Pela libertação dos presos políticos
«Pela libertação de Al-Kubaysi e de todos os presos políticos no Iraque» é a palavra de ordem da sessão pública que terá lugar em Paris, a 27 de Junho.
Cerca de 20 000 iraquianos estão encarcerados sem culpa formada
A iniciativa, promovida entre outras organizações pela Conferência internacional de solidariedade com o povo iraquiano em luta, o Comité contra a guerra no Iraque e o Apelo franco-árabe, conta com a participação de familiares de presos políticos, advogados, sociólogos, sindicalistas e representantes da resistência iraquiana.
Esta jornada de esclarecimento e solidariedade com o povo iraquiano tem em Abdul-Jabbar Al-Kubaysi um símbolo da luta contra a ocupação norte-americana.
Antigo refugiado em França, presidente da Aliança Patriótica Iraquiana e chefe de redacção do diário Nida al Watan, Al-Kubaysi foi preso em Setembro de 2004, em Bagdad, pelas tropas norte-americanas. Está desde então no «Campo Cropper», perto do aeroporto de Bagdad.
Segundo Anicet Le Pors, antigo ministro, o «crime» de Al-Kubaysi é o de ser um «resistente às forças de ocupação» e de recusar «os métodos desumanos que isolam as forças democráticas», bem como o de ter «consagrado os seus esforços à unidade das forças vivas iraquianas que aspiram a construir para o Iraque um futuro de progresso e da paz».
Também o escritor Gilles Perrault veio a público apelar à solidariedade com os patriotas iraquianos, sublinhando o quanto é «singular» esta «pretensa cruzada» dos EUA «para a liberdade», que leva a «abrir campos de internamento e a enchê-los de milhares de presos iraquianos», sem fundamentação legal, o que «os priva de toda a protecção».
Para o escritor, a «exigência da sua libertação impõe-se a todos os que não aceitam que os direitos humanos sejam assim espezinhados».
Actualmente, cerca de 20 000 iraquianos estão encarcerados, sem culpa formada, privados de qualquer contacto com as respectivas famílias e sem direito a advogado.
Contra a escalada
Para as organizações em luta pela libertação dos presos políticos iraquianos a guerra no Iraque, longe de ter acabado, está apenas no começo. Os EUA, dizem, «não conseguem vencer a resistência iraquiana apesar dos importantes meios que utilizam: repressão directa, criação de grupos terroristas provocadores, invenção do mito al-Zarkaoui - Al’Qaeda, «federalização», «confessionalização» e etnicização das tensões sociais, manipulações pseudo-eleitorais, etc. Mas os EUA também não podem recuar devido à própria arrogância com que a guerra foi lançada ao arrepio do direito internacional e à forma como foi conduzida sem porem em causa todo o seu prestígio. Por isso a guerra continua com o seu cortejo de mentiras e de crimes».
É neste contexto que cada vez mais observadores enquadram a acção do chamado grupo de al-Zarqawi, uma figura que de acordo com o jornalista Dahr Jamail - criado em Houston, Texas, e actualmente a exercer a profissão como freelance - «provavelmente nem existe».
«Não há nenhuma prova que fundamente as acusações que lhe são feitas e as informações a seu respeito são muito contraditórias», afirma Dahr Jamail, que viveu a terrível experiência do cerco a Fallujah, em Abril de 2004.
«Entre as pessoas que entrevistei não encontrei ninguém ligado aos atentados sangrentos com carros armadilhados», afirma Jamail, para quem os atentados violentos relatados pelos média «são na sua maioria obra de grupos terroristas».
«Confunde-se rapidamente esses terroristas com a resistência, porque eles visam o mesmo alvo, os EUA», refere Jamail, sublinhando que no entanto as tácticas são diferentes. «A resistência conduz uma guerra de guerrilha e visa objectivos militares. Os terroristas, pelo contrário, fazem muitas vítimas civis com as suas viaturas armadilhadas. As horríveis decapitações e raptos situam-se na mesma linha. Nesta história dos raptos, é preciso pôr sempre a questão de saber quem aproveita com eles. Ao raptar pessoas que ajudam os iraquianos, a resistência perderia um importante apoio da população. Só os ocupantes beneficiam dos raptos e isso dá-lhes possibilidade de justificarem a sua presença no Iraque».
Esta jornada de esclarecimento e solidariedade com o povo iraquiano tem em Abdul-Jabbar Al-Kubaysi um símbolo da luta contra a ocupação norte-americana.
Antigo refugiado em França, presidente da Aliança Patriótica Iraquiana e chefe de redacção do diário Nida al Watan, Al-Kubaysi foi preso em Setembro de 2004, em Bagdad, pelas tropas norte-americanas. Está desde então no «Campo Cropper», perto do aeroporto de Bagdad.
Segundo Anicet Le Pors, antigo ministro, o «crime» de Al-Kubaysi é o de ser um «resistente às forças de ocupação» e de recusar «os métodos desumanos que isolam as forças democráticas», bem como o de ter «consagrado os seus esforços à unidade das forças vivas iraquianas que aspiram a construir para o Iraque um futuro de progresso e da paz».
Também o escritor Gilles Perrault veio a público apelar à solidariedade com os patriotas iraquianos, sublinhando o quanto é «singular» esta «pretensa cruzada» dos EUA «para a liberdade», que leva a «abrir campos de internamento e a enchê-los de milhares de presos iraquianos», sem fundamentação legal, o que «os priva de toda a protecção».
Para o escritor, a «exigência da sua libertação impõe-se a todos os que não aceitam que os direitos humanos sejam assim espezinhados».
Actualmente, cerca de 20 000 iraquianos estão encarcerados, sem culpa formada, privados de qualquer contacto com as respectivas famílias e sem direito a advogado.
Contra a escalada
Para as organizações em luta pela libertação dos presos políticos iraquianos a guerra no Iraque, longe de ter acabado, está apenas no começo. Os EUA, dizem, «não conseguem vencer a resistência iraquiana apesar dos importantes meios que utilizam: repressão directa, criação de grupos terroristas provocadores, invenção do mito al-Zarkaoui - Al’Qaeda, «federalização», «confessionalização» e etnicização das tensões sociais, manipulações pseudo-eleitorais, etc. Mas os EUA também não podem recuar devido à própria arrogância com que a guerra foi lançada ao arrepio do direito internacional e à forma como foi conduzida sem porem em causa todo o seu prestígio. Por isso a guerra continua com o seu cortejo de mentiras e de crimes».
É neste contexto que cada vez mais observadores enquadram a acção do chamado grupo de al-Zarqawi, uma figura que de acordo com o jornalista Dahr Jamail - criado em Houston, Texas, e actualmente a exercer a profissão como freelance - «provavelmente nem existe».
«Não há nenhuma prova que fundamente as acusações que lhe são feitas e as informações a seu respeito são muito contraditórias», afirma Dahr Jamail, que viveu a terrível experiência do cerco a Fallujah, em Abril de 2004.
«Entre as pessoas que entrevistei não encontrei ninguém ligado aos atentados sangrentos com carros armadilhados», afirma Jamail, para quem os atentados violentos relatados pelos média «são na sua maioria obra de grupos terroristas».
«Confunde-se rapidamente esses terroristas com a resistência, porque eles visam o mesmo alvo, os EUA», refere Jamail, sublinhando que no entanto as tácticas são diferentes. «A resistência conduz uma guerra de guerrilha e visa objectivos militares. Os terroristas, pelo contrário, fazem muitas vítimas civis com as suas viaturas armadilhadas. As horríveis decapitações e raptos situam-se na mesma linha. Nesta história dos raptos, é preciso pôr sempre a questão de saber quem aproveita com eles. Ao raptar pessoas que ajudam os iraquianos, a resistência perderia um importante apoio da população. Só os ocupantes beneficiam dos raptos e isso dá-lhes possibilidade de justificarem a sua presença no Iraque».
«Enquanto o exército americano continuar a ocupação [do Iraque], parece-me impossível qualquer melhoria da situação. As condições de vida pioram de dia para dia. A violência aumenta constantemente. O desemprego continua a subir, as infra-estruturas estão destruídas. A vida é feita de sofrimento, de insegurança e de caos. Não vejo com isto poderá mudar enquanto as tropas norte-americanas continuarem no país.»
Dahr Jamail, Directeur www.dahrjamailiraq.com