Família de Menezes exige inquérito

Fazer justiça

Familiares do jovem brasileiro executado, em 22 de Julho, pela Scotland Yard exigem que o governo britânico abra um inquérito publico sobre verdadeiras circunstâncias do sucedido.

A polícia londrina mentiu e obstruiu a investigação da morte de Menezes

Depois de terem rejeitado um avultado montante em dinheiro oferecido pela polícia, (esta confirmou ter proposto 22 mil euros, embora a imprensa tenha falado em um milhão de dólares), familiares de Jean Charles Menezes entregaram na segunda-feira, dia 22, uma carta aberta na residência do primeiro-ministro britânico, em Downing Street, exigindo a averiguação das circunstâncias da morte do jovem electricista e o julgamento dos responsáveis pelos tribunais.
A missiva exige igualmente que as entidades judiciais investiguem as instruções dadas aos agentes para «atirar a matar» e as mentiras divulgadas pela polícia para encobrir os factos ocorridos e enjeitar responsabilidades.
À noite, cerca de meia centena de activistas do grupo «Justiça para Menezes» realizaram uma vigília de protesto em Downing Street, em memória do brasileiro inocente barbaramente executado há um mês.

As mentiras
da Scotland Yard


Na noite de terça-feira, dia 16, a estação televisiva ITV revelava que tanto os testemunhos, prestados à comissão policial encarregada do inquérito sobre a morte de Menezes, como as imagens gravadas pelas câmaras de vigilância do metro contradiziam a versão oficial apresentada pelo chefe da Scotland Yard, sir Ian Blair.
Ian Blair afirmou, em 22 de Julho, que Jean Charles Menezes vestia um casaco de Inverno acolchoado capaz de esconder um bomba. Identificado, por erro, como um dos kamikazes na estação de metro de Stockwell, no sul de Londres, o suspeito não teria obedecido à ordem de detenção dos agentes, saltando os torniquetes e correndo pelas escadas de acesso ao cais. No seu encalço, os agentes tê-lo-iam detido à entrada de uma das composições, abatendo-o a tiro, conforme impõem os procedimentos para fazer face a uma ameaça «grave e iminente».
Todavia, a fotografia do corpo da vítima, divulgada pela ITV, mostra que a vítima afinal se encontra no interior de uma carruagem e que envergava um simples blusão de ganga e não um largo sobretudo.
Acresce que, de acordo com as testemunhas oculares ouvidas pela comissão de inquérito, Menezes passou normalmente pelos torniquetes da estação depois de calmamente ter levantado um exemplar de um jornal gratuito. Sem pressas, tomou a escada rolante, correndo para o cais de embarque quando se apercebeu da presença do comboio na estação.
Já no seu interior, onde se sentou no primeiro lugar livre, Menezes foi alcançado pelos polícias, levantando-se à ordem destes, sendo depois agarrado por um agente à paisana, enquanto outro o atingiu com oito balas, uma no ombro e sete na cabeça.
As autoridades alegaram ainda ter confundido a vítima inocente com Osman Hussain, suspeito de ter participado nos atentados em Londres. Contudo, Hussain estava sob vigilância policial em Roma, onde de resto foi preso em 29 de Julho.
Não surpreende pois que a Scotland Yard tenha tentado obstruir o trabalho da comissão de inquérito, como denunciou o responsável por este organismo, John Wadham. Durante mais de três dias, os investigadores foram impedidos de entrar na estação de Stockwell, tendo desaparecido importantes elementos de prova, designadamente imagens captadas por câmaras de vigilância. A comissão promete apresentar conclusões dentro de alguns meses.


Mais artigos de: Europa

ONU critica deportações britânicas

O relator da ONU contra a Tortura, Manfred Nowak, criticou a nova política do Reino Unido que determina a deportação de qualquer pessoa considerada perigosa para a segurança nacional.Num comunicado divulgado na terça-feira, dia 23, Nowak condena a decisão das autoridades britânicas de proceder à expulsão de cidadãos...

Temas em debate

Enquanto prossegue esta tragédia nacional dos incêndios florestais, está a chegar ao fim o período de férias do Parlamento Europeu, onde, como já anunciámos, requeremos um debate para a sessão plenária de Setembro, visando não apenas a sensibilização dos deputados para este grave problema, mas também a insistência em...