Os votos não cairão em saco roto...
Estas foram as terceiras eleições seguidas em que os comunistas cresceram
Apesar do empenhamento mostrado pela candidatura promovida pelo PCP e dos bons resultados globais alcançados por Jerónimo de Sousa nas eleições presidenciais, não foi possível impedir a vitória – ainda que por margem tangencial – de Cavaco Silva, apoiado pelos partidos e forças da direita mais reaccionária, por poderosos meios económicos e por grandes grupos de comunicação social, direita essa que assim consegue chegar à Presidência da República pela primeira vez desde o 25 de Abril.
As responsabilidades por não se ter travado a caminhada de Cavaco para Belém, há muito iniciada e minuciosamente preparada, devem ser assacadas, por um lado, às hesitações e ambiguidades da direcção do PS na escolha e no apoio de um candidato credível, atitudes essas que conduziram a divisões e à desmobilização de muitos eleitores, e, por outro lado, ao aumento do descontentamento social provocado pela política antipopular do Governo PS/Sócrates.
Contrariamente a mais este fracasso do Partido Socialista – os dois candidatos da sua área, no conjunto, perderam 675 mil votos em relação às eleições de Fevereiro de 2005 – e ao desaire do líder do Bloco de Esquerda – obteve menos 77 mil votos do que nas legislativas –, os resultados de Jerónimo de Sousa (8,6% e cerca de mais 40 mil votos) constituem «um importante sucesso eleitoral e um factor de ânimo para os que não se conformam com a política de direita e acreditam que não só é necessária como é possível uma alternativa e uma política de esquerda que reponha a esperança num Portugal melhor e com futuro», como sublinhou o Comité Central do PCP na reunião de 24 de Janeiro.
Em menos de um ano, foram as terceiras eleições seguidas – legislativas em Fevereiro, autárquicas em Outubro e presidenciais agora – em que os comunistas e seus aliados, contrariando as «certezas» da comunicação social dominante, os desejos dos analistas e as previsões «científicas» das sondagens, não só travaram o anunciado «declínio» e até a «morte» do PCP como inverteram a tendência das votações, aumentando-as de forma significativa.
Só em Beja Cavaco não venceu
No distrito de Beja, tal como já acontecera nas autárquicas, quando a CDU recuperou a maioria das presidências de câmaras municipais, os resultados obtidos agora por Jerónimo de Sousa confirmam a elevada consciência social, política e partidária da maioria da população deste distrito sul-alentejano, em área o maior de Portugal.
Único círculo eleitoral do País – contando os 18 distritos do continente e os dois círculos das regiões autónomas da Madeira e dos Açores – em que Cavaco não venceu, o distrito de Beja, onde votaram 58,41% dos eleitores inscritos, com uma abstenção ligeiramente superior à média nacional, deu a Jerónimo de Sousa a maioria de 27,53% (21.865 votos), a Cavaco Silva 27,33% (21.708), a Manuel Alegre 26,74% (21.235), a Mário Soares 13,39% (10.633), a Francisco Louçã 4,59% (3.649) e a Garcia Pereira 0,42% (336).
Jerónimo venceu nos concelhos de Serpa, Mértola, Aljustrel, Cuba, Grândola, Alcácer do Sal, Viana do Alentejo, Alandroal, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Moura, Avis e Portel e em 95 freguesias da região, alcançando em algumas delas votações expressivas, como são os casos de Vale de Vargo (62,44%), Pias (60,14%) e Vila Nova de São Bento (42,05%), de Baleizão (55,25%) e Salvada (50,85%), de Ervidel (50,29%), São Martinho (64,47%), Vale de Santiago (44,17%), São Domingos (41,44%), Santa Susana (43,54%), Alcorrega (70,77%), Figueira e Barros (46,69%), Gafanhoeira/S. Pedro (46,98%) e Santa Justa (45,67%).
Implantação e descontentamento
Os bons resultados de Jerónimo de Sousa no Alentejo (27,53% no distrito de Beja, onde foi o primeiro; 25,62% no Litoral Alentejano; 22,17% em Évora; e 14,41% em Portalegre), que o tornaram, na região, o terceiro candidato mais votado, com 22,36% do total dos votos, são a expressão da implantação do PCP, da sua influência e do seu prestígio junto dos trabalhadores e do povo alentejano.
Ao mesmo tempo, traduzem o descontentamento da grande maioria dos alentejanos pelas políticas de direita e pela marginalização de que a região tem sido alvo ao longo de três décadas pelos sucessivos governos do PS e do PSD. Mostram também, na actual conjuntura, o repúdio popular pelas opções neoliberais do Governo PS/Sócrates que atingem fortemente um terço do território nacional desertificado, com uma população envelhecida e em quebra, com a mais alta taxa de desemprego do País, com um tecido empresarial debilitado, com a agricultura e outros sectores económicos estratégicos submetidos aos ditames de Bruxelas, com os grandes emprendimentos públicos a passo de caracol (como Alqueva) ou eternamente adiados (como o aeroporto de Beja e várias acessibilidades estruturantes).
No Alentejo, os resultados conseguidos por Jerónimo de Sousa nestas presidenciais, assim como as votações alcançadas pela CDU há quatro meses nas autárquicas, não cairão em saco roto. Nos próximos tempos, sem novas eleições à vista, o PCP vai reforçar a organização, a acção nas empresas e em outros locais de trabalho, a influência no movimento sindical e no associativismo popular, o seu empenhamento no Poder Local democrático em defesa das populações e por mais desenvolvimento – e, assim, tornar-se ainda mais forte e prestigiado.
Tal como em todo o País, em melhores ou piores condições, no Alentejo os comunistas vão continuar a lutar em todas as frentes contra as desigualdades e as injustiças sociais, por um futuro melhor para os trabalhadores e para o povo, por uma sociedade mais justa e fraterna, liberta da exploração.
As responsabilidades por não se ter travado a caminhada de Cavaco para Belém, há muito iniciada e minuciosamente preparada, devem ser assacadas, por um lado, às hesitações e ambiguidades da direcção do PS na escolha e no apoio de um candidato credível, atitudes essas que conduziram a divisões e à desmobilização de muitos eleitores, e, por outro lado, ao aumento do descontentamento social provocado pela política antipopular do Governo PS/Sócrates.
Contrariamente a mais este fracasso do Partido Socialista – os dois candidatos da sua área, no conjunto, perderam 675 mil votos em relação às eleições de Fevereiro de 2005 – e ao desaire do líder do Bloco de Esquerda – obteve menos 77 mil votos do que nas legislativas –, os resultados de Jerónimo de Sousa (8,6% e cerca de mais 40 mil votos) constituem «um importante sucesso eleitoral e um factor de ânimo para os que não se conformam com a política de direita e acreditam que não só é necessária como é possível uma alternativa e uma política de esquerda que reponha a esperança num Portugal melhor e com futuro», como sublinhou o Comité Central do PCP na reunião de 24 de Janeiro.
Em menos de um ano, foram as terceiras eleições seguidas – legislativas em Fevereiro, autárquicas em Outubro e presidenciais agora – em que os comunistas e seus aliados, contrariando as «certezas» da comunicação social dominante, os desejos dos analistas e as previsões «científicas» das sondagens, não só travaram o anunciado «declínio» e até a «morte» do PCP como inverteram a tendência das votações, aumentando-as de forma significativa.
Só em Beja Cavaco não venceu
No distrito de Beja, tal como já acontecera nas autárquicas, quando a CDU recuperou a maioria das presidências de câmaras municipais, os resultados obtidos agora por Jerónimo de Sousa confirmam a elevada consciência social, política e partidária da maioria da população deste distrito sul-alentejano, em área o maior de Portugal.
Único círculo eleitoral do País – contando os 18 distritos do continente e os dois círculos das regiões autónomas da Madeira e dos Açores – em que Cavaco não venceu, o distrito de Beja, onde votaram 58,41% dos eleitores inscritos, com uma abstenção ligeiramente superior à média nacional, deu a Jerónimo de Sousa a maioria de 27,53% (21.865 votos), a Cavaco Silva 27,33% (21.708), a Manuel Alegre 26,74% (21.235), a Mário Soares 13,39% (10.633), a Francisco Louçã 4,59% (3.649) e a Garcia Pereira 0,42% (336).
Jerónimo venceu nos concelhos de Serpa, Mértola, Aljustrel, Cuba, Grândola, Alcácer do Sal, Viana do Alentejo, Alandroal, Arraiolos, Montemor-o-Novo, Moura, Avis e Portel e em 95 freguesias da região, alcançando em algumas delas votações expressivas, como são os casos de Vale de Vargo (62,44%), Pias (60,14%) e Vila Nova de São Bento (42,05%), de Baleizão (55,25%) e Salvada (50,85%), de Ervidel (50,29%), São Martinho (64,47%), Vale de Santiago (44,17%), São Domingos (41,44%), Santa Susana (43,54%), Alcorrega (70,77%), Figueira e Barros (46,69%), Gafanhoeira/S. Pedro (46,98%) e Santa Justa (45,67%).
Implantação e descontentamento
Os bons resultados de Jerónimo de Sousa no Alentejo (27,53% no distrito de Beja, onde foi o primeiro; 25,62% no Litoral Alentejano; 22,17% em Évora; e 14,41% em Portalegre), que o tornaram, na região, o terceiro candidato mais votado, com 22,36% do total dos votos, são a expressão da implantação do PCP, da sua influência e do seu prestígio junto dos trabalhadores e do povo alentejano.
Ao mesmo tempo, traduzem o descontentamento da grande maioria dos alentejanos pelas políticas de direita e pela marginalização de que a região tem sido alvo ao longo de três décadas pelos sucessivos governos do PS e do PSD. Mostram também, na actual conjuntura, o repúdio popular pelas opções neoliberais do Governo PS/Sócrates que atingem fortemente um terço do território nacional desertificado, com uma população envelhecida e em quebra, com a mais alta taxa de desemprego do País, com um tecido empresarial debilitado, com a agricultura e outros sectores económicos estratégicos submetidos aos ditames de Bruxelas, com os grandes emprendimentos públicos a passo de caracol (como Alqueva) ou eternamente adiados (como o aeroporto de Beja e várias acessibilidades estruturantes).
No Alentejo, os resultados conseguidos por Jerónimo de Sousa nestas presidenciais, assim como as votações alcançadas pela CDU há quatro meses nas autárquicas, não cairão em saco roto. Nos próximos tempos, sem novas eleições à vista, o PCP vai reforçar a organização, a acção nas empresas e em outros locais de trabalho, a influência no movimento sindical e no associativismo popular, o seu empenhamento no Poder Local democrático em defesa das populações e por mais desenvolvimento – e, assim, tornar-se ainda mais forte e prestigiado.
Tal como em todo o País, em melhores ou piores condições, no Alentejo os comunistas vão continuar a lutar em todas as frentes contra as desigualdades e as injustiças sociais, por um futuro melhor para os trabalhadores e para o povo, por uma sociedade mais justa e fraterna, liberta da exploração.