Torres de Alcântara
Subitamente as que se tornaram conhecidas por Torres do Siza, em Alcântara, desapareceram não por qualquer estudo, debate ou aplicação de Planos, nem mesmo por aquela coisa encomendada pela Ambelis a dois arquitectos, com o extraordinário argumento de que, como já estavam a trabalhar na zona, quer dizer como tinham entre mãos projectos para promotores imobiliários privados naquela zona, isso lhes dava capacidade acrescida para elaborarem um estudo urbanístico que «encontrasse uma ideia mestra que desse coerência a todas as propostas desgarradas». Na mesma lógica os arquitectos Manuel Aires Mateus e Frederico Valsassina, os eleitos da Ambelis, diriam, com uma inocência desarmante, que a «encomenda nasceu ao contrário do habitual. Partiu do particular para o geral (…) Estavam a fazer projectos variados para a zona de Alcântara (…) o que dava um conhecimento muito particular sobre a área (…) o que deve ter pesado no pedido da Ambelis».
Para lá de se esperar que este método de encomenda, em qualquer área, não faça escola para não começarmos imediatamente a lamentar a perca nacional que foi o ter enviado o Alves dos Reis para a cadeia, quando deveriam era tê-lo encarregado de elaborar um estudo de captação e receitas extraordinárias para o estado dado o conhecimento particular e acrescido que tinha adquirido a fabricar notas falsas, ou ainda lamentar que se vá deixar escapar o saber adquirido pelos arguidos, os que se venha a provar ser culpados, no caso de pedofilia que está a ser julgado, que, pelo mesma linha de raciocínio, são os mais bem colocados para realizarem estudos que dêem novo enquadramento jurídico a esses crimes e mesmo para serem juízes em causa própria, tal como estes elaborantes de propostas desgarradas para a Alcântara que passaram a poder enquadrar e avaliar os seus próprios trabalhos ao contrário de outros seus colegas.
Este método de encomenda está-se a trivializar nosso país, ao contrário do que sucede no estrangeiro onde são lançados concursos internacionais com os mais variados âmbitos, preferindo-se esse método ao da encomenda directa que, no caso de obras públicas, só deveria ser usada em casos excepcionais e com carácter de urgência. Evitava-se a argumentação da Ambelis na revista LXF – Lisboa Futura que é simplesmente patética, e também se evitavam que, no meio das banalidades de bom senso que os arquitectos debitam, uma espécie de pronto-a-vestir destes estudos, se diga que «a nossa ambição é que se diga que não houve aqui trabalho de arquitecto» o que, por si só merecia despedimento com justa causa e que se abrisse imediatamente concurso com uma cláusula específica de só puderem concorrer arquitectos que saibam desenhar e trabalhar.
Mas se assim dizem, melhor fazem afirmando, por exemplo, que «as tais torres propostas pelo arquitecto Siza Vieira para o terreno da Sidul. O plano não as torna obrigatórias nem as impossibilita, deixando espaço ao diálogo entre todos os interessados e a um estudo mais aprofundado da matéria.» Estranha argumentação de quem é encarregue de fazer um estudo que sabe que o próprio Siza Vieira afirma, defendendo a sua proposta, a necessidade de se reanalisar o PDM, enquanto estes traçadores de planos não dizem que sim nem que não nem talvez.
As torres do Siza acabam por morrer de morte não-natural, vitimadas por razões meramente económicas, decisão do promotor imobiliário que não pode estar mais tempo com um investimento parado. Morrem sem se discutir, para agora e para o futuro, que regras devem ser aplicadas na frente ribeirinha de Lisboa, o que merece uma discussão profunda e aberta que resultasse no lançamento de um concurso internacional, senão ainda corremos o risco de ver esse trabalho entregue a alguém que já está por lá a fazer algum projecto desgarrado e que irá o agarrar por obra e graça de uma entidade amiga. Ou a ouvir disparates como aquela proposta de fazer um referendo ás Torres do Siza.
Lamentável é que a cidade continue a navegar á vista de interesses económicos e ser um campo aberto a oportunidades de negócio, onde tudo pode acontecer mas nada é decisivo.
Para lá de se esperar que este método de encomenda, em qualquer área, não faça escola para não começarmos imediatamente a lamentar a perca nacional que foi o ter enviado o Alves dos Reis para a cadeia, quando deveriam era tê-lo encarregado de elaborar um estudo de captação e receitas extraordinárias para o estado dado o conhecimento particular e acrescido que tinha adquirido a fabricar notas falsas, ou ainda lamentar que se vá deixar escapar o saber adquirido pelos arguidos, os que se venha a provar ser culpados, no caso de pedofilia que está a ser julgado, que, pelo mesma linha de raciocínio, são os mais bem colocados para realizarem estudos que dêem novo enquadramento jurídico a esses crimes e mesmo para serem juízes em causa própria, tal como estes elaborantes de propostas desgarradas para a Alcântara que passaram a poder enquadrar e avaliar os seus próprios trabalhos ao contrário de outros seus colegas.
Este método de encomenda está-se a trivializar nosso país, ao contrário do que sucede no estrangeiro onde são lançados concursos internacionais com os mais variados âmbitos, preferindo-se esse método ao da encomenda directa que, no caso de obras públicas, só deveria ser usada em casos excepcionais e com carácter de urgência. Evitava-se a argumentação da Ambelis na revista LXF – Lisboa Futura que é simplesmente patética, e também se evitavam que, no meio das banalidades de bom senso que os arquitectos debitam, uma espécie de pronto-a-vestir destes estudos, se diga que «a nossa ambição é que se diga que não houve aqui trabalho de arquitecto» o que, por si só merecia despedimento com justa causa e que se abrisse imediatamente concurso com uma cláusula específica de só puderem concorrer arquitectos que saibam desenhar e trabalhar.
Mas se assim dizem, melhor fazem afirmando, por exemplo, que «as tais torres propostas pelo arquitecto Siza Vieira para o terreno da Sidul. O plano não as torna obrigatórias nem as impossibilita, deixando espaço ao diálogo entre todos os interessados e a um estudo mais aprofundado da matéria.» Estranha argumentação de quem é encarregue de fazer um estudo que sabe que o próprio Siza Vieira afirma, defendendo a sua proposta, a necessidade de se reanalisar o PDM, enquanto estes traçadores de planos não dizem que sim nem que não nem talvez.
As torres do Siza acabam por morrer de morte não-natural, vitimadas por razões meramente económicas, decisão do promotor imobiliário que não pode estar mais tempo com um investimento parado. Morrem sem se discutir, para agora e para o futuro, que regras devem ser aplicadas na frente ribeirinha de Lisboa, o que merece uma discussão profunda e aberta que resultasse no lançamento de um concurso internacional, senão ainda corremos o risco de ver esse trabalho entregue a alguém que já está por lá a fazer algum projecto desgarrado e que irá o agarrar por obra e graça de uma entidade amiga. Ou a ouvir disparates como aquela proposta de fazer um referendo ás Torres do Siza.
Lamentável é que a cidade continue a navegar á vista de interesses económicos e ser um campo aberto a oportunidades de negócio, onde tudo pode acontecer mas nada é decisivo.