Birlehlu é proclamada a RASD. El Uali Mustafa é o primeiro presidente, mas acabaria por morrer em combate em Junho.
- Em Novembro de 1976, Filipe González visita o Saara e promete apoiar a RASD, mas uma vez chegado ao poder, em 1982, esquece a promessa.
- Em 1991, depois da derrota militar da Mauritânia, Marrocos assina um cessar-fogo com a Frente Polisario e promete um referendo sobre a autodeterminação. Desde então, nunca cumpriu o acordado promovido pela ONU e continua a política de repressão e aniquilamento nos territórios ocupados.