Efeito de dominó chega ao Quirguistão
O governo interino do Quirguistão impõe o recolher obrigatório e anuncia eleições presidenciais para Junho. O presidente Askar Akayev abandonou o país.
«A polícia não está em condições de garantir a segurança»
A crise política no Quirguistão, desencadeada pela oposição na sequência de alegadas irregularidades nas legislativas de Fevereiro e Março, assemelha-se em tudo às registadas na Geórgia (Novembro de 2003) e na Ucrânia (Novembro de 2004), com a particularidade de neste caso ter degenerado em cenas de violência incontrolável, em particular na capital, Bishkek.
Em declarações à agência russa Interfax, fontes do Ministério do Interior informaram no passado dia 25 que o recolher na capital vigora entre as 18h e as 6h da manhã, mas reconhecem que a polícia não está em condições de garantir a segurança em toda a cidade. A medida foi tomada após violentos confrontos de rua que provocaram pelo menos três mortos e 173 feridos, para além de danos materiais resultantes do assalto a instalações administrativas e saques a estabelecimentos comerciais.
O novo executivo, que se apresenta como um Conselho Coordenador da Unidade Nacional, integra figuras da oposição como Maktebek Abdylayev, na pasta do Interior; Rosa Otunbayeva, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, que volta ao cargo; e Félix Kulov, agora à frente dos serviços secretos.
O esquema desta chamada «revolução das túlipas» é em tudo idêntico ao registado na Geórgia e na Ucrânia, onde as oposições apoiadas pelas potências ocidentais substituíram no poder os governos tidos como mais próximos de Moscovo.
Num comunicado divulgado antes de abandonar o país, citado pela Prensa Latina, Askar Akayev atribuiu a desestabilização do país a «um grupo de aventureiros políticos irresponsáveis e conspiradores» que optou por «tomar o poder pela força, de forma inconstitucional».
Akaev garante que tinha forças suficientes para conter a oposição, mas que proibiu o recurso à violência a fim de evitar vítimas.
Reacções
Para o presidente russo, Vladimir Putin, que pretende manter relações «positivas» com o novo poder, os acontecimentos no Quirguistão são o «resultado da debilidade das autoridades e da acumulação dos problemas sócio-económicos».
Kurmanbek Bakyev, o dirigente da oposição que acumula interinamente os cargos de presidente e primeiro-ministro, afirmou por seu turno que «ninguém pensa mudar» a orientação «tradicionalmente amistosa» das relações com a Rússia. Bakyey foi nomeado pelo Parlamento cessante, que se mantém em funções devido ao facto de o Supremo Tribunal ter invalidado os resultados das últimas legislativas.
O presidente interino afirmou ainda que o país respeitará os seus compromissos internacionais, designadamente no que respeita à presença no seu território das bases aéreas russas e norte-americanas, situadas perto da capital.
A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e a União Europeia (UE) apelaram por seu turno ao restabelecimento da ordem e da estabilidade no Quirguistão.
Quanto aos EUA, com importantes interesses nos campos petrolíferos neste país limítrofe com a Rússia, China e Índia, acompanham «com atenção» o evoluir do processo.
Equilíbrio precário
Com cinco milhões de habitantes, o Quirguistão, antiga república soviética da Ásia Central, integra a Organização Mundial de Comércio e era já considerado por Washington como uma das economias mais liberais da região.
Aparentemente, há quem queira ir mais longe. Segundo alguns analistas políticas, por trás dos distúrbios estão grupos radicais com ligações ao narcotráfico.
Coincidência ou não, é de assinalar a libertação do ex-primeiro-ministro, Félix Kulov, pelas forças da oposição. Kulov, condenado por desvio de fundos, desde logo encabeçou os protestos contra o governo e deu início à criação do Conselho Coordenador da Unidade Nacional.
Não menos significativo é o facto de o Quirguistão ser membro da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, que integra conjuntamente com a Bielorrússia, o Kazaquistão, Rússia, Tajiquistão e Arménia, para além de fazer parte do Grupo de Cooperação de Xangai, onde participa com a China, Rússia, Kazaquistão, Tajiquistão e Uzbequistão.
Numa palavra, os frágeis equilíbrios da Ásia Central podem estar em jogo.
Em declarações à agência russa Interfax, fontes do Ministério do Interior informaram no passado dia 25 que o recolher na capital vigora entre as 18h e as 6h da manhã, mas reconhecem que a polícia não está em condições de garantir a segurança em toda a cidade. A medida foi tomada após violentos confrontos de rua que provocaram pelo menos três mortos e 173 feridos, para além de danos materiais resultantes do assalto a instalações administrativas e saques a estabelecimentos comerciais.
O novo executivo, que se apresenta como um Conselho Coordenador da Unidade Nacional, integra figuras da oposição como Maktebek Abdylayev, na pasta do Interior; Rosa Otunbayeva, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, que volta ao cargo; e Félix Kulov, agora à frente dos serviços secretos.
O esquema desta chamada «revolução das túlipas» é em tudo idêntico ao registado na Geórgia e na Ucrânia, onde as oposições apoiadas pelas potências ocidentais substituíram no poder os governos tidos como mais próximos de Moscovo.
Num comunicado divulgado antes de abandonar o país, citado pela Prensa Latina, Askar Akayev atribuiu a desestabilização do país a «um grupo de aventureiros políticos irresponsáveis e conspiradores» que optou por «tomar o poder pela força, de forma inconstitucional».
Akaev garante que tinha forças suficientes para conter a oposição, mas que proibiu o recurso à violência a fim de evitar vítimas.
Reacções
Para o presidente russo, Vladimir Putin, que pretende manter relações «positivas» com o novo poder, os acontecimentos no Quirguistão são o «resultado da debilidade das autoridades e da acumulação dos problemas sócio-económicos».
Kurmanbek Bakyev, o dirigente da oposição que acumula interinamente os cargos de presidente e primeiro-ministro, afirmou por seu turno que «ninguém pensa mudar» a orientação «tradicionalmente amistosa» das relações com a Rússia. Bakyey foi nomeado pelo Parlamento cessante, que se mantém em funções devido ao facto de o Supremo Tribunal ter invalidado os resultados das últimas legislativas.
O presidente interino afirmou ainda que o país respeitará os seus compromissos internacionais, designadamente no que respeita à presença no seu território das bases aéreas russas e norte-americanas, situadas perto da capital.
A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e a União Europeia (UE) apelaram por seu turno ao restabelecimento da ordem e da estabilidade no Quirguistão.
Quanto aos EUA, com importantes interesses nos campos petrolíferos neste país limítrofe com a Rússia, China e Índia, acompanham «com atenção» o evoluir do processo.
Equilíbrio precário
Com cinco milhões de habitantes, o Quirguistão, antiga república soviética da Ásia Central, integra a Organização Mundial de Comércio e era já considerado por Washington como uma das economias mais liberais da região.
Aparentemente, há quem queira ir mais longe. Segundo alguns analistas políticas, por trás dos distúrbios estão grupos radicais com ligações ao narcotráfico.
Coincidência ou não, é de assinalar a libertação do ex-primeiro-ministro, Félix Kulov, pelas forças da oposição. Kulov, condenado por desvio de fundos, desde logo encabeçou os protestos contra o governo e deu início à criação do Conselho Coordenador da Unidade Nacional.
Não menos significativo é o facto de o Quirguistão ser membro da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, que integra conjuntamente com a Bielorrússia, o Kazaquistão, Rússia, Tajiquistão e Arménia, para além de fazer parte do Grupo de Cooperação de Xangai, onde participa com a China, Rússia, Kazaquistão, Tajiquistão e Uzbequistão.
Numa palavra, os frágeis equilíbrios da Ásia Central podem estar em jogo.