Eleições na Polónia

Políticas liberais condenadas

Os eleitores polacos infligiram uma pesada derrota à Aliança da Esquerda Democrática (SLD), do primeiro-ministro Marek Belka, responsável pelas reformas económicas e sociais de carácter liberal conduzidas nos últimos anos.

Os sociais-democratas no poder foram os grandes derrotados

Marcadas pela maior abstenção de sempre (60 por cento dos eleitores não foram às urnas), as eleições legislativas realizadas no domingo saldaram-se por uma vitória dos partidos de direita. O mais votado foi o partido da «Lei e Justiça» (PiS), que recolheu 27 por cento dos votos. No entanto, a vitória do PiS está longe de ser esmagadora, já que, levando em conta o número de abstencionistas, este partido surgido das correntes católicas conservadoras do movimento Solidariedade, apenas conquistou a confiança de dez por cento dos eleitores inscritos.
Acresce que, paradoxalmente, o PiS optou por capitalizar o descontentamento popular com as políticas anti-sociais protagonizadas pela Aliança da Esquerda Democrática, apostando em mensagens como «Não ao liberalismo» que destruiu o sistema de protecção social; «Sim a uma justiça rigorosa» para cortar as raízes da corrupção que marcou a governação social-democrata; ou «todos juntos» por uma Polónia na União Europeia mais forte, soberana e respeitadora dos valores tradicionais.
E a prova de que o povo polaco está farto das experiências liberais a que tem estado submetido nos últimos 16 anos, é o facto de ter infligido um pesadíssima derrota à Aliança da Esquerda Democrática (SLD) que obteve apenas 11,2 por cento dos votos, ou seja, pouco mais de 3,3 por cento dos total de eleitores inscritos.
De partido no poder, a social-democracia passou para quarta força política (ultrapassada pelo partido populista Samoobrona (Legítima Defesa), com 67 deputados. Em segundo lugar surgem os liberais da Plataforma Cívica (PO) com 24,1 por cento de votos e 123 deputados, que deverão formar governo com os conservadores do PiS, conforme acordo prévio ao sufrágio.
Resta saber se o novo governo irá cumprir as promessas de travar as privatizações, em nome da independência industrial do país, e aumentar os subsídios sociais às famílias desfavorecidas e aos desempregados que constituem cerca de um quinto da população polaca.
O restabelecimento da pena de morte consta igualmente no rol do programa eleitoral do PiS, liderado por Lech kaczynski, actual presidente da Câmara de Varsóvia, que promete mão dura para os delinquentes, pequenos e grandes, e aposta no regresso aos valores «tradicionais» do trabalho, família, pátria e religião.


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