Manifestação em Buxelas

Por uma Europa social

Mais de 60 mil trabalhadores vindos de vários países europeus, entre os quais estava um delegação da CGTP com centena e meia de activistas, desfilaram no sábado, dia 19, em Bruxelas.

A defesa dos serviços públicos passa pela recusa do tratado constitucional

A jornada foi convocada pela Confederação Europeia de sindicatos (CES) em defesa de uma Europa que seja sinónimo de criação de empregos e contra uma Europa construída segundo o projecto de directiva «Bolkestein», que promove a liberalização total dos serviços públicos, impondo o princípio do país de origem.
«Mais empregos e de melhor qualidade, pela Europa social, stop Bolkestein» eram as inscrições que se podiam ler na bandeirola empunhada pelo secretário-geral da CES, John Monks, acompanhado de alguns líderes dos sindicatos europeus, designadamente Mikael Summer (DGB, Alemanha), José Fidalgo (CCOO, Espanha) ou François Chérèque (CFDT, França).
Apesar de a CES ter uma posição favorável à «constituição europeia», várias delegações vincaram a sua oposição ao texto federalista que pretende impor a todos os povos um rumo neoliberal.
A diferença de posições é ainda notória em relação à «Estratégia de Lisboa», vista por muitos como a responsável pelo aumento do desemprego e recessão económica, enquanto outros continuam a salientar os seus alegados objectivos sociais. «Não queremos que a Europa se transforme na América, que os sindicatos percam a sua força e que os trabalhadores percam os empregos e os direitos», disse John Monks aos milhares de manifestantes que participaram na euromanifestação de Bruxelas.
«Por isso, defendemos a Estratégia de Lisboa que prevê a criação de mais e melhor emprego e o combate à precariedade», acrescentou Monks no encerramento da manifestação.
Para o dirigente da CGTP, Florival Lança, a manifestação foi «uma mensagem clara de repúdio relativamente à política económica europeia, sobretudo no que concerne à proposta de revisão do Pacto de Estabilidade. Esta manifestação é um protesto em reacção pela actual política europeia, que é responsável pela recessão económica», disse o sindicalista à Agência Lusa.


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