Venezuela, de novo a eleições

Pedro Campos
A 7 de Agosto, haverá nova consulta eleitoral na Venezuela, neste caso para renovar os representantes autárquicos. Historicamente uma consulta eleitoral pouco apelativa para os venezuelanos, que preferem passar esse dia nas suas praias tropicais, nos parques ou em casa. Nas presidenciais de 1998 a abstenção foi de 36,6%, mas nas municipais de 2000 saltou para 76,2. É precisamente nesta circunstância que joga a oposição mais reaccionária, que apela à abstenção como parte da sua estratégia golpista e antinacional.
Quem vai ganhar?
Bolivarianos e opositores, estão convencido de que os «chavistas»» ganharão por ma margem amplíssima, talvez maior que a de Outubro de 2004, quando ganharam 22 dos 24 estados do país. As razões para que assim suceda são consequência dos resultados positivos do processo de transformações revolucionárias encabeçado pelo presidente Chávez, mas também dos erros – enormes, vários deles – dos seus opositores.
São vários os programas de profundo conteúdo social, mas vejamos brevemente só duas das «Missões».
Bairro Adentro I leva atenção médica preventiva até às zonas populares onde nunca tinha chegado um médico. Com o apoio solidário de especialistas cubanos, já atendeu, no que vai do ano, mais de 18 milhões de casos e executou para cima de 2 milhões de visitas a domicílio, e está a dar um salto qualitativo com Bairro Adentro II – que chegará à classe média, em boa parte ainda envenenada por uma campanha mediática de um anticomunismo primitivo – e com Bairro Adentro III, que se ocupará da atenção hospitalar.
Mirtha Roses, da Organização Pan-americana da Saúde, ligada à OMS, fez justiça ao programa ao afirmar que «… é uma experiência útil outros países do continente».
Robinson é o nome da primeira «Missão» que se ocupou da luta contra o analfabetismo. Em pouco mais de um ano conseguiu alfabetizar perto de 1 250 000 venezuelanos, acabando praticamente com a iliteracia, e outros programas estão a permitir a culminação da secundária a dezenas de milhares e a abrir as portas da universidade a venezuelanos que nunca sonharam com frequentar um curso superior.
Tudo isto e muito mais, em muito poucos anos e apesar de um golpe de Estado, de várias greves patronais e de uma incansável campanha de sabotagem política e económica, capaz de arruinar qualquer país e de destruir o apoio popular de qualquer governo. Contudo, hoje e segundo sondagens de empresas ligadas à oposição mais reaccionária, o governo de Chávez é apoiado por perto de 70% da população.

Oposição dividida

Isto é do lado bolivariano. Do outro lado, uns líderes oposicionistas claramente de costas para as grandes maiorias nacionais e carentes de ética, que se limitam a esperar uma intervenção estado-unidense tipo Chile ou mesmo tipo Iraque, que lhes devolva os privilégios de antes. Para mais, esta mesma oposição, produto de saltar de erro em erro, apresenta-se hoje dividida. Uns, porque ainda contam com alguns votantes, já anunciaram que participarão nas eleições e apresentaram 19 000 candidatos… apesar de dizerem que as mesmas serão fraudulentas. Outros, de menor implantação no eleitorado mas mais vociferantes e com maior apoio mediático, negam-se a participar, porque a sua estratégia conspirativa é sabotar de qualquer forma [1]. Uma oposição unida teria poucas hipóteses de sucesso; assim, separada e insultando-se mutuamente, menos ainda… o que coloca um problema de não pouca monta ao governo: o do nível de participação eleitoral. Os votantes bolivarianos só querem saber «por quantos» vão ganhar. Nestas condições é grande a tentação para não se dar à maçada de ir para a fila e votar. Este facilismo é perigoso porque a oposição, a que vai às eleições e a que se abstém, já se prepara para dizer que são seus os sufrágios dos não votantes e dessa forma retirar legitimidade à vitória bolivariana.
Estas eleições municipais serão observadas por uma missão da União Europeia e por José Miguel Insulza, novo secretário-geral da OEA. Isto parece ser do agrado de certa oposição, mas vale o que vale. Não convém esquecer que, aquando do referendo de 15 de Agosto, se comprometeram a aceitar os resultados se o Centro Carter e a OEA os validassem. Ao verem que reconheciam a vitória de Chávez, insultaram publicamente o ex-presidente Carter e César Gaviria, então secretário-geral da OEA, por muito que ambos estivessem do lado de uma oligarquia que só aceita uma saída: o do derrube de Hugo Chávez.
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[1] Há poucos dias quando atentaram à bomba contra as instalações do Conselho
Eleitoral na terceira cidade do país.


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