Prisão para Berlusconi!
A procuradora da República, Ilda Boccassini, pediu a pena máxima aplicável de oito anos de prisão o primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi.
O julgamento de Berlusconi pode iniciar-se em Dezembro
O ministério público acusa o «empresário Berlusconi» de, através da sua holding Fininvest, ter «pago a magistrados de Roma para que estes colocassem o exercício das suas funções ao serviço do seu grupo».
Ausente na audiência de sexta-feira, 12, o primeiro-ministro italiano, para além de uma pena de prisão arrisca-se igualmente a ficar impedido de exercer cargos públicos. O julgamento deverá começar no próximo dia 3 de Dezembro, caso até lá Berlusconi não encontre novo expediente para escapar à justiça.
Iniciado em 2000, os factos deste processo remontam a 1986, quando o grupo Fininvest obteve uma decisão do tribunal em seu favor que bloqueou a venda da empresa pública agro-alimentar SME ao grupo SIR do empresário Carlo De Benedetti.
Apesar de não se ter provado que se tratou de uma decisão comprada, a investigação descobriu um sistema de corrupção mais vasto no seio do tribunal de Roma, de que já resultaram várias condenações.
Cesare Previti, de 69 anos, amigo de longa data do Cavaliere, do qual foi ministro da Defesa em 1994, foi sentenciado a cinco anos de prisão, em Novembro de 2003, depois de ter ficado provado que «de forma continuada entregava somas em nome da Fininvest» ao juiz Renato Squilante, igualmente condenado a uma pena de oito anos de prisão.
O tribunal apurou um movimento de 430 mil dólares, que partiu de uma conta bancária da Fininveste, passou por Cesare Previti e acabou sendo depositada numa outra do juiz Squillante. Mais uma vez, tudo se passou no segredo dos bancos suíços.
Acusado no mesmo processo, o chefe do governo italiano conseguiu que o seu caso fosse dissociado dos restantes réus em Maio de 2003, depois de convencer os magistrados que as suas funções políticas o impediam de comparecer nas audiências, onde esteve uma única vez.
Em Junho de 2003, Berlusconi beneficiou de uma lei que fez aprovar de urgência no parlamento que conferia imunidade às cinco figuras mais elevadas do Estado, entre as quais a do primeiro-ministro, durante a vigência dos respectivos mandatos. Este escandaloso diploma acabou por ser anulado pelo Tribunal Constitucional em 15 de Janeiro deste ano, o que permitiu reabrir o processo em Abril.
Embora a acusação se reporte a um período em que Berlusconi era apenas um empresário, a procuradora Boccassini fez questão de salientar as responsabilidades actuais do réu: «Ele apresentou-se como o garante de todos os cidadãos, mas não passa de alguém que mente ao povo italiano». A magistrada sublinhou a gravidade do delito, afirmando que «a corrupção de um magistrado abala o pilar em que assenta um Estado democrático.
Ausente na audiência de sexta-feira, 12, o primeiro-ministro italiano, para além de uma pena de prisão arrisca-se igualmente a ficar impedido de exercer cargos públicos. O julgamento deverá começar no próximo dia 3 de Dezembro, caso até lá Berlusconi não encontre novo expediente para escapar à justiça.
Iniciado em 2000, os factos deste processo remontam a 1986, quando o grupo Fininvest obteve uma decisão do tribunal em seu favor que bloqueou a venda da empresa pública agro-alimentar SME ao grupo SIR do empresário Carlo De Benedetti.
Apesar de não se ter provado que se tratou de uma decisão comprada, a investigação descobriu um sistema de corrupção mais vasto no seio do tribunal de Roma, de que já resultaram várias condenações.
Cesare Previti, de 69 anos, amigo de longa data do Cavaliere, do qual foi ministro da Defesa em 1994, foi sentenciado a cinco anos de prisão, em Novembro de 2003, depois de ter ficado provado que «de forma continuada entregava somas em nome da Fininvest» ao juiz Renato Squilante, igualmente condenado a uma pena de oito anos de prisão.
O tribunal apurou um movimento de 430 mil dólares, que partiu de uma conta bancária da Fininveste, passou por Cesare Previti e acabou sendo depositada numa outra do juiz Squillante. Mais uma vez, tudo se passou no segredo dos bancos suíços.
Acusado no mesmo processo, o chefe do governo italiano conseguiu que o seu caso fosse dissociado dos restantes réus em Maio de 2003, depois de convencer os magistrados que as suas funções políticas o impediam de comparecer nas audiências, onde esteve uma única vez.
Em Junho de 2003, Berlusconi beneficiou de uma lei que fez aprovar de urgência no parlamento que conferia imunidade às cinco figuras mais elevadas do Estado, entre as quais a do primeiro-ministro, durante a vigência dos respectivos mandatos. Este escandaloso diploma acabou por ser anulado pelo Tribunal Constitucional em 15 de Janeiro deste ano, o que permitiu reabrir o processo em Abril.
Embora a acusação se reporte a um período em que Berlusconi era apenas um empresário, a procuradora Boccassini fez questão de salientar as responsabilidades actuais do réu: «Ele apresentou-se como o garante de todos os cidadãos, mas não passa de alguém que mente ao povo italiano». A magistrada sublinhou a gravidade do delito, afirmando que «a corrupção de um magistrado abala o pilar em que assenta um Estado democrático.