Todos contra Berlusconi
Mais de 70 manifestações realizaram-se por toda a Itália em 30 de Novembro, dia em que o país paralisou em protesto contra a proposta de orçamento para 2005.
O governo de Berlusconi está cada vez mais isolado
Esta greve geral, a quinta desde que a coligação de direita liderada por Silvio Berlusconi tomou posse em 2001, foi convocada pelas três maiores centrais sindicais que representam cerca de 12 milhões de trabalhadores dos diferentes sectores.
As maiores manifestações tiveram lugar em Roma e Milão, com mais de 100 mil pessoas, em Turim com 60 mil manifestantes e em Veneza, onde 50 mil pessoas encheram a praça de S. Marcos.
Fábricas, comboios, bancos ou ainda os transportes aéreos estiveram paralisados durante várias horas. Os correios e os serviços da administração pública, incluindo os de saúde, mantiveram-se encerrados durante todo o dia.
Procurando travar as políticas antisociais do governo, os sindicatos convocaram esta jornada em resposta ao projecto de orçamento de Estado para 2005 que consideram «injusto, errado e inadaptado à gravidade da situação», insistindo na denúncia da alegada baixa de impostos que apenas beneficiará os mais ricos.
Os partidos da coligação governamental qualificaram o protesto maciço como «uma greve política». O ministro das Reformas, Roberto Calderoni, membro da Liga do Norte, não hesitou em acusar os sindicatos e a esquerda de não defenderem as camadas mais pobres, ironizando que «pela primeira vez na Europa foi organizada uma manifestação contra uma redução dos impostos».
Publicidade enganosa
A dita reforma fiscal, só aprovada no parlamento após Berlusconi ter ameaçado dissolver a coligação, está avaliada em seis mil milhões de euros que, na opinião dos sindicatos, irão beneficiar apenas as camadas mais favorecidas. Também os partidos da oposição afirmam que tudo não passa de publicidade enganosa, já que a perda de receita será compensada com uma subida dos impostos indirectos (pagos por todos indiferenciadamente) sobre produtos como o tabaco e outros.
Por outro lado, o governo prepara-se para reduzir a despesa com a supressão de 75 mil empregos públicos, motivo explica a forte adesão do sector à greve geral.
Embora tenha surtido o efeito desejado (após o anúncio da baixa fiscal, a popularidade de Berlusconi subiu seis pontos nas sondagens para 38,2%), o carácter demagógico desta medida não tardou a ser desmascarado pelos serviços do próprio governo italiano.
No dia da greve, um documento oficial do Ministério da Economia veio esclarecer que «os contribuintes favorecidos pelas alterações dos impostos serão cerca de 16,6 milhões (40,7%). Para cerca de 22,7 milhões de contribuintes (59,3%) não haverá reduções nos pagamentos» fiscais, afirmava o estudo das autoridades financeiras que realizaram uma série de simulações para avaliar o impacto das medidas na economia do país.
O estilo populista não consegue esconder a profunda crise que a Itália atravessa (com o crescimento estagnado pelo terceiro ano consecutivo), sendo cada vez mais os sectores da sociedade que se opõem ao governo de direita. Guglielmo Epifani, dirigente da maior central sindical Cgil, não tem dúvidas do «total isolamento» do executivo de Berlusconi: «Todos os sindicatos estão contra ele e nem o patronato, nem os municípios nem as províncias e regiões o apoiam neste momento».
Esta é também a posição da classe dos magistrados que realizaram uma greve em 24 de Novembro contra a reforma da Justiça que registou 80 por cento de adesão.
As maiores manifestações tiveram lugar em Roma e Milão, com mais de 100 mil pessoas, em Turim com 60 mil manifestantes e em Veneza, onde 50 mil pessoas encheram a praça de S. Marcos.
Fábricas, comboios, bancos ou ainda os transportes aéreos estiveram paralisados durante várias horas. Os correios e os serviços da administração pública, incluindo os de saúde, mantiveram-se encerrados durante todo o dia.
Procurando travar as políticas antisociais do governo, os sindicatos convocaram esta jornada em resposta ao projecto de orçamento de Estado para 2005 que consideram «injusto, errado e inadaptado à gravidade da situação», insistindo na denúncia da alegada baixa de impostos que apenas beneficiará os mais ricos.
Os partidos da coligação governamental qualificaram o protesto maciço como «uma greve política». O ministro das Reformas, Roberto Calderoni, membro da Liga do Norte, não hesitou em acusar os sindicatos e a esquerda de não defenderem as camadas mais pobres, ironizando que «pela primeira vez na Europa foi organizada uma manifestação contra uma redução dos impostos».
Publicidade enganosa
A dita reforma fiscal, só aprovada no parlamento após Berlusconi ter ameaçado dissolver a coligação, está avaliada em seis mil milhões de euros que, na opinião dos sindicatos, irão beneficiar apenas as camadas mais favorecidas. Também os partidos da oposição afirmam que tudo não passa de publicidade enganosa, já que a perda de receita será compensada com uma subida dos impostos indirectos (pagos por todos indiferenciadamente) sobre produtos como o tabaco e outros.
Por outro lado, o governo prepara-se para reduzir a despesa com a supressão de 75 mil empregos públicos, motivo explica a forte adesão do sector à greve geral.
Embora tenha surtido o efeito desejado (após o anúncio da baixa fiscal, a popularidade de Berlusconi subiu seis pontos nas sondagens para 38,2%), o carácter demagógico desta medida não tardou a ser desmascarado pelos serviços do próprio governo italiano.
No dia da greve, um documento oficial do Ministério da Economia veio esclarecer que «os contribuintes favorecidos pelas alterações dos impostos serão cerca de 16,6 milhões (40,7%). Para cerca de 22,7 milhões de contribuintes (59,3%) não haverá reduções nos pagamentos» fiscais, afirmava o estudo das autoridades financeiras que realizaram uma série de simulações para avaliar o impacto das medidas na economia do país.
O estilo populista não consegue esconder a profunda crise que a Itália atravessa (com o crescimento estagnado pelo terceiro ano consecutivo), sendo cada vez mais os sectores da sociedade que se opõem ao governo de direita. Guglielmo Epifani, dirigente da maior central sindical Cgil, não tem dúvidas do «total isolamento» do executivo de Berlusconi: «Todos os sindicatos estão contra ele e nem o patronato, nem os municípios nem as províncias e regiões o apoiam neste momento».
Esta é também a posição da classe dos magistrados que realizaram uma greve em 24 de Novembro contra a reforma da Justiça que registou 80 por cento de adesão.