Silêncio de chumbo
Não passou despercebida a forma como o Primeiro-Ministro passou deliberada e sorrateiramente ao lado do problema da Bombardier. Sendo como é uma questão vital e da maior actualidade, esperava-se que sobre ela José Sócrates, no arranque do debate, esclarecesse a posição do Governo. Esta era sobretudo uma oportunidade soberana, de inegável significado, para que o Executivo explicasse qual a resposta que tem para dar face à atitude da multinacional que, pela calada da noite, tentou tirar máquinas indispensáveis à laboração da empresa. Um esclarecimento tanto mais urgente e necessário quanto é certo, como fez questão de chamar a atenção Jerónimo de Sousa, que, para além do «perigo da deslocalização», esta «não é uma empresa "aperta porcas"», bem pelo contrário, é uma «empresa com máquinas modernas, com técnicos e trabalhadores qualificados».
Pois a verdade é que, apesar de instado por Jerónimo de Sousa a fazê-lo, no período de perguntas após a intervenção inicial, da boca do chefe do Governo não se ouviu uma palavra sobre o assunto.
Um silêncio preocupante – o dirigente comunista qualificou-de de «silêncio de chumbo» - e ainda mais difícil de compreender se considerarmos que o encerramento das instalações da Amadora, anunciado pela administração da Bombardier há um ano, significa a destruição de centenas de postos de trabalho, para além dos impactes profundamente negativos que tem nos planos económico e social e de representar uma perda decisiva para a capacidade produtiva nacional.
Com efeito, a Bombardier continua a ser a única empresa em Portugal com capacidade para construir material circulante ferroviário para o nosso país e para qualquer parte do mundo.
Ora sendo conhecida a inevitabilidade de encomendar carruagens relacionadas com a concretização de diversos projectos ferroviários em Portugal, não é admissível o encerramento em Portugal da única empresa em condições de as produzir e que tais encomendas tenham de ser feitas a empresas situadas em outros países.
Isso mesmo refere o deputado comunista António Filipe, em requerimento dirigido ao Governo, no qual inquire sobre as diligências que este tenciona adoptar com vista à rápida conclusão de um acordo que viabilize a continuação do fabrico de material circulante ferroviário nas instalações da Bombardier na Amadora. Recorde-se que estão em curso negociações entre a CP e a administração da Bombardier com vista à aquisição das instalações por parte daquela empresa nacional. Daí que seja imprescindível conhecer qual a posição do Governo em relação à defesa desta importante unidade produtiva, bem como aos trabalhadores que continuam no desemprego sem saber qual será o seu futuro.
Pois a verdade é que, apesar de instado por Jerónimo de Sousa a fazê-lo, no período de perguntas após a intervenção inicial, da boca do chefe do Governo não se ouviu uma palavra sobre o assunto.
Um silêncio preocupante – o dirigente comunista qualificou-de de «silêncio de chumbo» - e ainda mais difícil de compreender se considerarmos que o encerramento das instalações da Amadora, anunciado pela administração da Bombardier há um ano, significa a destruição de centenas de postos de trabalho, para além dos impactes profundamente negativos que tem nos planos económico e social e de representar uma perda decisiva para a capacidade produtiva nacional.
Com efeito, a Bombardier continua a ser a única empresa em Portugal com capacidade para construir material circulante ferroviário para o nosso país e para qualquer parte do mundo.
Ora sendo conhecida a inevitabilidade de encomendar carruagens relacionadas com a concretização de diversos projectos ferroviários em Portugal, não é admissível o encerramento em Portugal da única empresa em condições de as produzir e que tais encomendas tenham de ser feitas a empresas situadas em outros países.
Isso mesmo refere o deputado comunista António Filipe, em requerimento dirigido ao Governo, no qual inquire sobre as diligências que este tenciona adoptar com vista à rápida conclusão de um acordo que viabilize a continuação do fabrico de material circulante ferroviário nas instalações da Bombardier na Amadora. Recorde-se que estão em curso negociações entre a CP e a administração da Bombardier com vista à aquisição das instalações por parte daquela empresa nacional. Daí que seja imprescindível conhecer qual a posição do Governo em relação à defesa desta importante unidade produtiva, bem como aos trabalhadores que continuam no desemprego sem saber qual será o seu futuro.