O agravar da crise e do desemprego
Ultrapassa já o meio milhão o número de desempregados no nosso País. Para esta realidade dramática voltou a chamar a atenção na Assembleia da República a bancada do PCP, após novos dados que indicam um agravamento do problema no mês de Novembro.
Esta política enredou o País na estagnação
Com efeito, depois das Estatísticas do INE referentes ao 3.º trimestre deste ano terem revelado a percentagem mais elevada alguma vez registada no nosso País – no final de Setembro atingiu-se uma taxa de 7,7 por cento, correspondente a 429 mil pessoas - , dados posteriores do Instituto de Emprego e Formação Profissional, referentes ao mês passado, apontam para 486 311 desempregados inscritos nos Centros de Emprego.
A este valor importa acrescentar o número correspondente aos trabalhadores que, segundo a classificação estatística de emprego do INE, são inactivos disponíveis para trabalhar e inactivos desencorajados, o que perfaz mais de 550 mil trabalhadores, qualquer coisa como cerca de dez por cento da população activa.
Economia estagnada
Foram estes dados, actualizados, que o Grupo Parlamentar do PCP, pela voz de Jerónimo de Sousa, levou uma vez mais ao hemiciclo em recente debate mensal com o Primeiro-Ministro. Tratava-se de saber o que está a ser feito para resolver o que é porventura o problema central que mais aflige os portugueses
Tentativa em vão, esta, de esclarecer o pensamento do chefe do Governo. Passou pelo assunto como gato sobre brasas, o mesmo fazendo em relação à situação económica para a qual fora igualmente desafiado a pronunciar-se pelo líder do PCP.
Realçada por Jerónimo de Sousa fora a não menos preocupante evolução da economia do nosso País, que, alertou, a manter-se a actual política, «dificilmente se libertará do ciclo vicioso de estagnação e recessão em que há muito se deixou enredar».
Lembrada foi, concretamente, a recessão técnica em que possivelmente Portugal estará no final de 2005, cenário mais que previsível face aos mais recentes dados do INE, na linha, aliás, do Relatório de Outono do Banco de Portugal, no qual, novamente, foram revistos em baixa «todos os indicadores relevantes e potenciadores de crescimento, do investimento, às exportações e ao Produto Interno».
Prolongar a crise
«Não são boas notícias, nem são previsíveis que credibilizem o cenário que o Governo apresenta para a evolução da situação económica portuguesa para o próximo ano», advertiu Jerónimo de Sousa, considerando que não são boas notícias sobretudo para os portugueses à procura de emprego, uma vez que, observou, significam ainda mais desemprego.
As opções do Governo em matéria de política económica só podem, por conseguinte, na perspectiva do PCP, ter uma consequência: «prolongar e acentuar a crise». «Numa economia anémica, praticamente estagnada, como a portuguesa», a isso conduz, salientou Jerónimo de Sousa, «o aumento dos impostos, designadamente do IVA, o corte nas despesas públicas de investimento e agora o aumento das taxas de juros».
Apoios comunitários
Aquém do justo e necessário
Analisados por Jerónimo de Sousa no Parlamento foram também os resultados do Conselho Europeu de há cerca de duas semanas, que dominaram a intervenção de José Sócrates e foram por este apresentados como uma vitória da sua governação.
Não questionando a existência de aspectos positivos nas perspectivas financeiras para 2007/2013, o dirigente comunista fez notar, todavia, que tais resultados, como habitualmente sucede, são sempre apresentados como os melhores quando comparados com as piores expectativas e a dramatização que antecede e marca o decurso do processo negocial.
Ora a verdade é que, concluiu, os resultados globais para o País «estão aquém do que era necessário e justo e do que estava previsto na Agenda 2000, tendo em conta que Portugal é dos países que mais perde com o alargamento».
A verdade é que está prevista uma redução das transferência na ordem dos dez por cento, o que sucede num momento em que Portugal, como foi lembrado, enfrenta a pior das crises com quatro anos consecutivos de divergência em relação à Europa.
Não só razoável como uma «justa ambição do Governo» seria, pois, na perspectiva do líder comunista, garantir pelo menos um valor de transferência igual ao do actual Quadro Comunitário de Apoio.
Não foi o que aconteceu pelo que, uma vez mais, considerou, os ganhadores foram «os países mais ricos», que «mais ganham com o alargamento, com a sua imposição da redução dos montantes de transferências para o Orçamento Comunitário».
A este valor importa acrescentar o número correspondente aos trabalhadores que, segundo a classificação estatística de emprego do INE, são inactivos disponíveis para trabalhar e inactivos desencorajados, o que perfaz mais de 550 mil trabalhadores, qualquer coisa como cerca de dez por cento da população activa.
Economia estagnada
Foram estes dados, actualizados, que o Grupo Parlamentar do PCP, pela voz de Jerónimo de Sousa, levou uma vez mais ao hemiciclo em recente debate mensal com o Primeiro-Ministro. Tratava-se de saber o que está a ser feito para resolver o que é porventura o problema central que mais aflige os portugueses
Tentativa em vão, esta, de esclarecer o pensamento do chefe do Governo. Passou pelo assunto como gato sobre brasas, o mesmo fazendo em relação à situação económica para a qual fora igualmente desafiado a pronunciar-se pelo líder do PCP.
Realçada por Jerónimo de Sousa fora a não menos preocupante evolução da economia do nosso País, que, alertou, a manter-se a actual política, «dificilmente se libertará do ciclo vicioso de estagnação e recessão em que há muito se deixou enredar».
Lembrada foi, concretamente, a recessão técnica em que possivelmente Portugal estará no final de 2005, cenário mais que previsível face aos mais recentes dados do INE, na linha, aliás, do Relatório de Outono do Banco de Portugal, no qual, novamente, foram revistos em baixa «todos os indicadores relevantes e potenciadores de crescimento, do investimento, às exportações e ao Produto Interno».
Prolongar a crise
«Não são boas notícias, nem são previsíveis que credibilizem o cenário que o Governo apresenta para a evolução da situação económica portuguesa para o próximo ano», advertiu Jerónimo de Sousa, considerando que não são boas notícias sobretudo para os portugueses à procura de emprego, uma vez que, observou, significam ainda mais desemprego.
As opções do Governo em matéria de política económica só podem, por conseguinte, na perspectiva do PCP, ter uma consequência: «prolongar e acentuar a crise». «Numa economia anémica, praticamente estagnada, como a portuguesa», a isso conduz, salientou Jerónimo de Sousa, «o aumento dos impostos, designadamente do IVA, o corte nas despesas públicas de investimento e agora o aumento das taxas de juros».
Apoios comunitários
Aquém do justo e necessário
Analisados por Jerónimo de Sousa no Parlamento foram também os resultados do Conselho Europeu de há cerca de duas semanas, que dominaram a intervenção de José Sócrates e foram por este apresentados como uma vitória da sua governação.
Não questionando a existência de aspectos positivos nas perspectivas financeiras para 2007/2013, o dirigente comunista fez notar, todavia, que tais resultados, como habitualmente sucede, são sempre apresentados como os melhores quando comparados com as piores expectativas e a dramatização que antecede e marca o decurso do processo negocial.
Ora a verdade é que, concluiu, os resultados globais para o País «estão aquém do que era necessário e justo e do que estava previsto na Agenda 2000, tendo em conta que Portugal é dos países que mais perde com o alargamento».
A verdade é que está prevista uma redução das transferência na ordem dos dez por cento, o que sucede num momento em que Portugal, como foi lembrado, enfrenta a pior das crises com quatro anos consecutivos de divergência em relação à Europa.
Não só razoável como uma «justa ambição do Governo» seria, pois, na perspectiva do líder comunista, garantir pelo menos um valor de transferência igual ao do actual Quadro Comunitário de Apoio.
Não foi o que aconteceu pelo que, uma vez mais, considerou, os ganhadores foram «os países mais ricos», que «mais ganham com o alargamento, com a sua imposição da redução dos montantes de transferências para o Orçamento Comunitário».